Recordamos o passado dia 31 de Março de 2022, dia em que se realizou a segunda conferência do Ciclo dos 30 anos do Fundador da Nova Acrópole, Jorge Angel Livraga.
O tema exposto “Ankor e as provas do Discípulo” apresentado pelo Professor da Nova Acrópole Oeiras-Cascais, Rafael Pereira baseou-se na obra Ankor- O Príncipe da Atlântida. Este romance escrito pelo filósofo argentino Jorge Livraga, fundador da Nova Acrópole, em 1951 tratou-se de um dos seus primeiros livros, da sua ampla obra deixada a todos nós.
O orador começou a sua apresentação fazendo um enquadramento histórico-filosófico do tema abordado no livro. A personagem central do romance, um jovem filósofo chamado Ankor seria um dos últimos seres humanos a viver na época da Civilização Atlante. Segundo uma das possíveis chaves de interpretação, a personagem representaria a própria civilização Atlante, no seu momento de natural declínio. Esta personagem e toda a envolvência vivida no livro retrataria o momento de transição e ligação que unia o passado de uma civilização em queda de princípios e valores e a preparação para um futuro renovado, pronto a emergir.
Nesse sentido, com recurso aos escritos de Platão, nomeadamente ao Crítias e ao Timeu o orador reiterou a dúvida que persiste até aos dias de hoje e que para Platão estava claro, será mito ou realidade a existência da Atlântida? Porém, segundo Rafael Pereira esta questão não impede que o romance possa ser interpretado e utilizado como enorme fonte de inspiração para o Homem do séc. XXI. A sua mensagem simbólica está viva e bem atual.
Ainda no início da conferência a voluntária Mafalda Santos brindou-nos com a leitura do prólogo do romance, onde o autor leva-nos a refletir sobre o facto de todos os povos do mundo antigo, inclusive o americano nos falarem de dilúvios e continentes submersos, que ficam localizados em termos temporais, segundo Platão, há pelo menos cerca de 11 500 anos.
De seguida o conferencista partilhou um excerto do Crítias e um excerto da epopeia sumérica de Gilgamesh que exemplificam as constantes referências escritas que deixam em aberto a questão dos dilúvios como realidade ou linguagem simbólica.
Focando um outro aspeto transmitido pela leitura do prólogo, o orador convidou os presentes a prestar atenção à frase: “todos levamos Ankor no coração”, por outras palavras, todos podemos partilhar das mesmas vivências que Ankor, mesmo que num plano psicológico. Quer isto dizer que Ankor personifica o discípulo, aquele que se abre ao mistério da Vida, sabe para onde precisa ir e que tropeça e levanta-se continuamente. Deixou-nos com a imagem simbólica do Discípulo como uma vela, ou seja, aquele que tem a capacidade e a possibilidade de se tornar Luz para os outros. “Um dia, também eu fui discípulo, e este refúgio recorda-me as épocas de uma luta simples e pura. Procura entender, amado filho: sou Mestre para ti, mas discípulo perante o meu Instrutor”.
“O que foi, é e será sempre”, assim começava Jorge Angel Livraga e foi assim, com esta máxima que o Professor Rafael seguiu a sua explanação. Ankor ao longo do livro descobre o seu Mestre, Sarhimar, estabelece um forte e verdadeiro vínculo com este, desafia-se através de várias provas, até que no fim desvela o grande mistério sobre o que é a Pérola Mística.
Antes de encerrar, foi dada a palavra à voluntária da Nova Acrópole Graça Ballardin, que leu um excerto do capítulo: “O achado”, situado no fim do romance: “A sabedoria não tem donos, mas os seus escravos são os senhores do Universo”.