Poema anónimo de um Mestre japonês do séc. XVI
Não Tenho
Não tenho pais; faço do céu e da terra os meus pais.
Não tenho lar; do mais profundo de mim mesmo faço o meu lar.
Não tenho força divina; faço da honestidade a minha força.
Não tenho meios; a submissão é o meu meio.
Não tenho nenhum poder mágico; a força interior é a minha magia.
Não tenho vida nem morte; do eterno faço a minha vida e a minha morte.
Não tenho corpo; da coragem faço o meu corpo.
Não tenho olhos; o brilho do relâmpago, eis os meus olhos.
Não tenho ouvidos; a sensibilidade serve-me de ouvido.
Não tenho membros; o movimento instantâneo, eis os meus membros.
Não tenho lei; faço da minha própria protecção a minha lei.
Não tenho estratégia; livre de matar e livre de dar a vida, eis a minha estratégia.
Não tenho desígnios; a oportunidade é o meu desígnio.
Não tenho milagres; da justa lei faço o meu milagre.
Não tenho princípios; a adaptabilidade a todas as circunstâncias eis os meus princípios.
Não tenho táctica; do vazio e do pleno faço a minha táctica.
Não tenho talento; faço do espírito vivo o meu talento.
Não tenho inimigos; faço da irresponsabilidade o meu inimigo.
Não tenho armadura; da benevolência e da rectidão faço a minha armadura.
Não tenho castelo; o espírito imutável é o meu castelo.
Não tenho espada; do estado que está acima e além do pensamento, faço a minha espada.
Poema anónimo de um Mestre japonês do séc. XVI.