Integrado no II Festival da Terra, a Nova Acrópole e o Instituto Internacional Hermes levaram a cabo o Colóquio Internacional «Natureza, vida e (cons)Ciência», realizado com um sentido de glocalidade – visão global, responsabilidade local – assim como com o escopo de perscrutar os novos paradigmas da ciência que nos poderão ajudar a aprofundar um contacto mais interno com os reinos naturais e a desenvolver uma visão global, integradora e sistémica. Este Colóquio assim como todo o Festival da Terra contaram com o apoio do Município de Oeiras, assim como da Cascais Ambiente e da Fundação D. Luís.

Os trabalhos começaram na quinta-feira, dia 20 de Junho, pela manhã, no auditório da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. O Coordenador do Festival da Terra, Paulo Loução, deu as boas-vindas aos presentes, transmitiu os princípios que inspiraram a realização deste Colóquio Internacional e passou a palavra à Vereadora do Município de Cascais, Joana Balsemão, que realizou uma comunicação muito interactiva sobre «Cidadania e Ambiente», em estreito diálogo com Sofia Guedes Vaz, reconhecida ambientalista e autora do livro, «Ambiente em Portugal», que brindou os presentes com uma síntese da sua aventura de caminhar de Lisboa ao Porto para sentir o ambiente em Portugal, «555 mil passos: Andar, pensar e sentir o ambiente de Lisboa-Porto». Seguiu-se o painel, «(Re)Descobrir Cascais – Tradição e inovação» iniciado por Vítor Guerreiro da Silva, arquitecto paisagista e membro da Comissão Científica do Colóquio, com uma inovadora perspectiva da história de Cascais, invocando uma «geografia simbólica moldada pelos séculos». Mário Eurico Lisboa, do Núcleo do Património Histórico e Cultural da C. M. de Cascais, completou este painel com uma interessante comunicação sobre o passado e identidade da região cascalense. A manhã terminou com duas comunicações que deram a conhecer ao público o desenvolvimento de dois interessantes projectos da Cascais Ambiente, o da «Quinta do Pisão» e o «Terras de Cascais». Comunicações realizadas pelos responsáveis destes dois magníficos projectos, João Cardoso de Melo, arquitecto paisagista, e André Miguel, engenheiro zootécnico. Pela tarde, Antony Capitão, mestre em políticas ambientais e membro da comissão científica do Colóquio, abriu o painel, «Consciência e inteligência da Natureza», com a apresentação do tema, «Filosofia e Natureza – a cosmovisão como fundamento da vivência ecológica». Ao que se seguiram duas comunicações que abordaram os estudos muito recentes sobre consciência e inteligência vegetais a cargo de Vicente Raja, investigador pós-doutorado do Rotman Institute of Philosophy, na Western University (Canadá) e membro do MINT Lab, na Universidade de Murcia (Espanha), e de Vítor Guerreiro da Silva. Este painel completou-se com a projecção do filme de Stephan Harding, «Terra Viva» (Animate Earth) e posterior debate por vídeoconferência com o próprio autor deste documentário. Stephan Harding é um dos cientistas de renome internacional no estudo da teoria de Gaia, ou seja, do macro-sistema auto-regulado do nosso planeta. Doutorado pela Universidade de Oxford, é o director do departamento de Ciência Holística no Schumacher College, em Inglaterra. Amigo de longa data de James Lovelock manteve com o criador da Teoria de Gaia uma continuada colaboração científica. Foi assim bastante frutífero e entusiasmante o debate com Stephan Harding que nos falou da sua relação com James Lovelock e seu sentido espiritualista da ciência. Transmitiu-nos claramente que, para além de uma análise com a «mente numérica», na observação da Natureza deveremos evocar a intuição, entrar em contacto profundo com a sua «dimensão psíquica». A maneira de Goethe, a nova ciência deverá integrar uma visão holística, global, e o contacto íntimo com o objecto do conhecimento. Falou-nos também da importância de despertar uma «consciência gaiana», a fim de que essa mudança interna, possa abrir portas de autenticidade para resolver o problema ecológico. Os presentes foram também brindados com uma magnífica conferência comemorativa do 50º Aniversário da chegada do Homem à Lua, por José Carlos Fernández, investigador e Director Nacional da Nova Acrópole. Focou como este facto histórico foi um marco para a Humanidade e também para o despertar da consciência ecológica. A visão da Terra vista do espaço é algo tão marcante e deslumbrante que marca uma nova consciência da unidade do planeta. Referiu também como o primeiro homem que pisou a Lua, Neil Armstrong, foi um ser com uma percepção da vida e do sentido histórico muito acutilantes. Para o efeito, leu algumas citações de Armstrong bem marcantes.

No dia seguinte, sexta-feira, 21 de Junho, dia de solstício de Verão, Carmen Morales, practitioner em Florais de Bach e coordenadora da Nova Acrópole de Lisboa, iniciou o painel, «Saúde e Natureza», com a comunicação, «Equilíbrio emocional para uma vida saudável: os Florais de Bach». Seguiu-se Matheus Macêdo, Médico de Ayurveda e fundador do projecto Vida Veda, que desenvolveu o tema dos «Quatro pilares da saúde» segundo a medicina tradicional da Índia. Jean-Piere Ludwig, filósofo, médico de MTC, mestre de Chi Kung e presidente da Hygea França -Associação para a Promoção da Saúde, finalizou o painel referindo como a Medicina Tradicional Chinesa, criada há milhares de anos, é um exemplo claro de pensamento sistémico. O painel da tarde de sexta-feira, foi dedicado ao tema, «Nova biologia: Evolução, natureza e complexidade», e começou com uma pedagógica apresentação pelo apicultor Telmo Cabral sobre a polinização e o «essencial contributo das abelhas ao fluxo da Vida». Seguiu-se uma brilhante apresentação por vídeoconferência da nova biologia e seu impacto na visão do mundo por um dos biólogos mais reputados do mundo, Stuart Kauffman autor de obras de referência a nível mundial, tais como «Reinventing the Sacred: A New View of Science, Reason, and Religion». Em estimulante debate com o público, falou de «auto-organização e emergência na Natureza», de como a «criatividade na Natureza pode ser vista como expressão do divino», asseverou que a «mente humana é muito mais do que um algoritmo», entre muitos outros temas desafiantes para a criação de novos paradigmas. Um grande momento de aproximação à nova biologia neste Colóquio Internacional. Seguiu-se outra comunicação também deveras entusiasmante no sentido de entrar em contacto com uma visão cada vez mais profunda das leis da Natureza, onde a dimensão mental e psíquica não é excluída, nem a sua interacção com a dimensão física, estamos a falar da relação mente-corpo. Manuel Ruiz, PhD em biologia, professor na Universidade de Jaén e presidente do Instituto Internacional Hermes em Espanha, foi o protagonista desta surpreendente comunicação, «Como interpretar a epigenética», ou seja, como a genética de cada um não é estanque e se modifica ao longo do tempo, sendo influenciada pela circunstância e pelo comportamento dos seres. Uma área de investigação de vanguarda, muito recente. De seguida, projectou-se o filme «Heart of Matter» de Fritjof Capra, uma mensagem para o futuro com base na visão sistémica da Natureza. E a conferência de encerramento esteve a cargo de Paulo Loução, subordinada ao tema, «Leonardo da Vinci – o génio que amava a Natureza». NAOC