Decorria a primeira metade do séc.XIX e na cidade de Niza o afamado artista e boémio Félix Ziem, gostava de reunir os seus amigos, Jorge Sand, Chopin, Alfredo de Musset, Balzac, Housay, Rossini e Delacroix ao entardecer e manter as elevadas e alegres práticas várias horas depois de ter jantado.

As “reuniões” efectuavam-se no atelier do artista, no qual, além dos móveis comuns, havia um grande relógio, um piano e… um autêntico esqueleto humano. Numa ocasião, em que a atmosfera parecia “carregada” dessas estranhas energias que os sensitivos conseguem perceber, à meia-noite e com as velas quase gastas, um dos assistentes solicita repentinamente a Ziem que faça tocar uma valsa ao esqueleto. Este leva-o ao piano e com as mãos esqueléticas do mesmo interpreta toscamente a música pedida. No cúmulo da indignação, Chopin, arranca os despojos ao seu amigo, colocando-os respeitosamente no local habitual, feito isto ocupa o banco do piano e começa a improvisar uma música tão bela e sentida que os assistentes ficaram estupefactos, Balzac, inflamado de dionisíaco entusiasmo, parecia transportado a mundos supra físicos de distinta beleza, Musset, tremendo de “frio astral” encolhia-se no seu cadeirão, enquanto Delacroix e Rossini ficavam imóveis, como que petrificados.

Quando, por fim, cessou a música, reinou um silêncio de morte e as velas apagaram-se todas de uma só vez. Ao chegar a sua casa, Chopin, escreveu de uma só vez a melodia que acabava de executar e quando os seus amigos o felicitaram por ela, simplesmente respondeu: “Não é a mim que devem felicitar, mas sim ao Espírito do esqueleto e ao de muitos mortos que vieram tocar diante de mim.”

Essa foi a “Marcha Fúnebre” de Chopin. Depois da sua viagem às Baleares, interpretou-se sobre o seu ataúde. A alma do artista voou até aos seus companheiros, músicos do espaço.

 

Arquivo Nova Acrópole