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Pitágoras e os Números
A evolução é a lei da vida
O número é a lei do universo
A unidade é a lei de Deus
Máxima pitagórica
Estas três frases em epígrafe atribuídas aos pitagóricos contêm o fundamental dos ensinamentos do Mestre, que não são mais do que a «helenização» daquilo que Pitágoras bebeu na Índia e recolheu na Samotrácia, em Delfos e no Egipto, onde esteve radicado muitos anos recebendo a mais alta iniciação nos mistérios herméticos. O seu próprio nome, Pitágoras, recorda-nos a profecia que a Pitonisa tinha feito aos seus pais. De facto, a sua vida foi um Mistério vivente e os ritos órficos e os agrários, dos quais provinham os eleusinos, encontraram a sua justificação racional e metodização no grande génio nascido na ilha de Samos.
A sua doutrina plasmou-se na Escola de Crotona, mas esta não era uma escola filosófica tal qual como, posteriormente, foi entendida a filosofia, pois possuía uma disciplina iniciática ao modo de Heliópolis. Dividiu a instrução em graus piramidais, cada vez mais interiores e aceitou somente aqueles que tinham efectuado uma análise profundíssima às normas exotéricas da sua Escola e passado o voto de 5 anos de silêncio e meditação a que eram submetidos. Todos aqueles que se deixavam arrastar pelas aparências e se deixavam conduzir pela fantasia eram declarados ineptos para o «amor à sabedoria» ou filosofia, termo cuja criação é atribuída a ele.
O aspirante, depois de conversar com o Mestre, que supervisionava directamente a sua solicitude e pessoa, devia resolver certos problemas. Por exemplo, apresentavam-se três pontos e perguntavam-lhe o que via… Ai daqueles que respondiam «um triângulo», porque eles tinham agregado fantasiosamente as linhas àquilo que estritamente viam… somente três pontos. Desta mesma forma submetiam-no à resolução de paradoxos matemáticos.
A estes paradoxos somavam-se outros e logo provas de robustez psicológicas, nas quais o aspirante devia manter-se sereno no meio dos elogios e injúrias, superando os egoísmos animais da sua personalidade. Assim, depois de vários anos de observação, passava da categoria de exotérico para a de esotérico e dos jogos enganosos das relações dos objectos externos à segurança que traz a visão da realidade substancial. Agora, o discípulo emergente tinha uma relação viva com as oposições da natureza: recta e curva, ímpar e par, masculino e feminino, luz e sombra, movimento e inércia, desfilavam ante os seus olhos tentando-o para um ou outro foco. Se a sua alma não era suficientemente temperada, acreditava ver já o fundo de toda a manifestação, mas se não caía no erro e perseverava, as contradições fundamentais eram-lhe explicadas. Uma matemática dinâmica elevava-se face a ele e os números, como momentos estáticos de um devir duradouro, desapareciam e aquilo que subsiste depois da ilusão, o que não se fracciona, o que está em cada número e no diferencial que os delimita, o «Um sem segundo» da doutrina secreta oriental, aparecia ante as suas percepções vivenciais. Do mesmo modo, na música, os pitagóricos ensinavam que não há intervalos nem pausas, segundo entendemos hoje, mas sim um só som abstracto e contínuo sem variedade para os ouvidos físicos, mas pletórico de riquezas para aquele que sabe ouvir o som em si e não as repercussões ilusórias e reflexos que a sua existência celeste sofre no seu contacto com o mundo fenomenal. Os números são momentos da Harmonia e nessa Harmonia cabem todas as coisas na devida ordem e concerto, como emanações de um todo.
Não podemos falar daquilo que se ensinava nos graus superiores, mas podemos deduzir e imaginar (que não é fantasiar) a sua importância se constatarmos através da história, a reverência que tinham pelos pitagóricos os maiores homens da sua época e os triunfos que cada um obtinha nas suas especialidades, desde predizer terramotos a curar doentes e a mover a consciência em desdobramentos voluntários a milhares de quilómetros de distância. A Escola Esotérica ANAX, à qual havia pertencido Tales, entre outros, e os mistérios órficos, alimentaram-o espiritualmente de forma directa e o próprio Platão deu a sua fortuna por um dos seus manuscritos. Pitágoras projecta-se até aos nossos tempos como uma flamígera estrela, passando através da Escola Neoplatónica de Alexandria, de Giordano Bruno e de Espinosa, para coincidir com as suas fontes orientais nessa recompilação indescritível que é efectuada pela iniciada H. P. Blavatsky na sua Doutrina Secreta.
«ALMA É UM NÚMERO»
Pitágoras aos 10 primeiros números chamou-os «sagrados» ou esotéricos e representava-os externamente pela fórmula 1+2+3+4, cuja soma teosófica nos dá novamente 1. A este 4 raiz-semente, chamou-a de Tétrada, que não é mais do que o Arba que os gnósticos extraíram dos Caldeus ou magos da Mesopotâmia.
Em Crotona aprendia-se que a Alma é um número, reflexo do Número Absoluto e que, como valor abstracto aritmético, tornava-se geometria e, em ciclos, ocupava sucessivamente muitíssimos corpos humanos antes de chegar a preencher o grande ciclo que, como um anel, abarcava os mais pequenos. Assim, a reencarnação era ensinada, já não como parte de uma lógica mais ou menos religiosa, como no Oriente, mas singelamente, sob o aspecto de uma matemática fria e exacta, onde mesmo os deuses não eram mais do que grandes números que envolviam os mais pequenos, assim como o nosso corpo físico envolve milhões de corpinhos, que são as células, e estas as moléculas, etc., etc.
Arquivo Nova Acrópole
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