Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

Liberdade? Uma palavra vazia ou uma realidade?

Liberdade

Liberdade é uma palavra que tem ecoado em muitas ocasiões ao longo da História, geralmente porque se deseja ou se carece dela. Mas em que consiste a liberdade? O nosso mundo oferece-nos a possibilidade de sermos livres?


Há muitas formas de liberdade, mas a essência da liberdade surge do espírito.
A nossa liberdade está condicionada pelos meios em que podemos expressá-la e a sua constante relação com o mundo vai dando-lhe diferentes matizes. O que permanece é o sentimento interior de querer ser livre.
As tradições do Oriente dizem-nos que o homem está em constante busca de liberdade, que nós traduzimos como libertação. Mas esta procura de libertação surge do mais profundo da raiz espiritual do ser humano. É uma necessidade de expressão, uma necessidade de ser.
Aristóteles disse-nos que existem certos princípios de justiça e de procura de liberdade que estão condicionados fundamentalmente pela união do homem a Deus.
Em geral, tanto no Oriente como no Ocidente, tem-se identificado a espiritualidade com a liberdade, e pelo contrário, relacionou-se a matéria com a escravidão, com a limitação. O ser humano, por natureza, ama a verdade e a liberdade.
Hoje em dia, muitas pessoas não têm qualquer interesse pela verdade, já que cada um fabrica a sua própria, subjetiva, particular, burilada segundo as suas preferências, escolhendo o que gosta e rejeitando o que não lhe apetece, sem que isso implique um compromisso existencial, nem consequências pessoais. Se não existe interesse pela verdade, a liberdade perde peso e, no limite, serve apenas para garantir a mobilidade, mas sem dar demasiada importância ao seu conteúdo. O psiquiatra Enrique Rojas diz-nos que o conteúdo da liberdade justifica uma vida, traça uma trajetória, deixa a descoberto o que temos dentro de nós, as aspirações fundamentais e os argumentos.

 

"Acreditamos que somos livres porque podemos escolher, mas o que é que realmente escolhemos? Sejamos sinceros e reflitamos."


 

Liberdade ou escravidão?

 

Liberdade

 

Atualmente crê-se que o ser humano mais livre é aquele que não se compromete com nada, que vive a vida sem compromissos, que não tem amarras. Crê-se que a fidelidade a um ideal, a um sentimento, limita a liberdade. Desta forma, afastamos de nós os nobres ideais, as formas de vida dignas, os sentimentos, os valores atemporais…que não parecem indicados para esta suposta liberdade moderna. A mesma que esconde uma terrível escravidão: viver amarrado às correntes do medo, da indecisão, do que possam dizer, da incapacidade de escolher viver ideias e sentimentos próprios.
Acreditamos que somos livres porque podemos escolher, mas o que é que realmente escolhemos? Sejamos sinceros e reflitamos.
A força dos hábitos e dos costumes que nos impõe o materialismo dirige-nos para uma vida ligeira, fácil e divertida, deixamos de vivê-la com autenticidade e realização do próprio ser. Isto como nos dizia o poeta checo Rainer Maria Rilke, não é progresso no sentido da vida, senão renuncia a todas as suas possibilidades e amplitudes, e consequentemente, leva-nos a um empobrecimento do ser humano.
A sociedade promete-nos sermos livres e únicos, mas com as suas pautas e normas, para que todos sigamos a mesma estratégia vital, através do consumo, o ingrediente mágico da fórmula pós-moderna da liberdade.
O mito da caverna de Platão continua vigente. Nos dias de hoje decoraram a caverna de liberdade, e os elementos decorativos mais relevantes são:
⦁ Relativismo, seguramente muito cómodo, porque garante que ninguém se “molhe” e e ganhe sentido de responsabilidade. A qualquer pergunta, a resposta é “depende”, as normas e as crenças acomodam-se segundo o momento e o arbítrio de cada indivíduo. Com esta atitude evaporam-se as instituições, debilitam-se as ideias e finalmente perdem-se as utopias, ou seja, a capacidade de sonhar com um mundo melhor.
⦁ Hedonismo, esse culto cego a si mesmo para disfrutar ao máximo, à custa do que quer que seja. Um egocentrismo puro e duro que nos mantem fixados em nós próprios e nos faz perder o mundo de vista, que aponta para a morte dos ideais, o vazio de sentido e a busca de sensações novas cada vez mais excitantes.
⦁ Permissividade, tudo vale, tudo se deve provar, a rédea solta das sensações, arruinando os melhores propósitos e ideais.
As suas sombras, projetadas na parede da caverna, tergiversam a realidade. À prisão chamamos liberdade, ao sexo praticado sem compromisso chamamos amor, e ao bem-estar e ao nível de vida equiparamo-los à felicidade. Como nos disse o sociólogo polaco Zigmunt Bauman, a novidade converte-se em boa notícia, a precaridade torna-se agora um valor, a instabilidade um ímpeto e a hibridez uma riqueza.
Animalizar o homem pelo interesse de não sei que liberdade é um dos maiores enganos.

 

A verdadeira liberdade


O mundo de hoje é excessivamente materialista, egoísta e implacável. E com frequência, parece natural subjugar a liberdade dos outros utilizando os meios económicos ou físicos para impor determinadas ideias, sem ter em conta que a liberdade individual termina quando choca com a liberdade coletiva. Tornou-se-nos demasiado natural a falta de princípios morais.
Apesar de todas as organizações de direitos humanos e todas as leis fundamentais que regem a convivência, prevalece o material, e mais ainda, a parte económica. Num mundo assim é difícil que se possa dar a liberdade autêntica. A propaganda, mantida por fatores económicos e de força, é tão excessiva que asfixia.
Como nos dizia o filósofo argentino Jorge Ángel Livraga, podemos ser livres tendo consciência de nós mesmos, ou seja, tendo conhecimento e aceitação de nós mesmos e um conhecimento e aceitação do mundo circundante. Mas, em geral, não sabemos reconhecer-nos, inventamo-nos e sonhamo-nos, e não temos amor para connosco para aceitarmo-nos com as nossas debilidades, erros e mesquinhez. Isto implica que nos custe aceitar os outros com esta mesma condição, sem sonhá-los na sua perfeição física, psíquica ou espiritual, quando nós não a podemos dar.
A filosofia clássica ensina-nos que apenas é livre o ser humano que se conhece e se possui a si mesmo. Isso não se afasta da ação ou da entrega, mas antes cresce mais quanto mais se experimenta e é mais livre quanto mais cresce.

 

Cinta Barreno
Na revista Esfinge, Novembro 2013

(Conforme o novo acordo ortográfico)

 

 

 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster