Campos Morficos – A Memória da Natureza

Autor

Nova Acrópole

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O Autor da teoria dos Campos Mórficos é Rupert Sheldrake, conceituado professor e cientista. Lecionou Ciências Naturais no Clare College em Cambridge e foi bolseiro na Universidade de Harvard, onde estudou filosofia e história da ciência; é doutorado em Bioquímica pela Universidade de Cambridge; foi professor catedrático do Clare College e diretor de estudos em Bioquímica e Biologia Celular; como investigador, com a bolsa Rosenheim da Royal Society, levou a cabo uma pesquisa em Cambridge sobre o desenvolvimento das plantas e o envelhecimento das células.

A sua primeira obra, “A Nova Ciência da Vida: a Hipótese da Causalidade Formativa”, em 1981, desencadeou uma acesa polémica entre os meios conservadores e progressistas da ciência:

“O melhor candidato para a fogueira desde sempre” Revista Nature (Inglaterra)

“É totalmente claro que estamos diante de uma importante investigação científica sobre a natureza da realidade biológica e da realidade física”
“… uma hipótese imensamente desafiadora e estimulante, sobriamente apresentada, que propõe um enfoque não ortodoxo da evolução”
Arthur Koestler, in New Scientist

A teoria dos Campos Mórficos, na realidade foi proposta pela primeira vez pelo psicólogo de Harvard, William McDougall, na década de 1920, como resultado de experiências levadas a cabo na Universidade de Harvard, para determinar em que medida a “inteligência” dos ratos era hereditária. A”inteligência” era medida pela habilidade dos roedores em percorrer um pequeno labirinto. Os ratos “inteligentes”, aqueles que resolviam rapidamente o labirinto, eram acasalados com os “inteligentes” e os “menos inteligentes” com os “menos inteligentes”.
Vinte e duas gerações mais tarde, em vez de serem os ratos “inteligentes” os mais rápidos, todos os ratos denotaram possuir uma maior “inteligência” quando tinham que resolver o percurso do labirinto. Os ratos “menos inteligentes” percorriam o labirinto dez vezes mais rápido que qualquer “rato inteligente” da primeira geração.

Estas experiências criaram um forte ceticismo nalguns meios científicos. Um dos cientistas que procurou refutar as experiências de McDougall, foi Crew, que ao realizar a mesma experiência na Escócia, no outro extremo do planeta, verificou que os ratos já possuíam a informação de como resolver o labirinto. O conhecimento dos ratos utilizados por Crew, arrancava do mesmo ponto de onde se haviam concluído as experiências desenvolvidas por McDougall.

Destas experiências surgiu o conceito de Campo Morfogenético, postulado por embriologistas e biólogos para explicar o desenvolvimento de plantas e animais. Este conceito é hoje adotado por biólogos investigadores, sendo utilizado para explicar como, por exemplo, os nossos braços e pernas, embora constituídos pelos mesmos genes e proteínas, apresentam formas diferentes. Esta ideia, no entanto, apresenta uma limitação em relação aos Campos Mórficos de Sheldrake, pois pensava-se que ao morrer, o organismo, esse Campo Morfogenético se dissolvia; os Campos Mórficos, que de alguma forma incluem os Campos Morfogenéticos, mantêm-se na natureza evoluindo e modificando-se com a mesma.

O QUE SÃO OS CAMPOS MÓRFICOS

Morfo vem da palavra grega “morphe” e que significa forma. Os Campos Mórficos são campos de forma.
Campos Mórficos ou Campos M, são estruturas organizadoras invisíveis que moldam ou dão forma a todos os seres, tais como animais, plantas e cristais e também têm um efeito organizativo sobre o comportamento.
A fim de se compreender um pouco melhor o que são estes Campos, poder-se-á fazer uma analogia com os campos magnéticos, que têm forma, embora sejam invisíveis. Lembremos a experiência sobejamente conhecida e que provavelmente todos nós realizamos nos tempos da escola, em que um íman colocado debaixo de uma folha de papel organiza as limalhas de ferro colocadas sobre esta. Através dos padrões criados por estas limalhas podemos observar a forma do campo magnético do íman.

Os Campos Mórficos, através da sua própria estrutura moldam células, tecidos e organismos. Nas palavras de Sheldrake, “como os campos conhecidos pela Física, eles ligam coisas semelhantes através do espaço, embora, aparentemente, não haja nada entre essas coisas; mas, além disso, eles ligam coisas através do tempo”.
A ideia é que os Campos Mórfogenéticos que dão forma a uma planta ou animal em crescimento, surgiram das formas dos organismos anteriores da mesma espécie. É como se um embrião se “sintonizasse” com as formas dos membros anteriores da espécie. O processo através do qual isso acontece, é denominado “ressonância mórfica”.

Os Campos Mórficos relacionam-se com a formação das estruturas mas também com a experiência ou aprendizagem das espécies. É uma memória, em que as capacidades individuais de aprendizagem actuam em relação com uma memória coletiva herdada pela “ressonância mórfica” dos membros anteriores da espécie.

Num esquema apresentado por Sheldrake no seu livro “Sete experiências que podem mudar o mundo”, ele explica que existe uma inter-penetração de níveis sucessivos de organização de sistemas auto-organizativos, dependendo cada um deles de um Campo Mórfico característico.
Por exemplo (esquema A), no caso dos animais sociais, o círculo exterior representa o campo mórfico do grupo social; os círculos interiores, os indivíduos que o formam e os círculos mais internos os órgãos destes animais.

O esquema B representa a forma como se expande o Campo Mórfico de um grupo social quando um ou mais membros se separa do grupo. Estes princípios seriam aplicáveis às ligações existentes entre um animal de companhia e o seu dono ausente, cuja chegada pode ser pressentida muito tempo antes, ou entre os pombos-correios e o pombal ao qual pertencem e cujas justificações tradicionais para o facto, como a orientação pelo sol, pelos ventos, etc., Sheldrake procurou descartar através da experiência de pombais itinerantes, que estavam em deslocação constante, mas aos quais os pombos sempre regressavam.

Entre os muitos mistérios da natureza, encontramos a inexplicada capacidade dos cupins e de outros insectos sociais, como as formigas e abelhas, construirem estruturas complexas como os cupinzeiros, formigueiros e colmeias. Como é que estas formas de vida, consideradas primitivas, que só conseguem visualizar uma fracção da obra, podem conceber a totalidade da complexa e gigantesca obra final? Além de que a construção, na maior parte dos casos, é concluida pelo trabalho de várias gerações e em que os operários agem em conjunto e de forma organizada. Como se conseguem organizar e comunicar em períodos de tempo tão longos? Os Campos Mórficos seriam então esses modelos estruturais que estariam presentes na espécie. São os Campos Mórficos que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero amontoado de partes. Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, as células estaminais, dotadas do mesmo património genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam no lugar certo e no momento adequado.

Sheldrake explica que o DNA codifica a sequência dos aminoácidos que formam a proteína, mas são os Campos Mórficos que dão a forma e a organização das células, nos tecidos, nos órgãos e organismos como um todo; Campos estes que não são herdados quimicamente mas são determinados diretamente pela “ressonância mórfica” de organismos anteriores da mesma espécie.

Numa conferência realizada nos EUA em 1984, relatada por Ralph H. Hannon no American Theosophist, de Dezembro desse ano, Sheldrake ilustra esta ideia estabelecendo uma analogia com uma televisão. Imagine-se um homem que não conhecesse nada de electricidade e a quem fosse mostrado pela primeira vez um aparelho de televisão. Ele poderia pensar que o aparelho continha pequenas pessoas cujas imagens apareciam no ecrã. Mas, depois de inspecionar o aparelho e só ver fios e transístores, ele provavelmente diria que as imagens são resultado de alguma forma complexa de interações entre os componentes do aparelho.

Esta teoria pareceria bastante válida, pois as imagens tornar-se-iam distorcidas, ou desapareceriam, quando os componentes eram removidos. Se então lhe fosse sugerido que, na realidade, as imagens dependem de influências invisíveis vindas de muito longe e que entram no aparelho, ele provavelmente rejeitaria a ideia. Provavelmente apoiaria a sua teoria com o facto de que o aparelho tem o mesmo peso quando está ligado ou desligado.

Este exemplo pode ser semelhante à visão tradicional da Biologia, em que os fios, transístores, etc., correspondem ao DNA, proteínas, moléculas, etc. Sheldrake concorda com a ideia de que as mudanças genéticas podem afetar a herança da forma ou do instinto pelas alterações que causa na “sintonia” ou pela distorção que pode provocar na “receção”. Mas os fatores genéticos não podem ser totalmente responsáveis pela herança da forma ou instinto, assim como as imagens que aparecem no ecrã de televisão não podem ser explicadas apenas pelas interligações de fios e transístores do aparelho.

Os Campos Mórficos não têm natureza fixa, evoluem, possuem uma espécie de memória interna, que depende dos processos de “ressonância mórfica”, ou seja, a influência do igual sobre o igual ao longo do tempo e do espaço.

OS CAMPOS MÓRFICOS E A FILOSOFIA ESOTÉRICA

Nas palavras do próprio Sheldrake, num artigo editado na revista “The American Theosophist”, em 1982, podemos encontrar interessantes revelações:
“Alguns aspectos da “Hipótese da Causalidade Formativa” lembram elementos de vários sistemas tradicionais e ocultos: por exemplo, o conceito de corpo etérico, a existência de almas grupais de espécies animais, e a doutrina da gravação nos chamados arquivos do “Akasha”. Entretanto, isto é colocado como sendo estritamente uma hipótese de trabalho e, como tal, deverá ser justificada por testes empíricos. Mas se a evidência experimental vier a comprovar esta hipótese, então ela dará bases para uma nova ciência da vida, que irá muito para além da biologia limitada e mecânica de hoje em dia.”

W. Q. Judge, esoterista do século XIX, escreve no seu livro “Ecos do Oriente”:
“Provavelmente, em todo o campo do estudo teosófico não há nada mais interessante do que a luz astral. Entre os hindus ela é conhecida como “Akasha”, o que também pode ser traduzido por Éter. Eles dizem que todos os fenómenos maravilhosos dos yoguis orientais são realizados pelo conhecimento das suas propriedades. Dizem também que a clarividência, a mediunidade, a vidência tal como é conhecida no mundo ocidental, só são possíveis por seu intermédio. Ela é o registo das nossas ações e pensamentos, o grande depósito de imagens da terra…” e mais à frente diz que, “é o grande agente final, ou dinamizador básico, cósmicamente falando, que não só faz crescer uma planta como também mantém os movimentos de sístole e diástole do coração humano.”

Corpo Forma

Não existe suficiente informação codificada no DNA para construir o plano genético básico do corpo. “O modo como é tecida uma estrutura tão elaborada e altamente organizada transformando-se em uma unidade, constitui um longo e persistente enigma”.
Tom Alexander, editor de ciência da revista Fortune

Dois cientistas de Yale, Harold Saxton Burr e S. C. Northrop, descobriram que todos os corpos possuem aquilo que denominaram “arquiteto elétrico”. Após quatro anos de estudos sobre a investigação do desenvolvimento de salamandras e ratos, apresentaram os resultados na Academia de ciências dos Estados Unidos. Num texto publicado no New York Times (25 de Abril de 1939) podemos encontrar um interessante resumo dessas conclusões:
“Existe no corpo das coisas vivas um “arquiteto elétrico”, que molda e dá forma aos indivíduos conforme um modelo específico e predeterminado, e que permanece dentro desse corpo, desde o estágio pré-embrionário até à morte… O indivíduo só morre depois de o “arquiteto elétrico” dentro dele deixar de funcionar.”
“…Cada espécie animal, e muito provavelmente também os indivíduos dentro de cada espécie, têm o seu “campo elétrico” definido do mesmo modo que as linhas de força de um íman.
Esse “campo elétrico”, então, possuindo a sua própria forma, modela segundo a sua imagem todo o barro protoplasmático da vida que cai dentro da sua esfera de influência, materializando-se assim no corpo do ser vivo, como um escultor materializa a sua ideia na pedra.”

É bastante interessante a denominação de “arquiteto elétrico” dado a esta força-forma, fazendo recordar algumas definições do corpo astral como sendo “elétrico e magnético”.

O corpo astral, da filosofia esotérica, é como uma espécie de molde do físico, não se encontra separado dele, mas interpenetra-o e sustenta-o. Sem este corpo-molde o corpo físico não pode conservar a sua coesão:

“Toda a solução da controvérsia entre a ciência profana e a ciência esotérica gira em torno da crença e da prova da existência de um corpo astral dentro do corpo físico, sendo o primeiro independente do segundo”.
“A alma interna da célula física – o “plasma espiritual” que domina o plasma germinal – é a chave que deve abrir um dia as portas daquela terra incógnita do biólogo, até agora considerada o mistério obscuro da Embriologia”
“O nascimento do corpo astral antes do corpo físico, sendo o primeiro um modelo do segundo”
HPB, D.S. Vol. III

“O corpo astral é feito de uma matéria muito subtil na sua textura, quando comparado com o corpo visível, e tem uma grande elasticidade, de modo que muda pouco durante o período de uma vida, enquanto o físico altera-se a cada momento…O astral é flexível, maleável, dilatável e forte. A matéria de que é composto é essencialmente elétrica e magnética…”
W. Q. Judge, “O Oceano da Teosofia”

MEMBRO FANTASMA

Sheldrake relaciona a conhecida sensação do “membro fantasma”, pela qual passam aqueles que sofrem amputações, com a presença desse campo de forças ou Campo Mórfico.
“Todos os que sofreram uma amputação, e todos que trabalham com essas pessoas, sabem que o membro-fantasma é essencial para que se possa usar um membro artificial”. Citando um paciente, ele descreve como tem que “acordar” o “seu fantasma” pela manhã: “inicialmente ele flexiona o toco da perna para perto de si mesmo, e depois bate nele rapidamente e com força – “como no traseiro de um bebé” – várias vezes. Na quinta ou sexta palmada o fantasma subitamente desperta, reanimado, iluminado pelos estímulos periféricos. Só então ele pode colocar a sua prótese e caminhar”.
Dr. Oliver Sacks, neurologista (autor do livro “O Homem Que Confundiu a Sua Esposa Com Um Chapéu”)

“O membro astral não foi amputado e, consequentemente, o homem sente como se ele ainda estivesse presente, pois facas e ácidos não ferem o modelo astral…”
W. Q. Judge, “O Oceano da Teosofia”

MENTES CONTRAÍDAS E MENTES EXPANSIVAS

“Praticamente em todos os conhecimentos tradicionais do mundo vamos encontrar uma conceção da alma que não está confinada a habitar a cabeça, mas sim que anima e interliga-se com todo o corpo e com o que o rodeia. “Está vinculada com os antepassados; relacionada com a vida dos animais, das plantas, da Terra e dos Céus; pode sair do corpo em sonhos, em transe e na morte; e pode comunicar-se com um vasto reino de espíritos – dos antepassados, dos animais, dos espíritos da natureza, seres tais como os gnomos e as fadas, seres elementais, demónios, deuses e deusas, anjos e santos.”
(“Sete experiências que mudam a vida”, de Rupert Sheldrake).

Em contraste, a visão moderna, dominante no Ocidente, e iniciada por René Descartes no século XVII, nega a antiga ideia da mente como parte de uma alma mais extensa, que anima todo o corpo, para afirmar o corpo como uma máquina inanimada, como igualmente o são as plantas, os animais e todo o universo. Com esta perspetiva a alma foi-se contraindo: da natureza para o homem e daí contraiu-se a uma dimensão ainda mais pequena, a do cérebro. Esta mente contraída, que confina a alma ao cérebro, vê-a como um produto da mecânica cerebral. Todas as teorias científicas convencionais inserem-se no paradigma da mente contraída, afirma Sheldrake.

É interessante o conceito oposto, por exemplo da filosofia e medicina chinesa que confere uma relação entre os estados anímicos e os órgãos; o fígado à cólera, o coração à alegria, o estômago ao pensamento obsessivo, os pulmões à tristeza e os rins ao medo; tal como expressões que ainda hoje utilizamos, que relacionam a alma com as suas ligações ao corpo: “de todo o coração”, “não tens coração”, “ter maus fígados”, “tens que ter as orelhas vermelhas, pois estávamos a falar de ti”, etc.

É interessante verificarmos, segundo estudos de Jean Piaget sobre o desenvolvimento mental das crianças europeias, que é por volta dos dez ou onze anos que “aprendem o ponto de vista correto”, isto é, que os pensamentos se situam dentro da cabeça. Em contrapartida, antes desta idade, as crianças crêem que em sonhos viajam fora do corpo, que não estão separados do mundo vivente que os rodeia, mas sim que participam dele, que as palavras e pensamentos podem ter efeitos mágicos à distância. Estas crianças mostram um espírito animista, muito semelhante ao das culturas tradicionais de todo o mundo e que predominaram na nossa cultura até à revolução mecanicista e que ainda podemos encontrar nas tradições e ritos populares.

Jung foi, muito provavelmente, um dos maiores psicólogos modernos que melhor soube interpretar e descrever a alma. Ao falar-nos do inconsciente coletivo mostra a psíque não confinada a mentes individuais, mas sim partilhada por todo o mundo. Esta conceção inclui uma espécie de memória coletiva na qual participam inconscientemente os indivíduos.

No seio de várias culturas e povos vamos encontrar esta relação do homem com a alma da natureza. Através do efeito de drogas, práticas chamanicas e técnicas de meditação orientais, o homem sempre procurou levar a sua alma a estados de interligação com a natureza ou outras entidades, animais, espíritos, etc.

Sheldrake realizou várias experiências controladas de um fenómeno, pelo qual certamente todos nós já passamos, o de sentirmos que somos observados pelas costas. Alternando entre momentos em que a pessoa era observada e momentos em que não o era, o indivíduo sujeito à experiência levantava o braço quando estava a ser observado. Os resultados foram surpreendentes. Com esta experiência Sheldrake procurou contribuir para a compreensão dessa mente expansiva que pode ligar-se com o meio circundante.

A Telepatia e os Campos Mórficos

Sobre este fenómeno, Judge, na obra já citada, diz o seguinte: “É correto admitir-se que o pensamento pode ser transmitido de um cérebro a outro diretamente, sem qualquer palavra. Mas como é que essa transferência pode ser realizada sem um instrumento? Esse instrumento é a própria luz astral (Éter). No mesmo momento em que o pensamento toma forma no cérebro ele é representado nessa luz astral, e dali poderá ser recebido por um outro cérebro que seja suficientemente sensível para recebê-lo intato…” e acrescenta: “pode dizer-se que a luz astral está por toda a parte, interpenetrando todas as coisas, que possui um poder fotográfico, que capta imagens de pensamentos, ações, eventos, tons, sons, cores, e todas as coisas…”

INFLUÊNCIA SOBRE A EDUCAÇÃO E A APRENDIZAGEM

Entre várias experiências realizadas por Sheldrake neste âmbito, destacaria duas bastante contundentes: Uma foi dar a um grupo de pessoas duas canções japonesas, uma tradicional, que todas as crianças conhecem e cantam desde tenra idade, e outra totalmente nova, criada para o efeito. O resultado foi inequívoco, a canção tradicional foi aprendida por essas pessoas, que nada conheciam de japonês, muito mais rapidamente. Outra experiência foi realizada com base no código morse, universalmente conhecido, e um código reinventado com a mesma base de traços e pontos.

Também neste caso, o código morse verdadeiro foi aprendido muito mais rapidamente. Com estas experiências, Sheldrake, procurou provar o quanto a experiência de um grupo, neste caso humano, contribui para o desenvolvimento dos indivíduos que o compõem e desta forma talvez tenha adicionado elementos que levam à melhor compreensão, por exemplo, da precoce apetência das crianças, nos nossos dias, para a informática e novas tecnologias, isto se tivermos em conta que hoje são um instrumento com o qual praticamente toda a humanidade trabalha e convive permanentemente.

O modo de aprendizagem seria então uma espécie de herança básica da espécie, algo “relembrado” de modo mais ou menos automático. Não se tratando de algo localizado no cérebro, mas obtido diretamente de uma estrutura da espécie por meio da “ressonância mórfica”. As experiências acumuladas da humanidade, fariam assim parte do inconsciente coletivo, descrito por Jung.

Judge, falando sobre as propriedades do Éter, diz: “Esta luz pode, portanto, ser impressa com imagens boas ou más, e elas ficam refletidas na mente subconsciente de cada ser humano. Se nós enchemos a luz astral com imagens más… elas serão o nosso demónio destruidor, mas se, pelo exemplo de até mesmo alguns poucos homens e mulheres de bom coração, um tipo novo e mais puro de acontecimentos for gravado nesta tela eterna, a luz astral nos elevará ao nível do que é divino.”

CONCLUSÃO

Sheldrake afirma que é possível a existência, mas ainda por descobrir, de muitos tipos diferentes de Campos, em que as ligações existentes entre os animais de companhia e os seus donos, entre os pombos e as suas casas, os membros fantasmas, a extensão da mente, etc. poderão ser fenómenos diferentes e não terem nada em comum. Poderia depender cada um deles de um novo tipo de Campo ou de ligação física, capaz de actuar à distância.

Os Campos Mórficos comprometem-nos sobre o poder e influência de cada parte do universo, em que nenhum indivíduo é tão insignificante que não possa dar o seu contributo. Este novo paradigma implica novos valores: o humanismo, uma atitude e compromisso ecológico, uma visão transcendente do mundo e da vida e o apoio humanitário, no seu aspecto mais amplo, que é o de criar condições para o desenvolvimento do poder da individualidade que fará crescer a humanidade como um todo.

As conclusões finais são uma síntese dos caminhos que o próprio Sheldrake aponta como desafio a um novo olhar científico sobre a Vida:

– A investigação destes novos paradigmas poderia ajudar a ciência a abrir-se tanto no campo teórico como prático.

– Um maior sentido de vinculação entre toda a humanidade e o mundo que nos rodeia, mudando a perspetiva de que o ser humano tem o direito de conquistar e explorar indiscriminadamente a natureza, sem outra preocupação que não a dos seus interesses. Isto implicaria naturalmente grandes mudanças educacionais.

– Entender os poderes dos animais e dos humanos e os vínculos profundos que existem entre todos.

– Derrubar a convencional separação entre a mente e o corpo e entre o sujeito e o objeto, com grandes e profundas implicações a nível psicológico, médico, cultural e filosófico.

José Ramos
Director da Nova Acropole Coimbra

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