Explicou também que nesta Atlântida, há já um milhão de anos, os Deuses que velam pela Humanidade fizeram com ela um Pacto que aparece em todas as religiões. Por exemplo, na dos cristãos e dos judeus é o Pacto de Jehová com Abraão. Eles ajudariam esta Humanidade a desenvolver o fogo mental que lhe permitisse reconquistar a sua condição divina (recordemos o Mito de Prometeu ou o do Génesis da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, árvore cujos frutos nos permitiriam ser como Deuses).

E assim foram enxertados no tronco humano o Discipulado e a Iniciação, os Mistérios Maiores que nos vinculam com o Cosmos e os seus poderes, e os Mistérios Menores, a sua sombra, que permitem ao Ser Humano conhecer-se realmente a si mesmo, como um espelho e fazedor da Natureza que o rodeia.

O abuso egoísta do Conhecimento das Leis da Natureza tinha feito desaparecer a Atlântida num caos moral no qual o homem se bestializou até extremos hoje difíceis de imaginar perdendo, quase, a sua condição humana e arruinando, portanto, a sua marcha evolutiva. E aqui estava a chave do porquê das Provas Iniciáticas e também na sua medida, das discipulares.

Quando se estabeleceram os divinos Santuários de Iniciação era evidente que dali surgiriam verdadeiros gigantes em obras  gigantes em bondade, sabedoria e pureza ou gigantes de egoísmo. Tentou-se evitar que nestes Santuários, e nos ensinamentos que neles eram ministrados, entrasse ou crescesse o menor átomo de egoísmo, sementes cancerígenas que arruinariam a Obra Alquímica, criando em vez de uma Alma de Ouro, como diz Platão, monstros com aparência humana.

 “A manifestação mais clara e evidente do egoísmo, raiz de todos os males, é o Medo e depois, a soberba no triunfo e a abjecção no fracasso” 

Sim, Hipátia, disse o Sacerdote, o crocodilo que vive no interior da alma é a raiz do Medo e ele mesmo sente terror, não quer desaparecer, nem deixar de ser. O que se faz nestas Provas é retesar a alma do candidato, submetê-la à pressão para que se manifestem tanto a face luminosa como a sombria. E depois, são pesadas na Balança de Maat, ou seja, da Justiça. Hipátia recordou as suas Provas e sentiu, na sua alma, até que ponto eram certos estes ensinamentos.

Se a jóia de pureza vence, significa que o discípulo vai viver a Ciência com a Alma, ou seja, vai penetrar na Alma do Conhecimento. Se a parte escura vencesse e lhe mostrássemos as Leis Ocultas do Mundo Invisível, ou mesmo as mais evidentes da Natureza, não vai poder beber a sua essência, recolher a sua luz, o monstro do egoísmo impede-o; vai sujar-se, e finalmente vai interpretar toda a Natureza (já que não pode penetrar na sua alma luminosa) como uma maquinaria ao seu serviço, em consequência, acreditará que os seres humanos, que formam parte desta Natureza, são objectos, uma massa sobre a qual ele próprio pode elevar-se, somente ele.

Mas, claro, tratar os homens como autómatas mecânicos e psicológicos é encarcerar ainda mais a chama interior de Liberdade que vive em nós, roubar a dignidade humana, convertê-la numa massa animal. E esta é a origem e a causa de ser das Provas que tiveste que superar, não são somente exercícios «atléticos» ou de auto-domínio mental, mas um modo de saber quem é que verdadeiramente governa na alma numa situação limite, se o eu egoísta ou o ser luminoso. Um modo de escolher os verdadeiros apaixonados pela Sabedoria e, portanto, aos que se podem entregar de corpo e alma a ela, servindo-a.

Excerto de “Viagem Iniciática de Hipátia”, de José Carlos Fernández