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Os Números e o Feng Shui - Parte I

 

Nos últimos tempos temos visto um aumento do interesse pelo Feng Shui, que aparenta ser uma arte enigmática e misteriosa, como muitas das coisas que provêem do distante Oriente, que pouco a pouco foi marcando uma tendência na Arquitectura e na Decoração.

Nos últimos tempos temos visto um aumento do interesse pelo Feng Shui, que aparenta ser uma arte enigmática e misteriosa, como muitas das coisas que provêem do distante Oriente, que pouco a pouco foi marcando uma tendência na Arquitectura e na Decoração.

Mas, também apareceu como uma moda cujo objectivo fundamental, em muitos casos, é o consumo de uma série de objectos fabricados em série e que poderiam ajudar e dar boa sorte para as pessoas que os utilizem, inclusive há pessoas que têm vindo a defender que há um novo Feng Shui, feito no Ocidente que simplificou esta antiga Arte Ciência para transformá-la num conjunto de receitas baseada em esquemas estáticos que permitem o uso mais fácil, mas que não tem nada a ver com a sabedoria chinesa, que é a origem desta Arte Ciência.

Mas, o que é o Feng Shui? O que procura o Feng Shui?

Uma das primeiras dificuldades para o público em geral, é que, para entender o Feng Shui, é necessário conhecer, mesmo que de forma básica, os fundamentos da sabedoria chinesa, que tem, como é lógico, uma visão da realidade diferente da nossa.

Nós damos ênfase ao plano concreto, material, os ensinamentos chineses fazem-no na energia, na vitalidade, na forma e na essência, assim, por exemplo, na medicina tradicional chinesa tratam-se os meridianos de energia que não são físicos, mas como o nome diz, energéticos, ou seja, estão numa dimensão vibratória diferente, mais subtil. Assim, também no Feng Shui o espaço arquitectónico nas suas diferentes escalas tem diferentes meridianos de energia em distintas vibrações, desde as magnéticas que são as mais concretas, até às mentais e espirituais.

Geralmente, todo o ser vivo é um mundo interior, um sistema vivo, uma vida interna, aquilo que os chineses chamam de NEI CHI, que desenvolve a sua vida num sistema vivo externo, do qual faz parte, essa vida externa é o WEI CHI. Quando o Nei Chi é o organismo, a ciência é a Medicina, quando o Nei Chi é o planeta, a ciência é a Astrologia. Quando o Nei Chi é o espaço arquitetónico, uma sala, a casa, o bairro, a cidade, a ciência é o Feng Shui.

O Feng Shui, tal como as outras ciências e artes, procura fazer com que a vida interior do espaço arquitectónico seja saudável e flua correctamente, para isso é imprescindível considerar também o ambiente em que se desenvolve esse espaço, uma correcta vitalidade no Nei Chi, com uma troca adequada entre o Nei Chi e o Wei Chi, é a condição necessária para a existência de Saúde em qualquer escala, que esteja a ser tratada. O Feng Shui procura, então, criar boas condições vitais nos espaços arquitectónicos, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes.

A deterioração das condições de vida nas cidades modernas levou a procurar, e o que é mais importante, encontrar no Feng Shui, ferramentas eficazes para melhorar as condições de vida da família, do bairro, da cidade.

Neste artigo, queremos referir-nos em particular à mentalidade do Feng Shui e fazer alguns esclarecimentos que podem contribuir para evitar alguns erros comuns e que surgem a partir de uma perspectiva rasa, que confunde diferentes níveis de trabalho do Feng Shui, vamos ver isso com base nos números, vendo-os como chaves ordenadoras.

Os diferentes níveis de realidade

Na Sabedoria chinesa, como em outros sistemas de pensamento tradicional, são apresentados diferentes níveis de realidade que são expressos simbolicamente como:
 
TIEN Céu
REN Homem (há vários nomes para indicar o ser humano)
TI Terra

feng shui


Deve-se ressalvar que estes três aspectos são, como já foi dito, níveis diferentes, não se tratam do Céu, Homem e Terra físicos, mas de duas realidades opostas, Céu e Terra, e de uma realidade intermédia e intermediária, o Ser Humano. Assim aparece mostrado neste ideograma chinês.

No começo do Chung Yun podemos ler:

O que o Céu ordenou (o que foi colocado no coração do ser humano) é chamado natural. Seguir o que é natural é o que é denominado o Caminho. O regulamento deste caminho é o que é chamado de doutrina ou ensinamento.

 

O caminho não pode ser abandonado, nem mesmo por um instante. Se pudesse ser abandonado, não seria o Caminho. Por isso, o homem superior tem cuidado e presta atenção, sem esperar nada em concreto e teme sem ter escutado nada em particular.

Nada é mais evidente do que o invisível, os recantos secretos do seu coração, nem nada mais claro do que o diminuto, os pequenos sinais. Assim, o homem superior é cuidadoso em sua solidão, vigia atentamente somente o que ele conhece (as suas paixões e sentimentos mais íntimos).

Se não surgem sentimentos de satisfação, furor, tristeza ou alegria, diz-se que se está no Meio. Se surgem, mas estão equilibrados, diz-se que estão em harmonia. O Meio é a raiz principal de tudo o que há debaixo do céu; a harmonia é a lei geral do universo.

Com a conquista do Meio e da harmonia, o Céu e a Terra estarão em equilíbrio, cada coisa está no seu lugar e todos os seres se aperfeiçoarão.

Nestes versos podemos ver a situação de intermediário do Ser Humano e o Céu como gerador da Ordem Natural, por isso o trabalho essencial do ser humano é estabelecer em si mesmo a ordem do Céu, conseguir o Justo Meio, isto permitirá equilibrar o Céu e a Terra.

No primeiro verso de Ta Hio vemos novamente esta tarefa fundamental do ser humano, que consiste em desenvolver a Virtude ou a Ordem que o Céu colocou no seu coração.

O caminho do Grande Estudo consiste em fazer brilhar a luminosa virtude que recebemos do Céu, renovar constantemente os homens e alcançar a maior excelência.

O ser humano é o intermediário entre TIEN, o Céu e TI, a Terra. O espaço arquitectónico é o espaço humano por excelência. Para que este espaço esteja em sintonia com as reais necessidades do ser humano, deve obedecer às leis do Céu e da Terra. No Tao Te Ching:

O Tao é supremo, o céu é supremo, a terra é suprema e o rei é supremo.
Existem quatro coisas supremas no universo, e o homem é uma delas.
Ele obedece às leis da terra.
A terra acata as leis do céu.
Céu acata as leis do Tao.
E Tao, as da sua própria natureza.

No Ta Chuan diz-se: no Céu há signos e na Terra configurações, na Arquitetura Sagrada do Feng Shui, procura-se pôr em harmonia os signos do Céu com as configurações da Terra, e no Tao Te Ching:

E o que está em ritmo com o céu, está com o Tao.
E o que está em ritmo com o Tao é eterno.

 

Os Diferentes Números

Com base nestes três níveis também podemos estabelecer três tipos de matemática e, portanto, três tipos de números, cada um com uma perspectiva diferente.

Numeros

No Céu está a Ordem Natural, os Números Arquétipos, as Ideias. Na terra estão as configurações, as características do terreno, o mundo intermédio é o mundo matemático geométrico e simbólico, é o mundo do desenho arquitetónico. Quando estes três níveis se conjugam de forma harmónica, a Ordem do Céu reflecte-se na Obra Arquitetónica na Terra, graças à ponte eficiente, o Ser Humano.

Isto significa que o projeto arquitetónico não pertence ao mundo da Terra, mas ao mundo matemático, o mundo intermédio, o mundo geométrico e simbólico. Se se confundem os níveis, então produzem-se graves erros, ao tomar algo simbólico como se fosse concreto.

Isto será mais fácil de ver através de alguns exemplos que poderiam ser muitos, mas estes poucos são úteis para ilustrar o que estamos a explicar.

Nas Tahuantinsuyu, o modelo geométrico é um quadrado que permite estabelecer os quatro suyos ou regiões. Na aplicação concreta deste modelo simbólico o território é organizado de acordo com os quatro suyos, mas o Império Inca tem uma forma alongada e não quadrada, de acordo com a configuração e topografia do espaço físico em que se desenvolveu.

Um dos elementos básicos em todo o modelo simbólico arquitectónico é a noção de Centro, é a partir daí que gera a vida, mas na sua aplicação prática, este centro irá variar de localização de acordo com a topografia e geografia do território, nas cidades portuárias como Buenos Aires ou Guayaquil, o centro está numa das costas, ao lado do cais, perto do centro de actividade e identidade. Roma era, sem dúvida, o centro do Império, mas, obviamente, não estava no centro geométrico, mas no centro vital e mágico.

ying_yang

O Yin e Yang formando a harmonia do Tai Chi é um símbolo e também um dos objetivos do Feng Shui, desenhar espaços onde se combinam harmonicamente o Yin e o Yang, integrando-se no Tai Chi. Mas, na aplicação prática não significa que se deva, obrigatoriamente, desenhar plantas circulares, há muitas formas e meios para expressar este símbolo no projeto arquitectónico.

Com estes pequenos exemplos podemos ver que uma coisa é o símbolo geométrico matemático e outra a aplicação específica que deve, logicamente, adaptar-se às condições particulares de cada lugar e não se pode aplicar um esquema rígido.

 

Para completar os exemplos no espaço, podemos citar mais um, mas desta vez no tempo. No livro A Arte da Guerra, Sun Tzu escreveu: “A energia pela manhã é forte, ao meio-dia decai e pela tarde retrocede. Por isso, os bons guerreiros evitam a energia do amanhecer e atacam quando esta decai ou retrocede. Isto chama-se dominar a energia”. Se tomássemos isto literalmente significaria que Sun Tzu aconselha a não atacar jamais no período da manhã e fazê-lo sempre ao meio-dia ou à tarde, no entanto, num comentário a este parágrafo, Mei Yaochen, oficial militar e notável escritor da dinastia Sung, diz: “o amanhecer significa o princípio, o meio-dia significa o meio, e a tarde significa o fim. Isto é, no início os soldados são agressivos, mas com o tempo cansam-se e pensam em voltar para casa; e é neste ponto que são mais vulneráveis”. No parágrafo Sun Tzu utiliza uma linguagem simbólica com base na analogia com os ritmos e as mutações da natureza, mas para aplicá-la na prática, neste caso, na guerra, é necessário “traduzi-la” para uma realidade concreta.

Assim, vemos que em diferentes níveis, há diferentes perspectivas e embora se tratem de números nos três, em cada um significa algo diferente. No Mundo do Céu, os Números são Ideias ou Arquétipos, no Mundo da Terra, são quantidades e no Mundo Humano ou Intermédio, que é o do Projecto Arquitectónico, são qualidades. Portanto, as Ideias são expressas em qualidades e estas são plasmadas nos objetos. Para se desenhar utiliza-se a geometria e a proporção, mas para construir é necessária a quantidade.

Para fazer o plano de uma obra arquitectónica, é necessário apenas a proporção, sem necessidade de colocar as medidas em quantidade, mas em módulos, mas para construir, é necessária a quantidade, porque agora está-se a trabalhar com materiais.

 

A Unidade, o Ciclo, a Coerência

Vamos agora ver alguns números que estão ligados aos fundamentos do Feng Shui nos seus diferentes níveis, começando pelo primeiro, a Unidade.

A primeira ideia é a de Unidade, a que faz com que o Universo seja Uno. A ideia de Unidade é a “baseada na unidade essencial das partes que constituem o todo”. (Jorge Angel Livraga, Cartas a Delia e Fernando).

Toda a natureza está coordenada, isto é, forma uma unidade vital e nada está excluído dela.”... “Não há dúvidas na Natureza, não há diálogo dos opostos. Tudo está perfeitamente plasmado e vai para uma única parte”. (Jorge Angel Livraga, O Universo Como Resposta).

Veremos essa ideia de Unidade, entre outros, no sistema de Cinco Forças ou Movimentos WU HSING, que são as partes que actuam formando um todo. Os Cinco Movimentos são: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.

cinco movimentos


Estes Cinco Movimentos são os que actuam para gerar as mutações, formam uma Unidade que se baseia na harmonia entre eles, para o qual cada um deve estar no seu Justo Meio. “Com a conquista do meio e da harmonia, o Céu e a Terra estarão equilibrados, cada coisa está no seu lugar e todos os seres se aperfeiçoarão”. (Chung Yun)

Quando há carência de qualquer um dos Cinco, é necessário gerar e daí surge a primeira das duas relações mais importantes entre os Wu Hsing, o Ciclo Sheng ou de Geração. Onde a Madeira gera o Fogo, o Fogo gera a Terra, a Terra gera o Metal, o Metal gera a Água e a Água gera a Madeira, fechando o ciclo.

Ciclo Sheng

Quando, pelo contrário, há excesso, então é necessário controlar para evitar desarmonia em todo o sistema, este é o ciclo KO ou de controlo. Onde a Madeira controla a Terra, a Terra controla a Água, Água controla o Fogo, o Fogo controla o Metal e o Metal controla a Madeira, fechando o ciclo.

 

ciclo Sheng

 

 

Este Ciclo manifesta-se de muitas formas, vejamos alguns exemplos que nos mostram diversos ciclos em que cada um conforma uma Unidade.

Feng Shui

 

Na sua aplicação prática o sistema de Wu Hsing outorga Coerência ao desenho arquitectónico, que é a expressão concreta da unidade.

Tal como acontece com os Wu Hsing também são aplicados os Oito Trigramas que formam o PA KUA e muitos outros sistemas unitários, o que vamos ver em relação a outros Números.

 

A Dualidade, a Oposição Complementar e a Harmonia

A unidade é expressa através desta outra Ideia, a Dualidade, e está na base daquilo que o pensamento chinês chamou de YIN YANG.

O YIN YANG geralmente é explicado com a imagem de uma montanha e o sol, o lado claro, o lado que é a luz é YANG, o lado que está na sombra, o lado escuro é YIN, mas YIN e YANG não são duas coisas concretas, já que o sol se move e à medida que o faz varia o que é YIN e o que é YANG, de modo que a dualidade é uma ideia e não algo concreto.

Este YIN e YANG forma uma oposição complementar em que sempre se manifestam ambos, por exemplo, lê-se no Shuo Kua:

O Tao do Céu é o escuro e o luminoso.

À primeira vista, pode-se dizer, vendo a oposição entre ambos que, quando há luz podemos ver e quando está escuro não. No entanto, quando vemos a relação de complementaridade entre os dois descobrimos que, na verdade, quando há luz podemos ver as trevas, e quando está escuro podemos ver a luz, isto é, ambos estão sempre presentes, numa relação de oposição complementar e que aí está a característica fundamental do YIN YANG sobre a dinâmica dos números matemáticos.

Esta Oposição Complementar é resolvida na sua aplicação prática na Harmonia, e isso é o que Feng Shui procura estabelecer no espaço arquitectónico. Esta harmonia é o que os chineses chamam de TAI CHI. Harmonia entre o som e o silêncio é música, a Harmonia entre o cheio e o vazio é a Arquitectura.

Na aplicação prática são muitos os factores opostos em que se expressam o YIN e YANG, e nos quais há que procurar o TAI CHI, a título de exemplo apresentamos uma lista de alguns:

Tai Chi

 

Leonardo Santelices

(Ler segunda parte aqui)

 

 

 

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