No passado mês de Junho de 2009, esteve em Lisboa, uma das figuras de maior destaque nos novos paradigmas da Ciência, o investigador japonês Masaru Emoto.
Emoto, agora com 66 anos, doutor em medicina, ficou mundialmente conhecido pelos seus estudos sobre as propriedades e carácter intrínseco da água. No decorrer do seu percurso e com base nas suas experiências publicou alguns livros, dentre os quais se destaca Messages from Water. A sua pesquisa sofreu ainda uma grande divulgação com a edição do filme-documentário What bleep do we know? (Afinal, o que sabemos nós?).
No seu estudo sobre a formação de cristais d’água em diversas condições, tem estudado experimentalmente – em laboratório e com base fotográfica – a influência psicológica da linguagem verbal e escrita na formação desses cristais, ou seja, tem avançado com uma explicação de como as emoções, sentimentos e pensamentos podem modificar a realidade física que todos conhecemos.
Porém, nem sempre as hipóteses que colocou foram bem aceites, tanto pela sua audácia, transpondo as fronteiras do cientificamente aceite, como pela sua capacidade multi-disciplinar. Aí está uma área interessante para um grupo de pesquisadores portugueses verificar as teses de Masaru Emoto e, havendo perspectivas, de aprofundá-los. Recordemos o carácter sagrado que os antigos davam às águas lustrais, do que ficou o remanescente popular das fontes santas.
Com o intuito de melhor entendermos o que move este cientista e de aprofundarmos um pouco este tema, convidámo-lo para uma entrevista, aquando da sua vinda a Portugal.

N.A.- Como lhe surgiu esta ideia de fotografar os cristais de água?

M. E. – Não foi uma ideia… Na realidade foi uma intuição, quando vi fotografias de flocos de neve num livro.
Indirectamente, porque eu estava a fazer um trabalho sobre o mundo invisível, sobre energia invisível. Desde há muito tempo, que desejo e procuro uma forma de visualizar a energia invisível. Era meu desejo… e então vi os flocos de neve e tive a ideia de congelar água, para obter cristais de água que pudessem reflectir a energia nela contida.

N. A.- Aquilo que é mais interessante é que não se limitou a fotografar cristais de água, mas sim cristais submetidos a diversas condicionantes: diferentes músicas, diferentes palavras…

M. E. – Quando estive a fazer este trabalho de pesquisa, estudei contextos com pessoas a chorar, e, quando não era possível ter a presença dessas pessoas, usava fotografias, às vezes punha só um nome no papel, e usava numa espécie de etiqueta para fazer a observação e análise.
Em relação à utilização da música para fazer vibrar a água surgiu da seguinte forma: quando estava a olhar para as fotografias dos cristais de água cheguei a uma conclusão, as fotos de cristais de água são uma visualização da vibração contida na água, assim, se a música também é vibração, se tocarmos música para a água, temos uma forma de visualizar a vibração da música, porque a música afecta a água.

Bach's_Air_for_the_G_String
Bach

Kawachi_Folk_Dance_Song
Música Folclore Japonês

Heavy_Metal_Music
Heavy Metal

Chopin's_Farewell_Song
Chopin

N. A. – Qual é, para si, a origem da água? Terá provindo de meteoritos que chegaram à Terra?

M. E. – Há 12 anos a NASA disse que a água vinha do espaço. Eu penso que a água veio do espaço num meteorito congelado.

N. A. – Há uma história tradicional que diz que a água veio da Lua…

M. E. – É uma história bonita que eu gostava de explorar mais. A Lua é um planeta muito próximo. A água pode ter vindo da Lua ou através da Lua. Tudo é desenhado por Deus, é possível.

N. A. – Em termos científicos, como se pode explicar que a água tenha memória?

M. E. – Eu não sou cientista portanto está-me a pedir uma explicação que não posso dar… Sou Doutorado em Medicina mas não sou cientista. Esta é uma pesquisa que, no futuro, poderá integrar o âmbito da ciência, contudo, hoje em dia, ainda não é visto assim.
Eu penso que alguns cientistas dizem que a água tem memória, mas esses cientistas têm vindo a ser rejeitados. Quando nós usamos as fotografias de cristais, mostramos que eles são dinâmicos e repetem sempre as mesmas figuras, de acordo com a música a que os submetemos. Assim se prova que a água tem memória.

N. A. – Mas tanto a pesquisa de Jean Charon como a de Basarab Nicolescu, por exemplo, cientistas do mundo quântico, evidencia que os átomos têm memória.

M. E. – Mas isso é ciência do futuro, não é ciência actual. Os meus trabalhos estão também nesse nível.
Eu acredito que a memória está na água. Sempre na água.

N. A. – Qual a sua explicação para as propriedades mentais e sentimentais da água? Relaciona-a com a física quântica?

M. E. – Eu não sei como é com os físicos quânticos, mas quando alguém está a observar uma coisa, a verdade é que essa coisa muda!
Alguns físicos, ou físicos quânticos têm bases à volta do Budismo. Quando penso nestas coisas, penso que o tipo de investigação é muito similar à minha filosofia.
O que eu penso de mais importante é que não tenho muitos financiamentos para fazer pesquisa e tenho de gerir o meu trabalho segundo essa realidade.
No entanto como sabe, em França, há recursos económicos para quem faz pesquisa sobre a água. Eles conseguem fazer mais pesquisa porque têm mais recursos económicos.

N. A. – Por exemplo, Platão relaciona o icosaedro, sólido composto por 20 triângulos, com a água? Há estruturas moleculares da água que se possam relacionar com o icosaedro?

M. E. – Acredito que a água vista tridimensionalmente tem uma estrutura piramidal, é uma combinação feita por pirâmides, como uma estrela.
Esta é uma forma ideal para conduzir energia.
A forma das figuras está relacionada com o número de ouro. A sua figura é o tetraedro.

N. A. – «A água não somente armazena informação mas também sentimentos e consciência», é uma citação sua. Como chegou a esta conclusão?

M. E. – O que eu quero dizer é que a água é um espelho.
A forma como cheguei a esta conclusão foi misturando água potável a água poluída e esta última assumiu a forma da água potável. Também é assim com as nossas consciências. A água espelha as nossas consciências.
Numa escola, um professor solicitou aos alunos que fizessem uma experiência:
Pegaram em arroz e distribuíram-no por três recipientes diferentes, onde foi cozinhado.
Para a primeira taça de arroz tinham de exprimir sentimentos de gratidão, obrigado, por exemplo, mas só em pensamento.
Para a segunda taça, e também só em pensamento, pediu que os alunos exprimissem más energias.
A terceira taça seria simplesmente ignorada.
O primeiro arroz ficou como se tivesse sido frito e dias mais tarde transformou-se em mizzo (um produto para fazer sopa, resultante de fermentação) e isso notava-se mais na primeira experiência que na terceira. A explicação deve-se à quantidade de água que existe no arroz. Ela recebe os nossos sentimentos e vai continuando a cozinhar o arroz.

Thank_you
Thank you ( obrigado )

Fujiwara_Dam_after_offering_a_prayer
Depois de uma Oração

Cristais_Odio
Palavras de Ódio

Love_Appreciation
Love (Amor)

N. A. – A questão que se coloca é a seguinte, por exemplo, se se pega numa palavra: guerra, e, escrevemo-la num papel que colocamos junto da água. Como é que a água sabe o significado da palavra guerra?

M. E. – Explico isso melhor no workshop que dirijo…
Se para um cristão, por exemplo, é fácil entender que “No início era o verbo”, como se afirma na Bíblia, também será fácil compreender o efeito das palavras na água…

N. A. – Pensa que a água tem uma Alma?

M. E. – Sim, basicamente eu penso que a água tem Alma. A Alma da água é amor e gratidão.

N. A. – E quando se chama missionário da água, considera-se missionário da Alma da água?

M. E. – Eu sou um missionário da água em geral.

N. A. – E porque considera que a água precisa de um missionário?

M. E. – A maior parte das pessoas não conhecem a água e o estudo da água ainda é tabu. Portanto eu acho que alguém tem de ser missionário da água. Foi assim que me tornei seu missionário.

N. A. – Considera que há uma relação entre a água e o que os orientais chamam o Akashic Field estudado por Ervin Laszlo, um campo de matéria subtil, astral, considerado a memória do universo?

M. E. – Está a ver aquela primeira figura que Miguel Ângelo pintou no tecto da Capela Sistina… sabe o que é que está entre o dedo de Deus e o dedo do homem? Pois o que está entre os dedos é água. A água pode mudar de forma e esta água nós não podemos ver. Eu penso que a água é um semicondutor, que conecta várias dimensões. Os poderosos controlam o povo e não permitem o seu estudo, porque não querem que se saiba a verdade. Não querem que o povo saiba o poder da água como veículo de conexão de várias dimensões com o ser humano.

N. A. – Há alguma relação entre a água e a energia chi?

M. E. – A essa energia eu chamo hado, e hado é o movimento de ondas, a vibração. Está dentro da água e ela transporta hado, ou seja, só a água transporta vibração. Na palavra de Deus que eu conheço, só a água consegue transportar vibração. Eu não sei se Deus anda por aí, mas segundo a sua palavra o único veículo de transporte para hado é a água.

N. A. – O que é a ciência hado?

M. E. – Hado e ciência não são uma boa combinação… Mas, é uma ciência do futuro, é uma ciência da consciência.

N. A. – Tales de Mileto disse que a água é a fonte de tudo, os egípcios dizem o mesmo, mas para eles a água não é física mas sim espiritual. Acredita nesta água espiritual?

M. E. – Sim acredito e quero estudar mais sobre isso.

N. A. – Tem alguma explicação para o facto de a água face à palavra Amor tomar a forma hexagonal? Haverá algum simbolismo?

M. E. – Uma das razões é por esta forma ser muito condutora para a água, para a vibração. A condução da vibração depende da delicadeza da forma, quanto mais delicada ela for, mais energia subtil conduz.
Formas mais toscas são menos condutoras de energia.
Eu respeito Einstein e ele pensava que a beleza mística deve ser a verdade.

N. A. – Considera que as suas experiências podem potenciar uma nova visão da ecologia e o redespertar para uma nova relação espiritual com a Natureza?

M. E. – No início eu até pensava dessa forma, mas agora tenho viajado tendo como principal objectivo falar sobre a minha filosofia.
Na realidade, eu penso que o que disse é verdade. O meu trabalho está a afectar as pessoas para uma nova ideologia.
O que estou a dizer é que não são as pessoas especiais, mas sim as pessoas comuns que estão a ganhar esperança e a ficar mais positivas, o que é muito bom. O que é mais importante é que, nos nossos dias, a água não tem assim tanto poder… é preciso activa-la e isso pode ser feito lendo os meus livros.
Basta que as pessoas cuidem da água e tenham para com ela uma atitude de gratidão que ela fica altamente energizada e, então, a nossa relação com a Natureza será melhorada.

N. A. – Como vê os problemas que o Homem tem criado à água por a poluir, não demonstrando nenhum respeito?

M. E. – Eu quero ser sempre positivo… mas por exemplo, em 2012, poderá haver uma mudança drástica, uma guerra… se se pensar no petróleo, é um problema muito grave e muito difícil de resolver, mas eu penso que se as pessoas virarem a sua consciência para a água e a apreciarem verdadeiramente, talvez consigam parar o “programa”. Eu quero ser optimista, não pessimista, e só desejo que saibamos desfrutar a vida e resolver os nossos problemas.

N. A. – O Japão é tradicionalmente xintoísta. Baseia-se na relação entre o Homem e a Natureza. Esta conexão com o xintoismo dura há séculos. Será que no Japão há mais respeito pela natureza e pela água que no resto do mundo?

M. E. – Tradicionalmente essas são as nossas ideias, mas, nos nossos dias, as pessoas esqueceram-nas, simplesmente.

N. A. – Como é que a comunidade científica, nomeadamente, da área da biologia, tem reagido às suas investigações?

M. E. – Há vários grupos. Por exemplo, um grupo apoia-me muito, outro acha que fiz um bom trabalho… os outros mantêm o silêncio.

N. A. – Quais são os grupos que apoiam o seu trabalho?

M. E. – Alguns Russos produziram um documentário sobre a água e este filme incluía o depoimento de vários cientistas, em que o assunto principal tinha a ver com a minha pesquisa. Os cristais de água eram o assunto principal. Há muitos outros pesquisadores da água que falam sobre a água mistérica.
Por causa do meu trabalho, muitos jovens estão estimulados para este assunto e são eles os novos jovens cientistas. Maioritariamente biólogos ou físicos.

N. A. – Como é que a sociedade japonesa tem recebido o resultado das suas experiências?

M. E. – É difícil explicar a situação, mas em geral eu não gosto dos mass media, ou então, eu não me mostro muito aos média.
Na realidade, eu trabalho no exterior do país. No Japão, muitas vezes, as tecnologias e os novos conceitos vêm de outros países e aquilo que vem de dentro não é credível!

N. A. – Das suas experiências qual foi a que mais o surpreendeu?

M. E. – Quando observei, nos cristais de água, a imagem de amor e gratidão. Mas também quando observei cristais de água ao som de uma oração Budista, em que o cristal mostrou uma imagem muito sagrada, muito divina. Creio que esta imagem é de outra dimensão do mundo.

N. A. – As suas experiências estarão a confirmar a validade da Homeopatia e dos Florais de Bach?

M. E. – Sim, eu penso que sim. As pessoas envolvidas, nessas áreas, ficam satisfeitas com os resultados que tenho obtido no estudo dos cristais de água.
Quando estava a fazer a minha pesquisa, também usei um equipamento utilizado para fazer medicamentos de homeopatia. A homeopatia sempre me foi muito familiar.

N. A. – No campo da ecologia, da ciência e das novas espiritualidades, que mensagem deixa para os jovens, que serão os construtores de um novo mundo?

M. E. – A minha mensagem está neste livro, ele é uma mensagem para as crianças

[mostra um livro infantil ilustrado e em linguagem simples, em que fica patente a importância da água]. Estamos a desenvolver um projecto para que este livro venha a ser distribuído por todas a crianças pelo mundo, de forma gratuita.

N. A. – Nesta altura quais são as expectativas em relação aos seus estudos?

M. E. – A minha missão é fazer crescer a divulgação do meu trabalho, em diferentes áreas, tanto quanto possível, mas talvez sobretudo junto das gerações mais jovens.

N. A. – Mas em termos científicos qual é o seu primeiro objectivo?

M. E. – É a educação.

N. A. – Se alguém quisesse reproduzir as suas experiências, por exemplo, fotografando um cristal de água, o que precisaria fazer?

M. E. – Precisa de um microscópio e de um congelador.

N. A. – Como é que as pessoas podem verificar estas experiências?

M. E. – Qualquer pessoa pode fazer estas experiências. O método está todo descrito nos meus livros.

N. A. – Há algo de importante que, para finalizar nos queira dizer?

M. E. – Esta é a primeira vez que estou em Portugal. Estou muito agradecido aos missionários portugueses por terem levado para o Japão, há 600 anos, esta coragem ocidental. Respeito muito os portugueses pela sua valentia. E agora estou aqui em Portugal como missionário da água, só não vim de barco mas de avião!

Entrevista realizada por Cleto Saldanha e Paulo Alexandre Loução