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Reflexões Sobre a Actual Transição Histórica: Estratégias Individuais

 

Encontramo-nos numa fase de transição ou curva histórica que nos afeta direta ou indiretamente tanto a nível individual como coletivo. Em termos gerais, podemos descrever esta transição coletiva e individual que estamos a viver, como a passagem de uma mentalidade de “crescimento” para uma outra de “sobrevivência”. É bom esclarecer, que esta descrição é mais correta para o chamado mundo desenvolvido do Ocidente, do que para o terceiro mundo ou países do Oriente.

O meu objetivo não é especular sobre o advento de uma possível Idade Média, mas de propor quer algumas reflexões sobre os problemas imediatos que nos afetam, quer algumas táticas para a nível individual os enfrentar da melhor maneira possível.

Grandes problemáticas a nível individual e coletivo

- Saturação dos sistemas e desgaste dos recursos naturais
- Fragmentação
- Violência

Estes problemas manifestam-se a todos os níveis na nossa estrutura social; indivíduo, família, grupo social, comunidade, tribo ou clã, sociedade (nação), regiões do mundo,etc.

Alguns exemplos poderão ser úteis para se entender como é que um mesmo mal se manifesta a diferentes níveis:

- A Saturação, a título individual, manifesta-se como stress, uma doença psicossomática de grande impacto. No coletivo, o mesmo mal, manifesta-se através de diversas formas de contaminação do meio ambiente físico e psicológico.

- A Fragmentação, a nível individual, traduz-se em solidão, angústia e diferentes formas de esquizofrenia. No campo social, ressurge a mentalidade tribal, ou seja, a falta de grandes ideais coletivos.

- A Violência é a consequência natural da saturação e fragmentação e sobressai a todos os níveis: suicídios, violência familiar, violência urbana, guerras civis, etc.

Os males que nos afetam fazem recordar um velho mito da criação dos índios norte-americanos:

“Conta-se que no princípio dos tempos, havia dois Deuses irmãos, um benéfico e outro maléfico/humorístico. O segundo decidiu castigar a humanidade com quatro males. O primeiro mal, foi a doença, que afetou o corpo; o segundo mal, o medo, que afetou o coração; o terceiro mal, a confusão e a dúvida, que turvaram a mente e, por último, o quarto mal, um sentido de falta de ligação entre os seres vivos e a Natureza, que afetou o espírito. Para combater estes males, o Deus benéfico ensinou aos homens os ritos de purificação da cabana de Suor…”

Este velho mito, ensina-nos que os males que nos afetam atualmente não são novos e que existem meios práticos para os combater.

Crescimento e sobrevivência

Quase sem nos darmos conta, efetuamos a transição de uma mentalidade de crescimento para outra de sobrevivência. No entanto, os sistemas económicos e políticos continuam a refletir uma mentalidade utópica, de crescimento contínuo.

Instintivamente apercebemo-nos de que nada cresce eternamente. Ao crescimento, deve seguir-se a consolidação dos elementos adquiridos e a sua transmutação em elementos mais subtis.

A anomalia do processo individual e coletivo atual é que tendemos a passar bruscamente de um processo de crescimento para outro de sobrevivência, (quando já não podemos crescer), sem assimilação de experiências vitais úteis. Isto é em grande parte, resultado de formas mentais coletivas (paradigmas) materialistas que não reconhecem o ritmo circular da vida. Ao procurarmos escapar ao ritmo natural da vida, através de uma tendência de crescimento desenfreada, voltamos a repetir várias vezes os mesmos erros, intensificando-os em cada ciclo, pois não houve regeneração de energias vitais.

A título de exemplo, podemos mencionar dois problemas em relação ao que foi dito anteriormente, que são: o crescimento demográfico descontrolado e os atuais sistemas macroeconómicos.

 

"Acreditamos que, à medida que cada ser humano se redescubra a si próprio, aumentarão as oportunidades de regeneração física, psicológica e espiritual, não só a nível individual como também a nível coletivo."



Nos últimos cem anos, a população mundial cresceu de maneira descontrolada, como produto de uma elevada taxa de natalidade, acompanhada de uma taxa de mortalidade infantil decrescente. Como consequência das atuais tendências demográficas, os países ditos desenvolvidos, têm uma população que envelhece, o que conduzirá inevitavelmente a graves crises dos sistemas de segurança social existentes. Pelo contrário, os países do terceiro mundo são cada vez “mais jovens”, com grandes massas de juventude dependente, que exercem uma enorme pressão sobre o sistema económico e educativo. É evidente que o atual ritmo de crescimento demográfico é insustentável e que algo tem de “explodir” devido à saturação dos sistemas.

Por outro lado, as economias necessitam de “crescer”. O problema é para onde…e em que medida esgotamos recursos naturais já de si reduzidos. O consumismo, mais cedo ou mais tarde, acabará por se devorar a si próprio, pois as economias que dependem fundamentalmente da área de serviços são insustentáveis, se ninguém “produzir”.

Soluções

É evidente que a magnitude dos problemas ultrapassa as nossas possibilidades individuais e também as dos sistemas políticos e económicos que conhecemos. Os avanços tecnológicos, que até há bem pouco tempo eram considerados como grandes soluções, são uma arma de dois gumes, pois, por exemplo, os novos sistemas de produção, não geram somente eficácia mas também desemprego em massa.

Os grandes investimentos, necessários para adquirir tecnologias de ponta, não representam na realidade investimento de “capital”, mas bens consumíveis, devido à crescente velocidade de desgaste das tecnologias de base.

Ainda que não existam soluções mágicas, teremos de enfrentar estes problemas, quer queiramos quer não. Apresentamos entretanto algumas reflexões:

Estratégias individuais

- Reconhecer que estas forças ou problemas afetam todos e estar atentos face aos sintomas de deterioração, de que são exemplo as formas de medo irracional que nos “atacam” periodicamente, bem como, um crescente sentimento de solidão.

É importante aprender a identificar as diversas e complexas manifestações dos males acima descritos, que atacam os sistemas de imunidade, quer físicos quer mais subtis. A nível físico e como doenças com estas características, podemos mencionar o "cancro" e a "sida". O "cancro" está amplamente difundido devido à debilidade das estruturas etério-energéticas, que dão forma e coerência ao organismo físico. Por outro lado, a "sida" não mata diretamente, mas desativa os sistemas naturais de defesa do organismo.

- Entender a necessidade de fortalecimento do caráter e da simplificação do nosso ritmo de vida.

O que chamamos caráter, é uma forma de auto-conhecimento traduzido em auto- domínio, através do uso activo da vontade. O excessivo intelectualismo, acompanhado de atitudes passivas, (pessimismo endémico ou utopismo), debilita o carácter. Por outro lado, o nosso complexo modo de vida, caraterizado por "arritmias", é uma das grandes causas de fragmentação e saturação a nível individual.

Por "arritmia" ou falta de ritmo podemos entender a falta de condições que permitem:

  1. A seleção de “alimentos” físicos, psicológicos, intelectuais e espirituais apropriados;
  2.  A assimilação destes alimentos, que na sua maior parte vem do exterior e devem ser adaptados ao nosso próprio sistema;
  3. A eliminação ou purificação de elementos que não podem ser assimilados.

- Fortalecer as relações interpessoais através do cultivo do amor e da amizade.

O verdadeiro amor e a verdadeira amizade são manifestações de afinidades interiores, que estão para além das conveniências pessoais ou sociais. São expressões de “aquilo que une”, simbolizado no mundo clássico por Vénus e no renascimento pelas Três Graças, (Beleza, Amor e Prazer), que aparecem representadas formando um círculo com mãos entrelaçadas.   

Recordemos também que a mais humana das atividades, a procura de resposta para as grandes perguntas da existência, isto é, a Filosofia, é precisamente o Amor e a Amizade. Em grego philiaé amizade, aquela forma de amor entre a atracção física (eros) e o espiritual propriamente dito (ágape).

Necessidade de regeneração individual e social

Para regenerar núcleos sociais harmónicos (família, comunidades, etc.) é preciso recriar uma harmonia de base, a nível individual. A proliferação de conflitos entre os seres humanos e entre diversos grupos da sociedade é apenas um reflexo do crescente grau de confusão individual.

Por isso pensamos, que estratégias como as aqui referidas representam um primeiro passo na direção correta.

Acreditamos que, à medida que cada ser humano se redescubra a si próprio, aumentarão as oportunidades de regeneração física, psicológica e espiritual, não só a nível individual como também a nível coletivo.

 

Harry Costin
Prof. da Universidade de Boston

 

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