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O Ocultismo em Oposição às Artes Ocultas - Parte II

 

Como seria possível ao homem entrar pela estreita porta “do Ocultismo”, estando os seus quotidianos pensamentos ligados a todas as horas com as coisas terrenas, com desejo de poder, concupiscências, ambições e deveres que, se bem que sejam honrosos, não deixam de ser terrenos? Mesmo o amor à família, o mais puro ou altruísta dos afectos humanos, é um obstáculo para o verdadeiro ocultismo. Porque se tomarmos como exemplo o santo amor maternal ou o conjugal, mesmo nestes sentimentos, analisados no seu fundo e inteiramente peneirados, encontraremos egoísmo pessoal na mãe e egoísmo dual nos cônjuges.

Que mãe não sacrificaria sem vacilar as cem ou mil vidas que tivesse pelo filho das suas entranhas? E que amante marido não satisfaria os desejos da sua amada esposa mesmo à custa da felicidade alheia?

Dir-nos-ão que isso é o natural; mas embora o seja de acordo com o código dos humanos, não o é tanto segundo o código do divino amor universal. Porque enquanto o coração palpitar de amor somente por alguns seres, os mais queridos e próximos, como poderá o resto da humanidade estar nas nossas almas? Que quantidade de amor e solicitude ficará em nós para ser concedido à “grande órfã”? E como se fará ouvir a “ténue e calada voz” numa alma inteiramente ocupada com os seus familiares predilectos? Que lugar é deixado ali para as necessidades da humanidade no seu conjunto, de modo a que o coração as sinta e responda a elas facilmente? Contudo, quem aspirar avançar na sabedoria da mente universal, terá que o conseguir mediante a humanidade inteira, sem distinção de raça, temperamento, crença, nem condição social. Somente o altruísmo e não o egoísmo, nem mesmo no seu mais nobre e legítimo conceito, pode conduzir o homem a identificar o seu Eu individual com o Eu universal. O verdadeiro discípulo do verdadeiro ocultismo terá que se consagrar à obra de satisfazer as necessidades da humanidade se quer adquirir a Theo-Sophy ou Sabedoria divina e Conhecimento.

 

"O karma é uma pedra que atirada às tranquilas águas da vida, levanta ondulações cada vez mais amplas até ao infinito."

 

O aspirante terá que escolher absolutamente entre a vida do mundo e a vida do ocultismo. Inútil e vã tentativa é conciliá-las, porque ninguém pode servir a dois senhores e agradar a ambos. Ninguém pode servir o seu corpo e o seu Eu superior, nem cumprir os deveres de família ao mesmo tempo que os da humanidade inteira, sem privar a um ou a outro dos seus direitos; porque se presta atenção à “ténue e calada voz”, não poderá escutar o clamor das suas crianças; ou se dá atenção às necessidades destas, ficará surdo à voz da humanidade. O casado que tentasse seguir o verdadeiro Ocultismo prático em vez da filosofia teórica, teria que sustentar uma incessante e desordenada luta, porque vacilaria continuamente entre a voz do impessoal e divino amor à humanidade e a do amor pessoal e terreno, o qual só o poderia conduzir ao fracasso num ou no outro, ou talvez em ambos os deveres.

Isto não seria o pior, pois quem quer que depois de se ter comprometido no ocultismo, ceda à carícia de um amor experimentará como consequência quase imediata a irresistível atracção que o retirará do divinoestado impessoal e o levará para o plano inferior damatéria. O deleite sensual, mesmo que somenteem pensamento, entranha a imediata perda dodiscernimento espiritual. A voz do Mestre não poderádistinguir-se entre a das paixões, como tão-pouco sedistinguirá a de um dugpa, porque em semelhantescircunstâncias não é possível distinguir o justo doinjusto e a moralidade salutar do estéril nominalismo.O fruto do mar morto é a mais apropriada alegoriamística, porque se torna cinza nos lábios e amargurano coração, resultando em “cada vez mais profundastrevas, louco por sabedoria, culpável pela inocência,ansioso por êxtase e desesperado por esperança”.

Mas uma vez enganados e depois de obrar de acordo com o seu engano, muitos homens repugnam reconhecer o seu erro e afundam-se mais e mais no lodo. Embora da intenção derive principalmente o facto de a magia ser branca ou negra, os resultados de feitiçaria involuntária e inconsciente não podem deixar de augurar mau karma. Bastante foi dito em demonstração de que feitiçaria é toda a espécie de maligna influência exercida sobre outras pessoas, que sofrem ou fazem sofrer em consequência. O karma é uma pedra que atirada às tranquilas águas da vida, levanta ondulações cada vez mais amplas até ao infinito. As causas engendradas produzirão efeitos evidenciados na justa lei de retribuição.

Muitos destes defeitos poderiam ser evitados se as pessoas se abstivessem de práticas cuja natureza e importância desconhecem.

Que ninguém espere suportar uma carga superior às suas forças e faculdades. Há magos congénitos, místicos e ocultistas de nascimento, devido à herança directa de uma série de encarnações e séculos de sofrimentos e fracassos. Estão já à prova de paixões. Nenhum fogo de origem terrena pode inflamar os seus sentidos nem os seus desejos. Nenhuma voz humana encontra resposta nas suas almas, excepto o ruidoso clamor da humanidade. São os únicos que têm assegurado o êxito. Mas são raríssimos e passam pelas estreitas portas do ocultismo porque não levam o impedimento pessoal dos transitórios sentimentos humanos. Desprenderam-se dos efeitos da natureza inferior, paralisando a animalidade astral, e perante os seus passos abre-se a estreita, mas áurea porta.

Não sucede o mesmo a quem todavia tem que levar durante várias encarnações a carga dos pecados cometidos em passadas e mesmo na presente vida. A menos que procedam com suma precaução, a áurea porta de Sabedoria pode transmutar-se para eles na larga porta e no espaçoso caminho que “conduz à perdição” e, portanto, “muitos são os que entram por ela”. Esta porta larga é a das artes ocultas praticadas com motivos egoístas, sem a restritiva e benéfica influência do Atma-Vidya.

 

"Que ninguém espere suportar uma carga superior às suas forças e faculdades."

 

Estamos na idade Kali, cuja letal influência é mil vezes mais poderosa no Ocidente do que no Oriente. Daí as fáceis presas que as Potestades tenebrosas fazem neste ciclo de luta, e as muitas ilusões em que hoje em dia se agita o mundo, entre elas a relativa facilidade com que os homens imaginam que podem chegar à “Porta” e cruzar o dintel do ocultismo sem grandes sacrifícios. Tal é o sonho de alguns teósofos, inspirado pelo afã de poderio e egoísmo pessoal; mas estes sentimentos não os conduzirão à ambicionada meta, pois como disse um de quem se acredita que se sacrificou pela humanidade: “Estreita é a porta e reduzido o caminho que leva à vida e poucos são os que a encontram”. Tão estreita é, com efeito, que à simples menção de algumas das dificuldades preliminares, os espantados candidatos ocidentais voltas as costas e vão embora trémulos.

Deixemos que fiquem aqui, sem que a sua muita fraqueza lhes consinta maior intenção, porque ai deles se ao voltarem as costas à porta estreita, a sua ânsia de ocultismo os arrastar em direcção às largas e bajuladoras portas do áureo mistério que cintila à luz da ilusão. Conduzi-los-á à magia negra, com a certeza de desembocarem rapidamente no caminho fatal do inferno, em cuja entrada leu Dante estas palavras:

Per me si va nella citt a dolente

Per me si va nell’eterno dolore

Per me si va tra la perduta gente.

 

 

H. P. Blavatsky


 

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