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Os 3 Tesouros da Saúde

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Sempre pensámos num elixir, numa panaceia que resolva, que trate os nossos problemas, que nos dê saúde, mas os três tesouros de que pretendo falar não são externos a nós, mas antes encontram-se no nosso interior. Não posso deixar de recordar uma história que se conta na Índia sobre os poderes humanos, em que nos diz que no início dos tempos Brahma tinha dado aos homens todos os poderes, mas estes utilizaram-nos mal e Brahma teve de lhos retirar e para que o ser humano nunca os encontrasse, perguntou a todos os deuses qual o melhor lugar para os esconder, de modo a que o Homem nunca os encontrasse, então foi sugerido que fossem depositados bem no fundo da terra, outros sugeriram no fundo das águas, outros no céu, mas Brahma sempre considerou que o ser humano alguma vez podia aí chegar, até que se lembrou que havia um lugar onde o Homem nunca os iria procurar e esse lugar era dentro do próprio Homem.


De facto sempre pensamos numa solução fora de nós e o que pretendo aqui falar é sobre a nossa saúde interior que se revela na saúde integral do ser humano.


Esses três tesouros são a harmonia dos sentimentos, das emoções e das atitudes.

Saúde como Harmonia
Já na mitologia grega podemos encontrar a chave da saúde, pois o deus que lhe era dedicado, Esculápio, era filho de Apolo, deus da harmonia, deste modo temos que a saúde tem origem na harmonia.

A doença não é mais do que uma desordem que começa na desarmonia (ódio, maledicência, maldade, inveja, revolta, etc.) que se vai instalando no ser humano. Pelo contrário, se estivermos em harmonia a desordem não conseguirá penetrar esse escudo. A harmonia é pois a melhor arma contra a doença. Se estamos doentes, é porque há qualquer desordem em nós, seja com o que nos alimentamos, certos pensamentos, certos sentimentos, certas atitudes, e isso reflecte-se na nossa saúde.

Maus pensamentos ou sentimentos provocam envenenamentos e para tentarmos remediar engolimos medicamentos, ignorando que, na realidade são os pensamentos e sentimentos que destroem ou reconstroem.

A doença não é uma entidade, uma coisa real, uma antagonista da saúde, a doença é a ausência de saúde, é o resultado da tentativa da Natureza para expulsar ou desalojar a condição anormal e restabelecer o estado normal. O objectivo geral da saúde será então fazer todo o possível para facilitar o corpo a adaptar-se com êxito às perturbações. A medicina encontra meio de "curar" mas a existência continua desordenada... surgindo novas manifestações ou doenças.

É muitíssimo importante que, em vez de nos concentrarmos sempre na doença, comecemos a estudar a saúde e os factores dos quais ela resulta, não só a alimentação e respiração, mas também os pensamentos, emoções e comportamentos.

A medicina do futuro deverá ter em consideração todas as necessidades do ser humano, incluindo as da alma e do espírito, para poder proporcionar-lhe os elementos que lhe faltam. A alma e o espírito quando estão preenchidos agem sobre o corpo.

O importante é o estado psíquico com que se recebem as coisas. Se não se estiver bem interiormente pode-se engolir vitaminas durante todo o dia sem se conseguir reforçar o organismo. Sabe-se hoje que o sistema imunitário é extremamente influenciado pelos estados psíquicos, nomeadamente o stress que faz baixar a imunidade.

Devemos ter como objectivo não apenas compreender qual a doença para, depois, solucionar com algum medicamento, mas também aproximarmo-nos o mais possível da desordem que a causou, no intuito de recuperar a ligação harmónica com a vida que a doença deixou entrever. De acordo com uma certa perspectiva, e que é bem verdadeira, “não somos nós que curamos as doenças, são elas que nos curam a nós”, restaurando a nossa participação na harmonia da vida. "Sem doença não seriamos curados, nem física nem psicologicamente".

Os 3 Mundos e a sua nutrição
Segundo a Organização Mundial de Saúde, saúde é "o bem-estar total, físico, psicológico e espiritual do indivíduo", pois esses são os 3 Mundos ou dimensões humanas que nos falavam os gregos, através do Nous, Psique e Soma, ou os 3 traços dos Trigramas chineses ou mesmo o que podemos encontrar na constituição septenária Hindu.


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Estas 3 dimensões do ser humano, física, psíquica e mental/espiritual, devem viver plenamente em nós, serem bem nutridas e ainda viverem harmonicamente, pois mesmo que sejam bem nutridas mas se não estiverem harmonizadas, isto é, com uns ideais que vão por um lado, um mundo emocional por outro e as acções por outro, não vamos estar em harmonia, mas num conflito e tensão permanentes que nos vão quebrando e produzindo na alma e no corpo várias enfermidades.

Para Abraham Maslow, tendo em conta que o Homem é uma unidade composta por partes diferentes, mas inter-relacionadas com as suas necessidades específicas de realização, que devemos satisfazer para uma plena auto-realização, a saúde, para Maslow, seria a dita auto-realização integral. E a enfermidade, um déficit neste alcance.

Maslow estabelece uma pirâmide de necessidades a satisfazer, que seriam desde a base até à cúspide:


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Para Maslow, as pessoas doentes são produto de uma cultura doente, que não permite a plena realização das suas necessidades, o que produz desequilíbrios no interior da pessoa, gerando neuroses. Como somos mais do que um corpo, necessitamos para termos saúde, mais do que vitaminas, desenvolvimento, conhecimento, beleza... Saúde é o desenvolvimento humano em pleno. A doença, déficit ou desequilíbrio.

O quadro que se segue procura mostrar de uma forma sintetizada os propósitos, a vida e os equilíbrios e desequilíbrios dessas dimensões, o que permite que seja grafite opaco de estrutura frágil ou alquimicamente se transformem num luminoso e resistente diamante.


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Uma excelente forma de obtermos harmonia interior – saúde – é cultivando a nossa formação integral, nomeadamente através de:

· Conhecer-se a si mesmo, para desenvolver todos os aspectos do seu ser e utilizar as suas potencialidades ao máximo.

· Atrever-se a mudar, ter uma atitude positiva e activa perante os factos da vida.

· Desenvolver a vontade, exercitando-a diariamente.

· Objectivos e ideais elevados para lutar na vida e superar-nos.

A disciplina de vida ajuda-nos a harmonizar os diferentes aspectos e necessidades que nos compõem, assim como a renovar-nos em todas as dimensões retirando-nos muito do cansaço que não surge da quantidade de coisas que fazemos, mas do modo como o fazemos:

· Quando se tem um momento livre, em vez de se perder tempo, aproveitar-se para nos tranquilizarmos e recuperarmos o equilíbrio. Quando retomamos as actividades estaremos com novas forças.

· Para que a energia não se esgote em nós é preciso aprender a trabalhar com os dois pólos: emissivo e receptivo, agir e contemplar, acção e reflexão…

· Para que possamos ser generosos temos que cultivar igualmente a arte da economia, senão o que nos restará para distribuir se desperdiçamos tudo? Ser económico é gastar cada coisa no seu tempo, no seu lugar, tanto quanto necessário, e não mais. Desperdiçamos muito tempo e muita energia, como diziam os filósofos estoicos “a vida não é curta nem longa, é como o dinheiro, pouco para quem o delapida e muito para quem sabe administra-lo”.

· O maior segredo para se conseguir manter nas melhores condições é aprender a trabalhar sempre com amor, pois é o amor que reforça, que vivifica, que ressuscita. Se trabalhamos com amor durante horas não sentiremos fadiga, mas se trabalharmos apenas alguns minutos sem amor, em estado de cólera ou de revolta, tudo em nós bloqueia e ficaremos de rastos.

· Se não estivermos atentos e quebrarmos o ciclo, o descontentamento transforma-se em pena e a pena em dor. Esta dor, que inicialmente apenas atinge o plano psíquico, acaba por atingir o plano físico e um dia transforma-se em doença.

Há valores, sentimentos e acções que nos vão debilitando, criando rupturas que se podem estender em todas as dimensões e por onde entram várias formas de contaminação a nível mental, emocional ou físico, e por outro lado os que nos podem robustecer criando verdadeiramente armaduras de protecção a todos os agentes de contaminação.

 


Harmonia

Desordem

Generosidade

Avidez

Princípios morais

Luxúria

Paciência

Desespero

Vigilância

Preguiça

Meditação

Distracção

Sabedoria

Ignorância

Renuncia

Apego

Resolução

Negligência

Verdade

Mentira

Equanimidade

Agitação

Factores de Harmonia e desordem nas 3 dimensões:

O facto de cada uma das nossas dimensões se poder tornar um tesouro de saúde reside na nossa capacidade de reduzir os factores de desordem e aumentar a sua harmonia, constituindo assim a nossa riqueza de saúde que de um plano irradia e alimenta de saúde também os restantes.

De seguida apresentaremos alguns desses factores de uma lista bem mais longa que poderíamos fazer, mas que cada um poderá acrescentar todos os que considere úteis.

* Soma – Físico e energético
Factores de desordem:
- Obsessão pela saúde física (hipocondria);
- Alienação pelo corpo: preguiça e gula;
- Desgaste, rotina e apatia;
- Só fazer o que dá prazer. Usar a energia só para os gostos e gozos egoístas;
- Ser acomodado;
- Consumismo.

Promoção da harmonia:
- Colocar o corpo ao serviço do ser interior;
- Higiene, harmonia e disciplina;
- Harmonizar ritmos de actividade e descanso;
- Não desperdiçar a energia. Acabar-se o que se começa;
- Desenvolver a vontade;
- A actividade consciente recarrega as baterias, a inactividade descarrega-as.

* Psique – Emocional e mental
Polaridade positiva:
Emoções como alegria, entusiasmo, benevolência, concórdia, afecto, carinho, amor, etc. Quando canalizamos estas emoções, a sua força torna-se benéfica para todo o nosso ser, gerando a nível somático vigor, jovialidade, saúde, predisposição para actuar e muita motivação.

Polaridade negativa e suas consequências:
Manifesta-se através de emoções como: tristeza, pessimismo, ansiedade, temor desespero, ira, ódio, etc. Sendo estes estados depressivos a causa da falta de energia, esgotamento, desmotivação, inércia e muitos tipos de doenças. As consequências destes estados emocionais são graves e profundos, já que não só desprotegem os aspectos somáticos, baixando por exemplo o nível de imunidade, mas também geram neles uma série de elementos e energias tóxicas, agravados pelo facto de criarem um círculo vicioso muito difícil de quebrar.

A melhor forma de controlarmos os nossos estados emotivos é aliarmos a vontade ao discernimento e dessa forma colocar claridade e domínio, para que não sejamos arrastados por esses estados que tantas vezes tomam posse de nós sem que saibamos exactamente porquê.

Devemos direccionar a nossa atenção não às emoções, mas ao fundo sobre o qual se desenvolvem, isto é sobre a mente e o que pensamos. É o que pensamos sobre as coisas que cria as reacções sobre as coisas. A mente não pode combater as emoções, mas pode guiá-las, logo o que pensamos sobre as coisas é o que gera as emoções.

Factores de desordem:
- Desejo de atenção permanente;
- Sedução e possessividade;
- Desejo de exclusividade;
- Sentimentos como: Inveja, ciúme, instabilidade, desconfiança, rancor, tristeza, insegurança e depressão;
- Subjectividade;
- Fantasiar a realidade;
- Egocentrismo – superficialidade;
- Sentimentos de: orgulho, intolerância e desconfiança;
- Comparações, que podem levar a complexos de inferioridade ou de superioridade;
- Pessoalismo;
- Manipulação (querer que os outros sejam o nosso eco);
- Ansiedade e medos.

Gostaria de destacar algo que afecta tanta gente nos dias que correm, a ansiedade, e que tantos problemas de saúde cria, procurando dar alguns pontos para reflexão sobre as suas causas e como de algum modo podemos trabalhar para a vencer. 

Causas:
- Expectativas;
- Circunstâncias nas quais cremos que corremos perigo ou ameaça;
- Medo do desconhecido;
- Reacções pré-concebidas (associação de acontecimentos);
- Não é o acontecimento que produz o estado de ansiedade, mas os pensamentos que lhes atribuímos, as nossas opiniões;
- As preocupações;
- Falta de objectivos que fazem “sonhar acordado”;
- Confusão entre felicidade e a busca de prazer e diversão, tirando todo o significado e profundidade ao sofrimento;
- Falta de sentido de durabilidade, insatisfação constante, sempre mais e mais;
- O desejo como substituto da vontade;
- A cultura do dever: mostrar-se preocupado e ansioso porque senão o acharão irresponsável;
- A ideia de que todos têm que aceitar e aprovar a nossa conduta;
- Perfeccionismo: Querer ser perfeito em todos os aspectos da vida;
- Catalogar as pessoas em boas ou más;
- Pensar que é uma catástrofe quando as coisas não resultam como queríamos;
- Crer que sempre necessitamos de alguém ou algo mais forte do que nós mesmos para nos apoiar;
- Crer que devemos mudar ou influenciar a vida dos outros;
- Crer que só existe uma solução para cada problema.

Para vencer a ansiedade, para além de corrigir as atitudes mencionadas há que:
- Confrontar-se com os problemas no momento em que se apresentam;
- Ser activo é a melhor forma de vencer a ansiedade;
- Não adiar as coisas;
- Atenção sobre a forma como pensamos e as ideias que alimentamos.

A chave para vencer a ansiedade é fortalecer a vontade aprendendo a respeitar o nosso ritmo natural.

Promoção da harmonia:
- Ser-se realista e objectivo;
- Ser-se generoso e benevolente com os outros;
- Não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem;
- Procurar o difícil para fortalecer-se;
- Estudar-se a si próprio e corrigir-se;
- Enfrentar os medos;
- Aprofundar.

* Nous – Mental/Espiritual
Factores de desordem:
- Uso de linguagem confusa e vazia que obscurece e promove o vazio de ideias, quando não a manipulação;
- Desinformação;
- Promover o mau, o feio e a brutalidade, tudo envolto numa angústia existencial que carece de vontade de procurar a verdade;
- Misturar a busca da verdade com os interesses pessoais oriundos das necessidades biológicas e dos vícios psicológicos;
- Fanatismo dos que crêem que a sua religião é a única que une a Deus;
- O desprezo e o esquecimento de tudo o que é metafísico;
- Pôr ao serviço da matéria e dos desejos o Eu superior;
- Procurar soluções de casualidade, em vez de buscar a causa primeira.

Promoção da harmonia:
- Manter a mente clara. Trabalhar com ideias simples e puras;
- Exaltar o justo, o bom e o belo;
- Evitar deixar cair a mente em ideias circulares doentias;
- Não promover a fragmentação, seja ela baseada em pressupostos religiosos ou políticos;
- Elevar o pensamento e pôr alegria e optimismo em todas as concepções filosóficas;
- Criar boas formas mentais;
- Desenvolver o ecletismo;
- Contemplar a natureza e aprender a sabedoria e a inteligência nela contida;
- Aprofundar dentro de si mesmo e das circunstâncias da vida para descobrir as fontes ocultas e profundas do ser que movem a vida;
- Leitura e meditação sobre livros que elevem a dimensão humana.

____________

"Quem quiser ter saúde no corpo, procure tê-la na alma.“
Francisco Quevedo

“As forças naturais que se encontram dentro de nós
são as que realmente curam as nossas doenças.”
Hipócrates
_____________

 

José Ramos

Director Nova Acrópole Coimbra

 

Bibliografia:
- “Escudos Invisíveis de Protecção” de Jorge Angel Livraga inO Sentido Oculto da Vida”, Edições Nova Acrópole
- “O Sentido da Alma” de Thomas Moore, Planeta Editora
- “Harmonia e Saúde” de Omraam Mikhaël Aïvanhov, Edições Prosveta


 

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