Introdução ao “Sonho de Rāvaṇa: Um tratado místico da Índia”
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Quanto à onomástica e transliteração, urge explicitar que algumas designações foram alteradas do original inglês para a fórmula sânscrita correcta, outras foram mantidas, sendo as alterações mais dúbias referidas em nota. Esta situação deve-se a vários factores, como a não definição da correcta transliteração na época em que a obra foi editada, e o “inglesamento” de algumas palavras por parte do autor, situação que emendámos, de forma a tornar a presente obra mais acessível e uniformizada.
Para uma melhor compreensão e comparação com o Rāmāyaṇa e outras fontes citadas ao longo do SR, optámos nesta edição portuguesa por substituir os nomes utilizados pelo autor por aqueles mais próximos à onomástica original ou mais usual. Desta forma e a título de exemplo, Ravan foi substituído por Rāvaṇa, Laxuman por Lakṣmaṇa, e Hanumanta por Hanuman. A versão original reflecte na sua maioria uma etimologia própria do Sul da Índia, e em alguns casos essa origem foi mantida. Os nomes que nos são apresentados em inglês, como Floribel e Chrystalline, etc., foram igualmente mantidos.
De acordo com o IAST (International Alphabet of Sanskrit Transliteration), a correcta transliteração do alfabeto devanāgarī para as línguas ocidentais implica a adopção de um conjunto de novos caracteres, assim, para que se possa ler correctamente os sons do sânscrito na língua portuguesa, apresentam-se as seguintes regras:
As vogais que não apresentem o macron (ˉ) como a, u, e, o e ṛ, devem ler-se sempre breves e fechadas, sendo que os sons e e o nunca são abertos e lêem-se sempre ê e ô. As vogais cuja transliteração apresenta o macron: ā, ī, ū, e ṝ, devem ler-se abertas e longas, tal como os ditongos ai e au. Algumas consoantes devem ser lidas de forma expirada: kha, gha, cha, jha, ṭha, ḍha, tha, dha, pha e bha. Alguns sons alteram significativamente da sua leitura no português, como é o caso de ja e jha, que devem ler-se dja e djha respectivamente, e em “ligações” como jña, pode ler-se djnha ou gya. O pha não se lê fa mas sim pa expirado. O ca e o cha lêem-se tcha e não ca. Os signos ṛ e ṝ devem ler-se ri, como em Maria. Os sons ṅa, ña, ṇa, na e ma, são nasais e não marcam na palavra uma pausa na respiração. Os sons sibilantes śa e ṣa lêem-se cha, e sa lê-se sempre s, nunca tomando os seus valores de z e x como sucede no português. Os sons mais difíceis para os falantes de língua portuguesa serão os retroflexos: ṭa, ṭha, ḍa, ḍha, ṇa, ṣa e ra, onde a língua deve tocar a abóbada palatina. O signo anusvāra (ṃ) dá um carácter nasal à vogal sobre a qual actua e corresponde ao til (~) no português. O som do signo visarga (ḥ) é expirado, fazendo eco da sílaba anterior.
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Resta-nos, neste vestíbulo do SR, um sincero agradecimento ao professor José Carlos Fernández, pela sua vontade em querer ver traduzida para o português tão admirável produção literária, pelo seu entendimento e paciente dedicação, essenciais para que o tradutor a levasse a bom porto. Agradecemos igualmente a Mara Nunes Fernandes as sugestões quanto à tradução e contextualização de algumas designações indianas, a Mauro Costa pelas considerações quanto à tradução de algumas expressões latinas, e ao professor Cleto Saldanha as sempre sábias sugestões e cuidadosa revisão.
Ricardo Louro Martins
Lisboa, Maio de 2014
Nota bibliográfica:
Edições
Anónimo, “The Dream of Ravan. A Mistery” I-III, DUM 42/2, Dublin, William Curry, Jun. & Co., 1853, pp. 475-490; 578-589; 673-682.
____ , “The Dream of Ravan. A Mistery” IV, DUM 43/1, Dublin, William Curry, Jun. & Co., 1854, pp. 456-474.
____ , The Dream of Ravan – A Mystery, London, The Theosophical Publishing Society, 1895.
____ , The Dream of Ravan: A Mystery, Mumbai, Theosophy Company, 1974.