Prosseguindo a parceria com o Município de Braga, o projeto Filosofia nos Museus da Nova Acrópole Braga contou com mais uma iniciativa filosófica e cultural, desta vez no Palácio dos Biscaínhos. O requinte do edifício esteve a condizer com o tema escolhido, “Arte e Psicologia – imagens para o autoconhecimento”. O Prof. José Carlos Fernández, diretor da Nova Acrópole em Portugal, trouxe-nos oito grandes obras para refletirmos sobre a capacidade da arte para nos transmitir profundos conhecimentos, realidades internas do ser humano, que nos permite conhecer melhor a nós próprios, às dimensões misteriosas da alma humana e ao propósito da vida e da consciência.

“A Última Ceia” de Leonardo da Vinci, com os 12 Apóstolos em torno de Cristo representados com características de cada um dos signos do zodíaco, com as respetivas características psicológicas, tornam esta obra um verdadeiro tratado astrológico. “O nascimento de Vénus” de Botticelli contém misteriosos ensinamentos das antigas tradições, que nos falam do Vénus como a representação da Alma humana, e de como houve um importante momento na evolução da humanidade em que surgiu a consciência humana, ao mesmo tempo em que a espuma do mar se tornou branca. “As Fiandeiras” de Velázquez manifestam uma dupla realidade interna do ser humano, representadas por Atena e por Aracne. Atena é a mente pura, filosófica, que se rege por valores e princípios, capaz de tecer um destino harmónico no qual possamos percorrer o caminho da sabedoria. Aracne, figura mitológica grega, extraordinária na arte de bordar, no entanto, apenas consegue tecer com base nos interesses pessoais e egoístas, de acordo com as vantagens e desvantagens de cada ocasião, sem levar em conta os princípios da sabedoria.

“O Despojo de Cristo” de El Greco representa o Cristo interior no ser humano, o seu espírito encarnado, em torno do qual circundam as forças brutais e animais, os instintos grosseiros e os baixos desejos, sempre prontos a “despojar” o Cristo das suas vestes de pureza e de bondade. “A Casa dos Mistérios” de Pompeia coloca perante nós os Dois Caminhos, uma escolha igual à que teve de tomar Hércules. Ou seguimos por um caminho de procura do bem, do justo, do equilíbrio, da consciência, e através da sabedoria vamos construindo o trilho até à unificação com Dionísio, obtendo ainda em vida a consciência da imortalidade. Ou então, através de um caminho de busca constante do prazer imediato, de um abandono aos impulsos, encontrar-nos-emos com a dor de uma consciência adormecida, reencontrando também Dionísio no final, não através da sabedoria, mas através do sofrimento e apenas depois da morte. “O Sonho de Jacob”, de William Blake, mostra esse mesmo caminho ascendente da alma humana, representada por crianças que fazem o caminho em espiral pelas mãos dos anjos. “O Peitoral de Ahmose”, de um faraó egípcio, representa o final desse caminho, a iniciação ou a bendição da Vida Universal, derramada sobre o faraó, em forma de Ankhs (a vida) e de báculos de Anúbis (o poder), pelos Deuses Amón e Ra. Por último, “O Mensageiro” de Akiane, fala-nos de como o Espírito, representado na Águia, vem sempre para auxiliar o ser humano a sair da Caverna da existência, mas cuja saída se faz em cima de um lago gelado, frágil, do qual temos um tempo limitado para sair. Não deixemos a vida passar e o tempo esgotar sem aplicar as nossas energias ao crescimento interior e à libertação da consciência através da sabedoria e do conhecimento de si mesmo. Agradecemos ao Município de Braga e ao Museu dos Biscaínhos por apoiar a Filosofia nos Museus.