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Londres 2012, uma história de Superação

 

Uma vez, na Coreia do Sul, um rapaz ia para a escola, como tantos outros. Um dia, ao brincar no recreio, entreteve-se durante um bom bocado com um arco e umas flechas de brincar. Tinha dez anos. Na Coreia do Sul, o tiro com arco é o desporto nacional, assim ninguém estranhou o que fez. Um professor da escola, no entanto, prestou-lhe atenção. Viu que apontava de maneira correta, e como todo o professor que se precisa, detectou no rapaz uma habilidade que era mais natural nele que noutros. Seguindo o seu instinto de estimular as aptidões dos seus alunos, esse professor o encorajou Im, assim se chamava o rapaz, a praticar mais nos seus momentos livres, Já que tão bem empunhava o arco. E assim, como um Robin Hood ou um Guillermo Tell qualquer, Im Dong Hyun começou a praticar o tiro com arco, tal como na Europa ocidental os rapazes começam desde de muitos pequenos a jogar futebol com os seus amigos.

Isto não teria passado de mais uma história, entre as muitas que se repetem naquele país, se não fosse porque quando tinha quinze anos, Im começou a perder a visão. Não era que precisasse de óculos ou fazer uma operação para corrigir esses defeitos da visão que surgem comummente. Não. Estava a ficar cego. Cego de verdade. Im Dong Hyun foi declarado legalmente cego antes de cumprir vinte anos. Com o seu olho direito vê a 20 m, enquanto uma pessoa com visão normal vê a 100 m. E com o esquerdo, vê bastante menos. Isto significa que não é capaz de ver as letras do teclado de um computador e tão pouco pode levar a cabo actividades quotidianas como conduzir. Como continuar a praticar uma disciplina em que a vista é mais importante que o pulso?

 


" (....) Quando realmente se sentiu à beira do precipício, (...) Im escutou a voz do seu pai, uma voz que o havia acompanhado desde da sua infância, uma voz que dava essas pequenas perolas de sabedoria tão próprias das culturas orientais. "Foste arqueiro durante cinco anos e isso é muito tempo na vida de uma pessoa para agora ser abandonado. Tenta recordar o que sentiste a primeira vez que disparaste uma flecha com um arco e volta a disfrutar. O tempo é demasiado valioso para dar-se por vencido"."

 



Houve um momento nesta historia em que Im começou a desesperar. O que melhor sabia fazer, tiro com arco, aquilo que o fazia sentir que fazia algo verdadeiramente bem começou a ter uma dificuldade crescente devido àquela circunstância que surgira. Apesar de ter sempre praticado muito e ter fé nas suas capacidades, o adolescente sentiu que o seu mundo ruía. Começou a desanimar-se e a pensar que teria que adaptar-se a viver uma vida menor, sem poder fazer aquilo que mais gostava e que cada dia lhe oferecia um novo objectivo para superar.

Quando realmente se sentiu à beira do precipício, onde se vê a profundidade do fundo olhando para baixo ou a imensidade do céu quando se olha para cima, Im escutou a voz do seu pai, uma voz que o havia acompanhado desde da sua infância, uma voz que dava essas pequenas perolas de sabedoria tão próprias das culturas orientais. "Foste arqueiro durante cinco anos e isso é muito tempo na vida de uma pessoa para agora ser abandonado. Tenta recordar o que sentiste a primeira vez que disparaste uma flecha com um arco e volta a disfrutar. O tempo é demasiado valioso para dar-se por vencido". Então, Im pareceu despertar da sua letargia. Agarrou com força as palavras do seu pai e propôs-se a manter-se fiel àquele conselho paterno.
Decidiu não colocar os seus resultados nas mãos do que não tinha, a visão. Colocaria o seu futuro no esforço, na constância e na capacidade de adaptar-se às novas e adversas circunstâncias. Isso, ele tinha. E podia acrescentar cada dia mais. Podia distinguir as diferentes cores do branco. Suficiente. Os arqueiros podem conseguir um máximo de 10 pontos por flecha acertando no círculo dourado do centro do alvo, e precisamente o dourado é das cores que Im pode distinguir. Para ali vão muitas das flechas que lança. Lá ao longe, onde o alvo é colocado, nada está decidido nem para Im nem para qualquer outra pessoa.

A partir de aquele momento e pouco a pouco, foi melhorando as suas marcas e pressionando novas barreiras. Melhorou tanto que um dia passou a fazer parte da equipa nacional de tiro com arco, e isso conseguiu, nem se quer vendo como o resto das pessoas. E era uma equipa que ganhava muitas competições internacionais, porque o seu país tem uma larga tradição neste desporto.

Im começou a somar vitórias importantes. Chegou a obter quatro títulos mundiais e outras tantas medalhas de ouro nos Jogos Asiáticos, o equivalente aos campeonatos da Europa para este lado do planeta, e com a sua equipa também conseguiu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e de Pequim 2008.
A vida voltava a sorrir. Tinha o apoio de todo um país, a admiração oficial dos dirigentes do deporto sul-coreano, as sábias palavras do seu pai ressoando nos seus ouvidos, a lembrança dos duros tempos vividos mas superados e agora, no ano 2012, foi com os seus companheiros aos Jogos Olímpicos de Londres. Não podia ver como os demais, mas que importância tinha isso?

Quando ainda não se havia acendido a chama olímpica, participou nas provas preliminares de classificação, que sempre se realizam um pouco antes de começar oficialmente os Jogos. Com 26 anos, Im Dong Hyun apareceu nos noticiários de todo o mundo. Nas provas classificatórias, tinha batido o recorde do mundo!
Im Dong Hyun estabeleceu uma nova melhor marca mundial na modalidade de 72 flechas, com 699 pontos, uma disciplina que exige acertar no branco a 70 metros, preferencialmente num círculo de 12,2 centímetros de diâmetro... Não foi casualidade, pois acertou não uma vez, mas muitas. Quase todas. 97% de eficácia. Insólito.

O seu recorde mundial foi o primeiro de Londres 2012.
No reino dos cegos, o arqueiro foi o rei.

Esmeralda Merino

 

 

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