Há algo na essência do ser humano que procura incansavelmente a evolução, mas nem sempre o progresso externo é acompanhado de uma maturação interna. Os mais recentes avanços na Inteligência Artificial levam muitos a perguntar se não estaremos a “voar demasiado perto do Sol”, a criar algo que escapará da nossa capacidade limitada de controlo. Foi esta inquietude, esta necessidade profunda de compreensão, que levou muitos a reunirem-se no Café Filosófico do passado dia 15 de Março na Nova Acrópole de Braga. O evento abriu com uma contextualização ao tópico da Inteligência Artificial pelo Paulo Marques, especialista na área, que visou transmitir à audiência as intuições necessárias para trabalhar estes tópicos e desvelar um pouco do seu mistério. Seguiu-se uma exploração mais profunda das implicações filosóficas dos últimos desenvolvimentos, através de um debate que contou também com Henrique Cachetas, fundador e professor da Nova Acrópole de Braga. Não havia certamente um único espírito que não tivesse sido tocado pelas explorações sobre inteligência, sobre as implicações éticas desta tecnologia, e sobre a identidade humana, terminando com conselhos e considerações práticas que todos nós, como inevitáveis utilizadores de Inteligência Artificial, devemos ter em mente para usarmos esta ferramenta na construção de um mundo melhor. Estando as sementes plantadas, cada mesa da audiência debateu um dilema moral relacionado com a utilização de máquinas inteligentes, seguido de um momento de partilha das conclusões alcançadas. A noite terminou com uma breve sessão de perguntas e respostas com os convidados. Foi, sem sombra de dúvida, uma sessão cheia de energia e profundidade que iluminou todos os envolvidos. Ficamos com a questão: será que a Inteligência Artificial trará o caos à humanidade, ou permitirá aproximar-mo-nos da verdadeira identidade Humana? Apenas o tempo nos dirá, mas certamente a chave para que esta revolução represente o verdadeiro progresso será uma busca incansável de nos conhecermos a nós próprios para sermos parte ativa da discussão em plena consciência.