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MÃE, CONTA-ME UMA HISTÓRIA

 “Era uma vez naquele tempo de reis e castelos, uma rainha teve uma filha tão linda como outra não havia…e foi fácil encontrar o nome: seria Branca de neve”.
(Jacob Wilhelm Grimm)

Há quanto tempo não conta aos teus filhos “ou sobrinhos, ou netos” a história do “Capuchinho Vermelho”, “a Bela Adormecida”, ou “o Gato das Botas”? Quem sabe, talvez, “Ali Babá e os 40 ladrões” ou “a Cinderela”? Não sabe? Pois é! Parece que os contos de fadas estão fora de moda.


"Depois, é preciso que a criança aprenda a dar um sentido à vida, de forma acertada e adequada."

 


Foram destronados pelos computadores e pelos vídeo-jogos. E depois eles ficam tão sossegadinhos quando se entretêm com isso ou com um “vídeo” na tv! Não nos maçam, não nos fazem perguntas e …principalmente não nos dizem “conta outra”. Quando já estamos cansados de um dia inteirinho de trabalho. Depois, não são contos modernos, não tem nada a ver com a realidade actual, pensamos. Pois é! Tudo isso é verdade, mas tudo isso é vital para o desenvolvimento das nossas crianças.

Primeiro que tudo, é muito importante que os miúdos se habituem a ler e aprendam a gostar de ler.

Não há melhor forma de lhes transmitir a nossa herança cultural. Depois, é preciso que a criança aprenda a dar um sentido à vida, de forma acertada e adequada. Nada melhor para isso do que as histórias infantis, principalmente os chamados contos clássicos ou de fadas. A moderna literatura infantil, de um modo geral, não tem todos os condimentos necessários à confrontação. Simbólica, da criança com ela própria. A violência de sentimentos e emoções, o medo da morte e da velhice, o confronto com a solidão e o abandono ou a ansia da vida interna comuns a todos nós, despareceram dos contos modernos. Não há dúvida que a tendência da nossa cultura dominante e actual é transmitir que o homem é bom por natureza ou que, senão o for, há-de vir a sê-lo. Mas as crianças sabem que elas nem sempre são boas e, muitas vezes, mesmo quando o são, desejariam não o ser.


"Primeiro que tudo, é muito importante que os miúdos se habituem a ler e aprendam a gostar de ler."

 


Alguns pais acreditam que só a realidade consciente ou as coisas agradáveis e que preenchem os nossos desejos devem ser dadas à criança.

Quem não deseja para o seu filho vida mais agradável do que a que teve? Mas atenção, a vida não é toda bela! Talvez inconscientemente, nós tentamos que as crianças não saibam que a origem de muito do que vai mal pelo nosso mundo são as nossas próprias naturezas – a tendência que todos temos para por vezes agir agressivamente, egoisticamente, associalmente, por raiva ou por angústia. Preferimos que elas acreditem “não há rapazes maus”!

Mas a realidade da vida não é essa. E porque não fornecer às nossas crianças as “ferramentas” necessárias ao confronto com a vida real? É aí que entram os contos tradicionais. Eles têm todos os ingredientes para transmitirem à criança que a luta contra as dificuldades da vida é inevitável, mas que, senão fugirmos dela e, com coragem e determinação, enfrentarmos essas mesmas dificuldades que muitas vezes aparecem de uma forma inesperada e injusta, acabaremos por ultrapassar todos os obstáculos e sairmos vencedores.

CONSTRUIR A PERSONALIDADE
Hoje em dia, as crianças já não crescem em grandes famílias, com segurança, ou mesmo numa comunidade bem integrada. É por isso, mais do que nunca, importante dar-lhes imagens de heróis que, solitariamente se lançam à vida, resolvem os problemas e acabam por encontrar lugares seguros no mundo e avançam confiantes e sem medos.

Por outro lado, a maldade e a virtude estão sempre presentes nesses contos, de uma forma inequívoca e bem polarizada.

Também na vida real o bem e o mal estão omnipresentes e cada um de nós tem dentro de si a propensão para um e para o outro no entanto, essa polarização sem ambiguidades que vai permitir à criança estabelecer a diferença entre uma coisa e outra coisa que ela não seria capaz facilmente se as personagens tomassem uma forma mais próxima da realidade, com toda a complexidade que isso implica.

Assim, ela também vai poder identificar-se com a figura que personifica um polo ou outro, percebendo que ela própria é boa e é má, mas que o seu lado bom “como a virtude nestes contos” acaba por dominar o mal e sair vitorioso e feliz. Tudo isso irá constituir tabelas e referências que farão parte da personalidade da criança.

ENCARAR A REALIDADE
Como na vida real, o castigo funciona como dissuasão para o crime, mas sempre de uma forma limitada. O mais importante é a compreensão que o crime não compensa, e é por isso que os malvados destes contos perdem sempre. Para a criança, mais importante que a virtude “conceito mais ou menos abstracto e, certamente  em formação”, é o facto de que o herói é extremamente simpático para ela, o que facilita a sua identificação com ele em todas as circunstâncias de luta pelo “bem”. Com este herói a criança imagina, sofre a luta, passa por todas as suas dificuldades e acaba por vencer com ele, tal como a virtude que ele representa. São as lutas interiores e exteriores desses heróis que constituem, para gravar na personalidade em formação, o conceito de moralidade. Lutas de sentimentos e emoções, medos, raivas e angústias e não somente lutas físicas e violência armada como a que é transmitida, de uma forma geral, pelos modernos heróis de grande divulgação, que tanto vão estando em moda…com a nossa ajuda.

Outro factor importante nesses contos é que eles ganham pesos significativos diferentes, conforme a altura em que são contados ou lidos. A idade ideal para introduzir a criança nestas histórias é por volta dos 4 ou 5 anos. Mas o mais fascinante é verificarmos que elas vão crescendo e continuando a gostar de ouvir ou ler os seus velhos heróis porque, consoante a fase que estão a viver, elas se vão identificando com esta ou outra personagem da mesma história, ganhando esta, assim, uma significação pessoal diferente, mas sempre rica.

É que elas vão permitindo as mudanças de identificação de acordo com os problemas com que a criança se depara, facilitando, assim, a sua aprendizagem, e lidar com os vários sentimentos por que vai passando.

 

"Como na vida real, o castigo funciona como dissuasão para o crime, mas sempre de uma forma limitada. O mais importante é a compreensão que o crime não compensa, e é por isso que os malvados destes contos perdem sempre. "



Mas o que é importante é fornecermos os meios para que a fantasia e a imaginação sejam estimuladas a fim de que a passagem para os problemas da vida real se faça de uma forma harmónica e de acordo com aquilo que ela já viveu no seu interior, no mundo do “faz-de-conta”. Antes de ter de se confrontar com a realidade, a criança tem de ter um termo de referência para avaliar. Ela tem de ter a percepção de que a luta para vencer obstáculos é compensadora e que aprender a lidar com sentimentos e emoções fortes dá segurança para a vida real. A pressão prematura para uma criança encarar a realidade de uma forma adulta, pode vir a provocar, mais tarde, o desejo de evasão desta mesma realidade para a qual ela foi empurrada antes de poder estruturar alguma segurança na sua personalidade. Então, se a oportunidade aparecer “e aparece cada vez mais!”, a droga vai surgir como meio de fuga mas…”quem tem medo do lobo mau”?

Os contos tradicionais e os de fadas são quase como um espelho mágico em que a criança pode vislumbrar um pouco do seu mundo interior e simbolicamente aprender com ele a caminhar para a maturidade com mais segurança. Depois, quando ela for mais fundo nesse espelho, acabará por descobrir também as suas lutas interiores e como é compensador lutar por aquilo em que se acredita. É bom saber que mesmo muito depois do “era uma vez…” vem sempre o “…e viveram felizes para sempre”!

 

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