Espíritos da Natureza  

Autor

Nova Acrópole

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Um amplo sentido para a vida

Existe vida inteligente no universo para além do ser humano?

Esta é uma questão que nós colocamos há muito tempo. Embora não possuamos provas factuais de tal, o nosso bom-senso leva-nos a crer que num infinito universo a mesma deverá existir. No sentido de as encontrar e desde que adquirimos o conhecimento necessário para pesquisar o espaço, começámos a construir equipamentos que têm sondado a proximidade do nosso planeta, no entanto ainda sem qualquer resultado. Mas será que este nosso insucesso não poderá estar relacionado com o conceito que estabelecemos sobre o que é a vida?

Na verdade, a ciência académica dos dias de hoje ainda não se colocou de acordo sobre um conceito que defina o que é a vida. Isto talvez se deva ao facto de se tentar encontrar a fronteira entre aquilo que está vivo e o que não está.

À luz de uma nova teoria há sempre algo que aparentemente não é classificado como ser vivo e que se torna ser vivente, desconcertando assim os cientistas que tratam logo de procurar uma outra nova teoria. Assim, embora se pretenda “matar o pai” tal parece ser impossível, ou seja, embora se tente refutar o conceito Clássico de vida este parece ser sempre o mais completo. Porquê? Porque é simples no seu princípio pois diz-nos que tudo no Universo está vivo.

Um texto antigo, conhecido por Corpus Hermeticum, que é um diálogo entre um Sábio e o seu filho e discípulo, em determinada altura diz-nos o seguinte:

“Qual é com efeito a energia da vida? Não é o movimento?

O que existe no mundo que seja imóvel meu filho? Nada, meu filho.

Mas a terra não te parece imóvel, ó pai?

– Não, filho; contrariamente, de todos os seres, ela é a única sujeita a uma série de movimentos e ao mesmo tempo estável. Como não seria ridículo supor imóvel a esta nutriz de todos os seres, aquela que faz nascer e gera as coisas?

Sem movimento é impossível àquele que faz nascer, fazer nascer seja lá o que for.

Assim, se a energia da vida é o movimento e como tudo no universo se encontra em movimento, como atesta a ciência actual, então tudo no universo está vivo.

Desta forma, não temos de procurar o que está morto para compreendermos pelo contraste a natureza do que está vivo, uma vez que nunca vamos encontrar esse estado contrário, mas devemos sim, como nos diziam as Antigas Tradições, deixarmo-nos envolver, fundirmo-nos, tornarmo-nos unos aos mistérios da vida de tudo aquilo que existe para além de nós mesmos para saber os seus Mistérios. Assim é que essas mesmas Tradições tenham associado o princípio da Vida ao princípio da União e por seu turno àquilo que conduz à mesma, a Sabedoria.

Por tudo isto, não só Homens, animais e plantas têm vida, como também a possuem os minerais, moléculas, átomos, montanhas, rios, etc. e mais, também o plano de manifestação da vida é muito mais diverso que o plano físico.

Da China à India, do Egipto à Grécia, da Babilónia a Roma, etc., várias foram as civilizações que possuíram nos seus cânones científicos ensinamentos que atestavam que o universo físico era somente um de vários universos existentes.

De acordo com estes ensinamentos, o universo no seu todo estaria constituído na base de um único elemento, um átomo primordial que deu origem a uma matéria primordial, a raiz manifesta de toda a matéria, “prakriti”, como surge nos textos hindus. A partir desta, por um processo de diferenciação formaram-se 7 átomos a partir dos quais se desenvolveram 7 universos, sendo o universo físico o mais denso dos 7, isto quer dizer que os universos mais subtis permeiam os mais densos.

Em cada um destes universos desenrola-se um processo evolutivo que não é independente dos restantes e que se resume na contínua evolução de matéria e formas que visam a manifestação plena da essência, ou centelha, que animam cada uma delas. Toda esta multiplicidade é Deus manifesto.

O Homem possui o seu corpo mais desenvolvido no universo físico, ou plano físico, e, por isso, este corpo é o seu principal veículo de consciência. No entanto, miríades de espécies possuem os seus corpos mais desenvolvidos em planos subtis, tais como o plano astral e com isso é nestes planos que operam inteligentemente.

Uma destas formas de vida é conhecida por Reino Elemental e é formada por várias famílias agrupadas em 4 grandes conjuntos.

Como os diferentes planos, ou universos, não são regiões estanques os eventos ocorridos em cada plano reflectem-se nos demais bem como as raízes dos eventos mais densos estendem-se aos planos mais subtis, assim sendo, esses 4 grandes conjuntos de elementais de alguma maneira possui uma afinidade com os elementos Terrestres que nós conhecemos por terra, água, ar e fogo.

Subtis manifestações

Estes seres subtis deixaram a sua marca em muitas Tradições mundiais, nos mitos, nas lendas, nos monumentos, etc. e no comum folclore das nossas gentes são conhecidos por gnomos, fadas, duendes, sereias, ninfas, ondinas, nereidas, silfos, elfos, salamandras, etc.,. A saber, os gnomos, as fadas e os duendes têm afinidade com o elemento terra, as sereias, as ninfas, as ondinas e as nereidas duendes têm afinidade com o elemento águas, os silfos e os elfos têm afinidade com o elemento ar e as salamandras com o elemento fogo.

Estas formas de vida, por possuírem os seus corpos em planos mais subtis não captados pelos sentidos físicos do homem, passam completamente despercebidas a este, no entanto, por existir uma inter-relação entre todos os planos, acontece que sob determinadas condições, como a época do ano, a altitude, a profundidade, o electromagnetismo, a temperatura, etc., podem fazer-se notar através de materialização mais densa e assim tornando-se perceptíveis.

A tradição popular portuguesa está repleta de histórias que contam este tipo de encontros entre homens e elementais. Um exemplo de tal surge nas lendas das Mouras encantadas que guardam tesouros, grutas ou mananciais de água, seduzindo simultaneamente aqueles que se encontram de passagem por perto de ditos lugares. Conhecidas também são as suas vinganças dirigidas àqueles que quebram os pactos que estabeleceram com elas.

Estas lendas são antigas e vêm de tempos anteriores ao período da civilização Islâmica no nosso país. Para os rudes e toscos povos autóctones, muito atrasados civilizacionalmente em relação aos povos islâmicos que começavam a ocupar a península Ibérica, a mulher muçulmana apresentava-se como um magnetizante misto de beleza, realçada pelos perfumes e maquilhagens, envolta em mistério. Assim por estes seus atributos e possivelmente por permanecer quase sempre velada aos olhos de todos, tornou-se num símbolo natural para substituir ninfas e nereidas, elementais responsáveis pela regência de vários processos nos sistemas aquáticos. De muitos lugares do mundo nos chegam histórias de como alguns destes seres se sentem atraídos pela natureza humana e do esforço que empreendem para a alcançar, daí resultam as histórias do seu hipnotizante querer.

Há entre nós uma outra tradição que é a de dar um nó num cordel quando queremos encontrar algo que perdemos. Esta prática que caiu no uso do profano deve ter tido origem em círculos mais restritos, como por exemplo círculos sacerdotais de Iniciados. Entre estes era sabido do efeito mágico que o nó provocava nestes seres e do cuidado que se devia ter, por questões kármicas, no seu uso.

Várias são as fontes que nos narram que certo tipo de elementais, à sua maneira se divertindo, lançam véus psíquicos sobre o ser humano, fazendo com que este não veja pequenos objectos e conduzindo-o a uma angustiante procura, pois a sua mente constantemente lhe diz que tal objecto deveria encontrar ali, mas aos seus olhos não está, frustrado e chateado o toma como perdido.

Uma outra possível manifestação destes seres, várias vezes presenciada pelo autor deste artigo, é um fenómeno conhecido no ambiente rural alentejano como a Costureirinha. Trata-se de um fenómeno auditivo, que pode ocorrer em qualquer divisão da casa, e que se revela ao ouvido humano como um som rítmico, metálico e abafado, de uma antiga máquina de costura. Todos aqueles que se encontravam na casa o conseguiam ouvir e por ser algo comum, todas as crianças eram educadas desde infância em aceitar tal manifestação como sendo natural. A uma distância de alguns anos desde a última vez que presenciou tal fenómeno, pensa o autor que de natural, pelo menos no sentido que o senso comum atribui ao natural, nada possuía.

O crescente e galopante materialismo tem vindo a endurecer e a petrificar o homem transformando-o em algo que o afasta da sua verdadeira forma de estar na vida. Uma forma que implica uma autodescoberta e aperfeiçoamento, e simultaneamente através da educação participar no crescimento do seu entorno, vivendo activamente o grande plano de Deus que é a evolução. Mas contrariamente tem-se vindo a transformar num inapto incapaz de participar no processo inteligente e interactivo de toda a Natureza. Vemos isto na dificuldade que o homem apresenta em se relacionar com os seus semelhantes. A suposta era da informação que tão apregoada foi pelo objectivo de aproximar os homens, só os tem vindo a separar. Dificilmente o homem sabe conviver com outro homem mantendo um diálogo construtivo com o mesmo, como podemos esperar que ele se aperceba de formas de vida mais subtis?

Temos de retornar a viver os princípios básicos que nos fazem evoluir enquanto seres humanos e que desde há séculos têm sido os estandartes de tantas Tradições e Civilizações, que têm sido firmes alicerces dos seus templos de valores:

Promover um ideal de fraternidade universal, fundamentado no respeito pela dignidade humana, mais além das diferenças raciais, de sexo, culturais, religiosas, sociais, etc.

Fomentar o amor pela sabedoria, que, através do estudo comparado de filosofias, religiões, ciências e artes, promova o conhecimento do universo, da natureza e do ser humano.

Desenvolver o melhor do nosso potencial humano, promovendo a realização plena como indivíduos e a integração na natureza e na sociedade, não como meros espectadores, mas como actores de um mundo a melhorar. O nosso trabalho traduz-se em melhores indivíduos que tragam sustentabilidade ao desenvolvimento social.

 

Vivendo assim, não só sentiremos que tudo aquilo que nos rodeia, visível e invisível, vive inteligentemente como começamos a compreender o sentido da vida, de onde vimos, quem somos e para onde vamos. 

 

João Ferro

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