Estrutura Geral da Terra Segundo Ensinamentos Esotéricos

Autor

Jorge Ángel Livraga

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Decorriam os últimos anos da década de 80 do séc. XIX, e H. P. Blavatsky decidiu comunicar aos seus discípulos mais directos certos ensinamentos e tradições compilados nas suas viagens, especialmente pela Índia, Butão, Nepal, Tibete e China Himalaica.

Para isso, tanto em Adyar como, principalmente, em Londres, transmitiu oralmente muitos elementos que não figuram na sua grande obra, de vários tomos, «A Doutrina Secreta». Obra inacabada, tal como o seu Glossário Teosófico.

Hoje, através desta revista, sai pela primeira vez à luz pública um desses ensinamentos. Por razões de espaço e para uma melhor compreensão dos actuais leitores, omitimos voluntariamente muitas das suas partes. Cremos que a exposição que vem a seguir, ensinada até agora exclusivamente nas Cátedras da Organização Internacional Nova Acrópole, é suficiente.

Desejamos que os amáveis leitores a tomem como mais uma hipótese sobre a estrutura global do nosso planeta. Não podemos oferecer uma bibliografia, tão do agrado do estudioso actual ainda que seja insegura ou repetitiva. Também não queremos que seja interpretada como um «dogma de fé», pois não diz respeito a nenhuma Fé; se está é certa ou não, é óbvio que não corresponde a nós dizê-lo.

Sábios conheceram a forma geral da Terra e a sua natureza estrutural. Todos a consideraram como um Ser Vivo, equilibrado por ecossistemas vitais e capaz de adoecer e de recuperar a saúde por mecanismos próprios programados pelo seu Criador. Este Ser vivo ou Macróbios como lhe chamava o neoplatónico Marcião era, por sua vez, uma célula no tecido integrante de sistemas e órgãos cósmicos de miríades de mundos, visíveis e invisíveis. Pelo facto de possuir este último conhecimento e de o ter publicado, Giordano Bruno foi queimado vivo pela Inquisição, em 17 de Fevereiro de 1600, em Roma.

O facto da Terra ser um Ser vivo, como nós, não significa que o seu corpo seja e se comporte como o nosso. Também um coral, um pinheiro ou uma gaivota são seres vivos e não se comportam, formalmente, como o homem. Não se deve confundir a Vida Una com os seus invólucros transitórios. O Grande Aguaceiro escança a sua Água Celeste em diferentes recipientes, de barro ou de cristal. Se estes, ao serem usados, se quebram e a Água é derramada, esta não desaparece, mas, após o seu ciclo de evaporação e condensação, manifesta-se outra vez de forma concreta enchendo novos receptáculos… que, por seu turno têm uma vida limitada que será igual, embora não idêntica, à dos seus predecessores.

Segundo os ensinamentos antigos, a Terra é mais jovem do que a Lua.

A terra foi-se plasmando e condensando à medida em que a Lua se convertia num cadáver espacial onde a vida perdura na sua própria desintegração, até à sua extinção por involução. Na Terra, a vida vai-se expressando cada vez com mais riqueza, pois está em evolução. Esse processo, em linhas gerais, cessou no presente, e o seu ciclo actual, baseado na mecânica estrutural do Carbono, começa a dirigir-se para o seu fim, embora isso só ocorra daqui a centenas de milhões de anos.

Infelizmente, os factores contaminantes, provocados especialmente pelo excesso de população humana e pela extinção de centenas de espécies dos reinos vegetal e animal, podem acelerar o processo de degradação, e forçar o Planeta a tomar medidas que o salvem desta «enfermidade» em que se converteu o Homem.
A estrutura anatómica da Terra, segundo os ensinamentos antigos, está baseada nos esquemas do Triplo Logos, como lhe chamou Platão. O Logos é a forma pela qual nós, humanos, podemos entender o Deus que nos rege. A nossa mente é dual, tem um programa binário e só pode entender o dual e o seu produto. Especialmente o seu produto, o três, que se exprime como triângulo. A única figura fechada que podemos pensar de maneira dual é o círculo, relacionando a circunferência com o ponto central. O ponto central não tem dimensão; a circunferência não tem princípio nem fim em si. Só o triângulo, o trino ou trindade, faculdade dialéctica do trino, é por nós compreensível e inteligível normalmente.
A estrutura interna da Terra pode expressar-se pedagogicamente sob este aspecto. E assim foi ensinado:

1. Um núcleo metálico em que predomina o ferro, mas com uma estrutura íntima mais densa do que o ferro superficial que todos conhecemos. Um ferro de muito maior peso e de uma enorme capacidade magnética; os seus átomos estão «comprimidos» sobre si mesmos, é mais sólido e, portanto, tem um grau de dureza de tipo cristalino. Na antiga terminologia do Oriente foi denominado de «Ovo de Ferro» porque a sua forma geral não é totalmente esférica. O seu tamanho é, aproximadamente, uma quarta parte do esferóide da Terra. É altamente radioactivo, embora este termo moderno não concorde exactamente com a sua natureza real, pois por «radioactivo» entendemos hoje uma ampla gama de «atractores» que, por sê-lo, emitem energia.

2. Rodeia-o uma massa equivalente a dois terços do tamanho do Planeta. A estrutura desta massa é muito complexa, com arborizações em formas radiais, metálicas, e, por isso, os antigos chamaram-lhe zona das «Árvores Cinzentas», que, como tais, tinham as suas raízes em contacto com o núcleo e iam-se expandindo para a superfície.

3. O córtex, com uma espessura aproximada de um quarto do tamanho global do Planeta. Nele ocorrem fenómenos potentíssimos de calor e electricidade e é como um escudo envolvente, protector, fértil, muito capacitado para absorver e transmutar os raios cósmicos que o penetram, alguns muito profundamente. A sua superfície foi comparada pelos Sábios do Egipto com a pele de um crocodilo, pois tem placas que lhe outorgam flexibilidade; são os hoje chamados «Escudos Continentais».

No etérico, a Terra era considerada como um grande íman. As correntes vão de pólo a pólo, como curvas, desde o pólo Norte magnético até ao pólo Sul magnético, como se fosse uma fonte banhando a superfície da Terra; internam-se pelo Sul e, envolvendo o Ovo Negro, chegam outra vez ao Norte.

Também se menciona uma «aura» da Terra que abarca, desde a sua superfície, uma distância equivalente a uns três raios terrestres. E cita-se, igualmente, um grosso anel etérico-magnético que oscila ligeiramente sobre a perpendicular do eixo magnético, e que os últimos Iniciados de Roma chamaram «A Cintura de Vénus», lugar onde habitam, adormecidas, as almas prestes a encarnar. Dali, e isto é claramente referido por Platão, os seus inconscientes desejos de voltar a ter um corpo de carne, empurram formas mentais que são o fundamento do sexo, o desejo de procriar. Por isso a Escola de Platão ensinava que o amor é gerado pelos mortos, afirmação muitas vezes mal interpretada. Segundo o Karma ou Destino, as almas vão habitar os fetos de umas ou de outras famílias, num ou noutro lugar da Terra.

A ciência actual (e mais do que esta, a futura imediata) já está a constatar algumas destas asserções, pelo que, de maneira formal, deixam de ser «segredos» no critério do autor destas linhas.

É de esperar que quanto maior for o conhecimento acerca do nosso belo planeta e das criaturas que o povoam, mais se acentue a tendência para que haja um saudável respeito pela sua natureza, que nos permita prosseguir a nossa vida na Terra, conforme o planeado, e sem traumas sempre dolorosos.
No entanto, é triste comprovar que os homens, ou melhor, os ineptos políticos e religiosos que os regem, precipitam-se em concepções medievais, alimentadas por fanatismos, racismos, vinganças cíclicas e intermináveis. É fundamental não seguir o jogo deles e trabalhar para um Mundo novo e melhor.

Jorge A. Livraga Rizzi
Fundador e Director Internacional de Nova Acrópole.
In revista «Nueva Acropolis» Nº 183 de 1990

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