No amanhecer do século XXI, quem sabe se o último desta enumeração, e num mundo que parece desfazer-se em pedaços e dissolver-se, há esperança evidente para o ser humano. Sempre a houve, e apesar das dificuldades, que todos os tempos tiveram, a vontade dos valentes soube abrir passagem entre as ruínas e lamaçais do seu presente. Pois do mesmo modo que existe um instinto de sobrevivência dos corpos, há-o da alma, dos valores humanos que permitem o que os romanos chamaram “civilitas”, ou seja o modo educado e cortês de estar no mundo e que permite, unindo esforços, plasmar uma cultura e convertê-la em civilização. Estes valores humanos que nascem da verdadeira procura e encontro (em maior ou menor medida) do bom, do justo e do belo, no dizer de Platão.

A Nova Acrópole é uma Escola de Filosofia semelhante àquelas que iluminaram o seu século, apesar de, algumas vezes, existirem adversidades, críticas injustas e infâmias. Semelhante às que alimentaram a chama interior que é a alma destes Valores Eternos, e assim fundamento de uma moral profunda, independente de tempos e circunstâncias.

Pois o importante não é só a soma do conhecimento, mas o Ideal ou Sabedoria que dá vida e sentido a estes conhecimentos, que deixam de o ser para se converterem em vivências. Como disse o professor Jorge Ángel Livraga (1930-1991), fundador da Organização Internacional Nova Acrópole, “sem Ideal não há Filosofia”, e como afirmara Pitágoras 2.500 anos antes, “mais vale uma gota de sabedoria que um tonel de conhecimento”

«Pois o importante não é só a soma do conhecimento, mas o Ideal ou Sabedoria que dá vida e sentido a estes conhecimentos, que deixam de o ser para se converterem em vivências.»

Hoje torna-se necessário, e quiçá mais que nunca, afirmarmo-nos nestes princípios que impedem o ser humano de degenerar involutivamente e converter-se num predador da natureza e do seu semelhante, converter-se no mais temível dos animais, em vez de ser seu mestre e guia, como dita a Natureza, que é sempre a cristalização de um Plano Divino. É imperioso em tempos tumultuosos como os que vivemos hoje dar asas ao anjo que vive e espera dentro de cada um, e não carnaça à besta. Pois esta última faz-nos ver e viver o mundo como um cenário dantesco em que satisfazer os nossos desejos insaciáveis ou fugir de medos sem fim que nos paralisam e despedaçam interiormente: um inferno moral, o verdadeiro inferno.

Como voar por cima das auras fétidas de um mundo moralmente contaminado?

Cultivando os Valores Eternos, ou seja, os valores profundamente humanos. Como diria Kant, aqueles cujo valor é intrínseco, imperativo, não um meio para conseguir nada mais.

Como?

Sendo consciente de todo o potencial (infinito?) que dorme em cada ser humano, que é como uma estrela resplandecente caída no barro do material, obrigada a uma longa peregrinação para retornar ao seu céu de pureza e perfeita justiça. Estes poderes divinos e internos são, por exemplo: uma vontade e capacidade de amar sem limites, uma inteligência que penetre o mistério das Causas Primeiras, uma compreensão que nos faça vibrar harmonicamente com cada pulsação da vida, um ímpeto criador e poder de trabalho que nos permita construir harmonicamente o que o futuro espera de nós; uma simpatia que os faça ver como irmão, assim nos ensinou São Francisco, o fogo e a estrela, o lobo e a quem de nós se aproxime, com boas ou más intenções. Exercitar incansavelmente estas forças espirituais chamadas tradicionalmente “Virtudes”, como se exercitam os músculos do corpo. Isto é, não desperdiçar a ocasião de exercitar estes “músculos espirituais” que necessitamos, como o ar que respiramos, para que não sucumba o melhor de nós mesmos.

Como?

Dando nesta senda o primeiro passo, que é já, como disseram os filósofos de sempre,a metade do caminho.

E o que é que o nosso Curso de Filosofia Prática oferece às novas gerações?

  1. Entrar em contacto com as grandes Ideias e Ideais que iluminaram o mundo e antes os corações humanos, fazendo destes motor de mudanças históricas necessárias e felizes. Tornar-se protagonista do seu tempo em vez de vítima passiva do mesmo.
  2. Conhecer-se a si mesmo, chave do despertar da Alma e da percepção do sentido profundo da vida; e condição básica da conquista interior.
  3. Formar parte de uma fraternidade de voluntários e filósofos (enamorados da sabedoria), que querem mudar-se a si mesmos e melhorar o mundo, pois não desesperam, pelo contrário, pelo tempo que lhes coube viver. Almas selectas tocadas pelo dedo do Destino são as que encontrarão caminho por entre as espessas trevas do nosso conturbado presente.
  4. Forjar ferramentas interiores que nos permitam trabalhar as dificuldades, uma visão que se eleve acima dos problemas, dando aos mesmos a sua verdadeira dimensão. Repetindo o imperador romano e filósofo Marco Aurélio: “O que pode acontecer ao homem que não seja próprio do homem?”

«Exercitar incansavelmente estas forças espirituais chamadas tradicionalmente “Virtudes”, como se exercitam os músculos do corpo. Isto é, não desperdiçar a ocasião de exercitar estes “músculos espirituais” que necessitamos, como o ar que respiramos, para que não sucumba o melhor de nós mesmos.»

Todos queremos desenvolver mais a atenção, o raciocínio e o saber decidir bem; todos queremos não ser enganados por propagandas mais ou menos subtis, nem manipulados pelos meios de desinformação ao serviço dos lobbies do século; todos queremos poder pensar e falar melhor, recrear a quase perdida arte de conversar (nela que é condição sine qua non saber escutar), e conversar de temas elevados, não sempre do vulgar, efémero e quotidiano, dos nossos apetites físicos e psicológicos, do que temos ou gostaríamos de comprar. Pois a vida é mais que a simples sobrevivência animal, ou a sobrevivência das nossas mediocridades.

Que grande verdade a que pronunciava com as suas palavras e actos o professor Livraga: A NOSSA VERDADEIRA MEDIDA É A DOS NOSSOS SONHOS!

José Carlos Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole