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As Profecias de São Malaquias - parte II

 

(ler primeira parte AQUI)


4. As Profecias de S. Malaquias

O significado apresentado é o aceite pela maioria dos investigadores.

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4.1. As profecias, uma breve análise (1)

As profecias são 112 motes, como se percebe pelo supra exposto, que parecem indicar algumas referências sobre o pontificada de cada papa, desde Celestino II até ao dia do Julgamento Final. Segundo o investigador John Hogue, os temas constantes nestes motes podem ser classificados do seguinte modo:

  • Brasão. Representa o brasão de armas paterno que o papa possui;
  • O tema ou os feitos de um pontificado;
  • O novo nome do papa;
  • Acontecimentos importantes da vida do pontífice antes da sua eleição;
  • O título de cardeal ou o cargo do papa antes de ser eleito;
  • Um acontecimento ou influência histórica importante;
  • Um grande inimigo;
  • O nome de baptismo da papa;
  • A cidade ou a região de nascimento;
  • Uma localização geográfica importante na vida de pontífice; ou
  • Combinações dos temas citados.

A nosso ver alguns dos motes correspondem totalmente ao papa que lhe é atribuído, outros nem tanto. Mas tal não quer dizer que sejam falsos ou incorrectos, pode suceder que simplesmente nós não tenhamos a chave para compreender o símbolo, pois estas profecias, como qualquer outra profecia, utilizam uma linguagem simbólica e cabe-nos a nós empreender a busca pela chave que a torne clara e não simplesmente por não ser óbvia ou por não a compreendermos devido à nossa ignorância dizer que simplesmente é falsa.
Mas há que ter em conta dois momentos nesta breve análise das profecias, antes da publicação de Wion e o momento posterior. De facto, os primeiros 75 papas, salvo no nosso entender, por exemplo, o mote 35, «De Sutore Osseo», do sapateiro de Osse, em que os investigadores dizem que o Papa João XXII era filho de um sapateiro de Osse, pode ser verdade, mas parece um pouco forçado. Tal como o mote 54, «De Modicitate Lunae», da pequenez da lua, o significado comumente aceite é de que nasceu em Luna e tinha origens humildes. Parece-nos que quanto mais subjetivo é o mote, mais difícil é a sua interpretação e provar se é falso ou verdadeiro, passa a ser uma questão de quase fé. Mas pode ser que simplesmente não tenhamos a chave para sua interpretação correcta. Pode parecer que até à descoberta das profecias estas estariam mais correctas, tal pode suceder porque estavam num estado de quase protecção, pois ao não serem conhecidas não são objecto de tentativas de manipulação, seja por parte de quem as defende ou por parte quem as contesta. A partir do momento em que se tornam públicas é fácil utilizá-las para proveito próprio.
Agora debruçar-nos-emos, com brevidade, sobre o após publicação das profecias. Se levarmos em linha de conta o que defendem os contestatários da legitimidade destas profecias, não é um acto extraordinário os motes pré-descoberta estarem tão correctos. O que é extraordinário é o depois da sua publicação. Porque se, como defende Menestrier, foram forjadas para o conclave porque é que tantas se concretizaram? Também é possível, e um risco real, interpretar de acordo com as nossas crenças, como é óbvio, mas muitas são demasiado exactas. Podemos constatar a exatidão do mote 83, «Montium Custos», O Guardião dos Montes, a que é atribuído o significado, de o brasão da família do papa apresentar um sêxtuplo monte, denominado por uma estrela guardiã de 8 pontas. Mas há outros em que é mais difícil compreender o significado e atribuir à concretização da profecia. Veja-se a título de exemplo os motes 85, 93, 95 ou 98, cujos significados atribuídos são demasiado subjectivos, não permitindo concluir a favor ou contra a concretização.

As profecias de São Malaquias tiveram tanto peso dentro da própria Igreja, que muitos papas e pretendentes a serem-no, faziam propaganda a dizerem que eram o profetizado. E houve casos de papas que mandaram cunhar medalhas com os símbolos da profecia, nomeadamente o Papa Pio VI mandou cunhar uma medalha com o mote de São Malaquias, "Peregrinus Apostolicus". Por isso, sejam ou não verdade, acredite-se ou não na sua legitimidade, no seu autor, o facto é que, durante séculos influenciaram, directa ou indirectamente, a vida da Igreja Católica.

5. A última profecia – Petrus Romanus

Vamos fazer uma breve reflexão filosófica sobre o último mote. Diz o mote «Pedro Romano - Na perseguição final à sagrada Igreja Romana reinará Pedro Romano, que alimentará o seu rebanho entre muitas turbulências, sendo que então, a cidade das sete colinas (Roma) será destruída e o formidável juiz julgará o seu povo». Este mote, como a maioria dos outros, é pouco claro. Está a profetizar o fim do mundo? O “fim da Igreja Católica, Apostólica, Romana? Será a vinda de Cristo? Quem será o Pedro Romano? As perguntas são demasiadas e as repostas objectivas, nenhuma. Sabemos que nunca haverá um papa Pedro, faz parte das regras da Igreja. Poderá ser o seu nome de Baptismo? O seu brasão terá uma referência a Pedro? Roma? Um barco ou um pescador? Uma rede? Estará relacionado com alguma Igreja de S. Pedro? Um judeu? É impossível fazer futurologia ….

Vamos iniciar a reflexão pelo essencial de qualquer profecia, será que o futuro já está escrito? Se interpretarmos de uma forma restrita as profecias, sim. No nosso humilde entender, não nos parece. O futuro não está escrito, é um potencial. O que o profeta capta é o potencial, baseado no momento presente. O futuro depende do que fazemos no presente. E implica, claro, o livre arbítrio que, por sua vez, implica acção. O universo é dinâmico e não estático.

Toda a Natureza é regida por ciclos. Tudo nasce e vive e morre. As civilizações não morrem de um momento para o outro, transformam-se, veja-se a queda do Império Romano. O momento que marca o seu fim foi a morte Imperador Juliano, mas o Império demorou séculos para morrer. Tudo se submete ao nascimento, morte e regeneração. A morte é necessária para haver essa regeneração.

Se falamos em ciclos temos de falar também nas Eras Astrológicas. É sabido que o Sol, em cada 2160 anos aproximadamente, ocupa uma determinada casa zodiacal. Actualmente, estamos numa época de transição entre a Era de Peixes e a Era de Aquário, não há uma data que seja aceite por todos, ou alguns investigadores, e como este não é objectivo deste breve trabalho, vamos partir da premissa que estamos numa época de transição. Já não estamos na época de Peixes, porém ainda recebemos algumas das suas influências, mas também não estamos completamente na Era de Aquário, no entanto também recebemos as suas influências. Para os hindús, tal como ocorre e os princípios das auroras e dos crepúsculos, a passagem entre eras faz-se progressivamente sendo quase imperceptivel aos olhos de uma geração. A Era de Peixes começou com Cristo. É caracterizada por uma perpétua revolução e uma efervescência de povos e culturas. Peixes (2) é um signo mutável, de energia mística e religiosa, e o cenário ideal para uma religião que, não permite outros cultos. É um cenário muito semelhante ao Islão (nascido sob o mesmo signo). Tentaram superiorizar-se e tornar-se exclusivos.

O fim da Era de Peixes tende para a decomposição do fim dos tempos. Como tal, caracteriza-se por uma perda total dos valores permanentes, e por outro lado uma procura, um desejo de retorno às origens. Demonstrando bem a dualidade deste signo. É possível observarmos, pois estamos a vivê-lo, a dissolução completa do mundo através de um fenómeno universal que diz respeito a todo o planeta. A Aldeia Global permite constatar que, realmente como muitos preconizam, estamos numa nova Idade Média. Mas também é o fim destes tempos, que nos permite encetar um Novo Mundo e um Novo Homem. E daí ser uma Nova Era, a Era de Aquário.

A Era de Aquário glorifica a verdade e a liberdade individual, em detrimento do dogma e do controlo dos líderes colectivos e paternalistas. Quando se fala na Era de Aquário, fala-se muitas vezes na Era da Liberdade, mas deve-se focar também a importância da responsabilidade individual, que acompanha necessariamente essa liberdade. O cenário onde vai desenrolar-se esta Nova Era será na psique humana. As Revoluções e as Guerras serão interiores e poderão resultar em guerras exteriores de ruptura e revolução social, religiosa e económica. Em contraposição com as Revoluções que aconteceram na Era de Peixes: Francesa, Americana, Industrial, etc.

A verdadeira liberdade, parece-nos, que se preconiza e de que tanto se fala, e o nosso real poder e liberdade, é como lidamos interiormente com o que acontece no exterior. É a única realidade que podemos de alguma maneira controlar, trabalhar e modificar, a nossa realidade interior, que consequentemente e a posteriori modificará o exterior, mas aí as mudanças não são tão óbvias e rápidas. Por isso, a mudança axial será na percepção humana. Até agora, onde a tradição e a fé cegas nos guiaram, reinará a inovação. Haverá uma crescente necessidade profunda e colectiva de “conhecer” a Deus directamente e sem intermediários. E acreditamos que, para muitos, em especial os poderes instituídos, será o fim do seu mundo. Será que era a este fim que as profecias preconizavam? Talvez.

O facto é que o mundo mudou. E implica a morte do velho para o nascimento de um novo paradigma.
O tempo é cíclico, não se repete mas é semelhante e, como tal, podemos aprender com o passado. Vamos então mencionar alguns aspectos históricos que podem ajudar a compreender esta fase que estamos a passar.

Em todas as civilizações, povos, culturas e religiões podemos observar algumas etapas comuns. O início, a fundação, caracterizada por muita essência e pouca forma; um apogeu, com forma e essência; o inevitável declínio, muita forma e pouca essência; e a morte, que permitirá uma nova semente e a repetição de todas estas fases. Acreditamos que o mesmo se passará com a Igreja Católica. Mas tal não implica que presenciaremos o seu total desaparecimento. Senão vejamos, o Budismo teve como objectivo reformar o Hinduísmo, que fez com sucesso, no entanto ainda hoje há quem pratique o Hinduísmo, mas este acabará por desaparecer, tal como desapareceu o paganismo. O mesmo acontecerá com a Igreja Católica, não há religiões eternas. Caminhamos para uma era em que já não serão necessárias religiões organizadas, mas não quer dizer, porque existe livre-arbítrio, que muitas pessoas escolham pertencer a Igrejas, isso é liberdade, mas já não é necessário, se é que alguma vez foi.

Joaquim de Fiore, um abade cisterciense e filósofo místico, do século XII, defensor da Idade do Espírito Santo, doutrinava: “ A idade do Espírito Santo (3), que florescerá após um período apocalíptico. O mundo conhecerá a liberdade completa, a Ressurreição, a meditação e, por fim, a transcendência espiritual”. Organiza a evolução histórica da fé numa trindade de épocas. A Idade do Pai, corresponderia ao Antigo Testamento. A Idade do Filho, o Novo Testamento. E, finalmente, a Idade do Espírito Santo, o Amor.

Esta Idade do Espírito Santo, parece-nos ser o mesmo que falavam os Neo-Platónicos, nomeadamente Plotino, ao preconizar o regresso da alma a Deus, libertando-se de tudo o que lhe é alheio. A contemplação seria o que Fiore denomina de meditação. A alma regressa a Deus quando se conhece a si mesma.

S. Paulo e o cristianismo primitivo preconizavam o mesmo, a sua mensagem era de amor (4) e não de regras doutrinárias.

Em Portugal, também temos muitos exemplos disto mesmo, vamos só mencionar dois, não por serem os mais importantes, mas porque se enquadram bem nesta ideia que estamos a expor. Sampaio Bruno falava na libertação dos vínculos institucionais, por desnecessários, uma vez que a luz do Espírito Santo fosse dada a todos e por ninguém pudesse ser recusada. Foi um defensor dos Fiéis do Amor, que preconizavam que o verdadeiro esoterismo é universal e supra-religioso-exotérico e não era propriedade de Roma.  Outro é Fernando Pessoa que chama ao Quinto Império, o Império do Espirito.

A mensagem não é nova, é universal e Eterna. E repete-se ao longo da história, os exemplos são inúmeros. As religiões partilham muitas destas verdades universais, não são sua propriedade e, quando a igreja deixar de existir, estas verdades vão lá estar. Cada pessoa é um templo vivo do Espírito Santo, de Deus, tem é de reconhecer-se a si e aos outros como tal. Por isso, Helena Petrovna Blavatsky, filósofa do Séc. XIX e fundadora da Sociedade Teosófica, dizia que “não há religião superior à verdade”. 

Conclusão

«Todo o Império que não é baseado no Império Espiritual é uma morte de pé, um Cadáver mandando»
Fernando Pessoa

Estamos a viver um período de crise, de crise de valores e de falta de ideais. A Igreja Católica não está a conseguir responder aos anseios das pessoas. E caminha a passos largos para o seu fim. Mas será que as Profecias de São Malaquias se vão concretizar? Para tal acontecer é necessário que o próximo papa seja o último. É pouco provável, no momento actual, que assim seja. Mas, é impossível saber o que o futuro nos guarda, até porque depende do que façamos hoje. Poderá o próximo Papa tomar atitudes que possam levar ao fim da Igreja, não é de todo impossível.

Ou poderá realmente, São Malaquias ter profetizado o fim da Igreja como ele conhecia, e o próximo Papa dar um tal alento à Igreja que ela se transmute e renasça.

Toda a crise é uma oportunidade, olhemos o futuro de frente de olhos e peito aberto e regozijemo-nos com a oportunidade de presenciar e viver este momento. E o mais importante, larguemos o velho e abracemos o novo, sem medo.

“Deus quer, o Homem sonha e Obra nasce”, Fernando Pessoa quer dizer que o futuro será a conjugação da Vontade de Deus e da Vontade e capacidade de Sonhar do Homem. Por isso, SONHEMOS.

Margarida Mourão

 

 

Bibliografia 

Bander, Peter, As profecias de São Malaquias, Circulo de Leitores, Lisboa, Outubro 2005;     

Clairvaux, Bernard Of, Life Of St Malachy Of Armagh, Dodo Press, 27 Mar 2009;

Gomes, Augusto Ferreira, No claro-escuro das profecias, Roma Editora, Lisboa, Outubro 2002;

Hogue, John, O último papa. Declínio e queda da Igreja Católica, Publicações Europa América, Mem Martins, Outubro de 1999;

Roudil, Pierre, O penúltimo papa antes do fim do mundo, Prefácio, Lisboa, Setembro de 2000;

Schwarz, Fernand, A Astrologia e a Nova Era, Edições Nova Acrópole, Lisboa, Abril de 1993.

 

Anexos

Apresentamos infra os quadros que nos permite ver facilmente as diferenças e semelhanças entre as profecias pré e pós Wion.

Quadro 1

tabelas profecias

Quadro 2 – Pré-descoberta de Wion

Quadro 2

 

Quadro 2.1

 

Quadro 2.3

Quadro 3 – Pós-descoberta de Wion

Quadro 3

Quadro 3.1

 

Legenda

 

Notas:

 

(1) Vide Anexo

(2) Na Mitologia fala-se dos peixes que salvaram Vénus e Cupido de um ataque de Tífon e que, como recompensa, Vénus, os fez subir ao céu sob a forma da constelação que possui o seu nome. A influência de Vénus emerge na busca do Amor e Compaixão que caracteriza este signo e a Era.

(3) Podemos constatá-lo no culto do Divino Espírito Santo nos Açores e em Tomar.

(4) “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a , de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.”


 

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