Filosofia e Ciência; Um Encontro Amigável

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Nova Acrópole

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Nova Acrópole

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O físico Michio Kaku, ao observar um bonito tanque, com uma grande extensão de água coberta por uma carpete de nenúfares, e no qual abundavam peixes de cores, imaginou que nele havia “carpas científicas”.

Os peixes viviam num universo de luz ténue e céu de nenúfares. Intrigava-lhe o facto de que uma estreita barreira – a superfície da água – era, na realidade, um imenso abismo, o que separava para eles o mundo próximo e real da água de um universo estranho que nem sequer concebiam.

Num dia de tempestade o tanque foi bombardeado por milhares de minúsculas gotas de chuva, e as águas turbulentas deslocaram os nenúfares de um lado para o outro, enquanto as carpas – pensava Kaku -, no seu mundo invisível de água (como para nós é o ar), estariam perturbadas ao ver que as plantas moviam-se por si próprias.

O que aconteceria – continuou o físico a imaginar – se tirasse da água, uma das «carpas científicas»? Para as restantes, seria algo insólito. Uma das suas congéneres «teria desaparecido» do seu universo. Segundos depois, apareceria a partir do nada e as carpas acreditariam que teria acontecido um milagre.

Após acalmar-se, a «científica» contaria algo surpreendente: «vi-me num mundo misterioso, de luzes que cegam e objetos estranhos. Agarrava-me uma criatura que não se parecia em nada a um peixe. Podia mover-se sem barbatanas. As leis da Natureza (as do seu tanque) não regiam ali».

«(…)Pitágoras deixou-nos duas palavras ainda usadas em todos os idiomas: “cosmos”, mundo organizado e coerente; e “filosofia”, amor pela sabedoria. A Natureza é complexa e misteriosa, mas quando alguém descobre alguns de seus mecanismos, acede à sua beleza, simplicidade e coerência.(…)»

Supostamente, a maioria das carpas pensaria que o acontecimento a teria transtornado. Quer dizer, a história do mito da caverna de Platão ocorrida num tanque de carpas.

Einstein disse uma vez: «A Natureza só nos mostra a cauda do leão. Mas não tenho dúvida de que o leão faz parte, embora não possa mostrar-se de uma só vez, devido ao seu enorme tamanho». O desconhecido intrigava-o. Sentia-se obrigado a compreender o que o Velho (como costumava chamar à sua ideia de Deus) podia ter concebido, para o nosso universo.

Pitágoras deixou-nos duas palavras ainda usadas em todos os idiomas: “cosmos”, mundo organizado e coerente; e “filosofia”, amor pela sabedoria. A Natureza é complexa e misteriosa, mas quando alguém descobre alguns de seus mecanismos, acede à sua beleza, simplicidade e coerência.

Um tema fundamental, recorrente, da física da última década, tem sido que as leis da Natureza
se tornam mais simples e refinadas quando se expressam em dimensões mais elevadas, que são a sua dimensão natural. Mas … as histórias contam-se desde o começo.

Saber olhar para saber ver

Os fenómenos no nosso universo podem reduzir-se a quatro forças, que, à primeira vista, não mantêm nenhuma semelhança entre si: a força eletromagnética, a força nuclear forte, a força nuclear débil e a força gravítica.

Os grandes físicos, estão convencidos de que uma boa teoria explica grande quantidade de dados experimentais, usando simples expressões matemáticas. A linguagem matemática universal da física teórica é a teoria dos campos. Dito de forma simples, um campo é uma série ordenada de números que descreve uma força num ponto do espaço. O que torna tão poderoso o conceito de campo – introduzido por Faraday –, é que todas as forças da Natureza podem ser expressas como um campo.

As equações de Maxwell, adequaram fórmulas matemáticas aos fenómenos eléctricos e magnéticos. Um resultado inesperado que surgiu ao resolve-las foi a previsão da existência de luz não visível.

«(…)Os fenómenos no nosso universo podem reduzir-se a quatro forças, que, à primeira vista, não mantêm nenhuma semelhança entre si: a força electromagnética, a força nuclear forte, a força nuclear débil e a força gravítica.(…)»

Einstein descobriu que havia um vínculo entre a matéria e a energia, mas começou a concentrar-se em algo que parecia muito afastado de ambos os conceitos, concretamente, na velocidade da luz.

Localizou uma fonte de energia onde a ninguém ainda tinha ocorrido procurar. A sua equação E=mc2 (a energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado) era como um telescópio que chamava a atenção ali, escondido na própria matéria.

Correndo atrás de um raio de luz

O matemático Fermat, referiu que a luz sempre tem pressa, e escolhe o caminho que lhe permita chegar ao seu destino, no mínimo de tempo possível. O génio dos grandes físicos reside em que, ao que se perguntam de forma inocente, obtêm respostas revolucionárias.

Se a luz fosse uma onda – reflectia Einstein -, posso alcançá-la se correr atrás dela?

Não é algo fácil de entender. Se alguém se estivesse a mexer a 299.999 Km/seg., não podia aumentar a sua velocidade até 300.000,1 Km/seg., superando assim a velocidade da luz? A resposta é não.

A luz não é um número, mas um processo físico. Existe uma grande diferença. Se digo que (-) 273 é o número negativo mais baixo que se pode alcançar, poderiam responder-me que (-) 274 é mais baixo. Mas se do que estivermos a falar é, por exemplo, de temperaturas (que é como dizer do movimento das partículas que compõem uma substância), a (-) 273ºC, essas partículas deixam de vibrar, e por isso dizemos que (-)273ºC é «o zero absoluto» quanto a temperaturas. Os números abstratos podem ser menores, mas os dos processos físicos não. Analogamente, a quantidade 300.000 Km/seg., que calculou Roemer para a luz que chegava de Júpiter, é um limite superior para as velocidades.

«(…)Os grandes físicos, estão convencidos de que uma boa teoria explica grande quantidade de dados experimentais, usando simples expressões matemáticas. A linguagem matemática universal da física teórica é a teoria dos campos.(…)»

Suponhamos que um veículo espacial se aproxima à velocidade da luz. O piloto começa a forçar freneticamente o propulsor da nave para ir mais depressa. Que acontece então? A energia comunicada aos motores «comprime-se» e transforma-se em massa. Visto de fora, a massa do veículo começa a aumentar.

Diremos: sim, sim, estes cientistas loucos, que não têm outra coisa que fazer, que dar de alguma forma cobertura às suas fórmulas matemáticas … Bem, nos aceleradores de partículas passam-se coisas estranhíssimas. São as coisas que mais frequentemente lá passam, as estranhíssimas.

Ao aproximar-se à velocidade da luz, a massa das partículas aceleradas aumenta de forma espectacular e, com isso, a sua resistência à aceleração. A massa dos electrões no acelerador de partículas é 2000 vezes maior que a sua massa normal. É como se ao empurrar um camião o fossemos tornando cada vez mais pesado, o que nos dificultaria o empurrão seguinte.

Isto é o que explica o «c» da equação. Quando alguém se aproxima à velocidade da luz, aí é onde se faz especialmente clara a ligação entre a massa e a energia. O número «c» diz-nos como funciona esta ligação. «E» pode-se tornar em «m» e «m» pode-se tornar em «E». Pensemos no sinal igual à equação como um túnel ou uma ponte. Uma porção minúscula de matéria é muito aumentada quando entra pelo lado da massa e sai pelo da energia.

A razão desse efeito ter permanecido insuspeitosamente oculto, é que a velocidade da luz é muito maior que a de os movimentos que observamos quotidianamente. O efeito passa desapercebido à velocidade do passo humano, mas isso não significa que não exista.

Relatividade

Chaim Weizmann pediu um dia a Einstein que lhe explicasse a sua teoria da relatividade: «Fi-lo durante vários dias, e depressa fiquei absolutamente convencido de que ele a tinha entendido».

Einstein teve a que considerou a ideia mais feliz da sua vida: «Se uma pessoa cai em queda livre não sentirá o seu próprio peso». Esta ideia simples impulsionou-o para uma teoria da gravitação. Chegou à seguinte reflexão: a presença da matéria-energia determina a curvatura do espaço-tempo à sua volta. Martin Gardner expressa-o assim: «A Terra gira à volta do Sol não porque o Sol a reboque, mas porque curva o espaço-tempo de tal forma, que para a Terra, a orbita elíptica é o caminho mais simples e directo, enquanto se precipita para à frente no tempo».

»(…)Einstein teve a que considerou a ideia mais feliz da sua vida: «Se uma pessoa cai em queda livre não sentirá o seu próprio peso». Esta ideia simples impulsionou-o para uma teoria da gravitação.(…)»

Para seu espanto, Einstein descobriu que Riemann já teria introduzido a teoria das dimensões mais elevadas. A reinterpretação física do seu enfoque, denomina-se agora, relatividade geral.

Riemann concluiu que a electricidade, o magnetismo e a gravidade são causados pelo enrugamento de nosso universo tridimensional, na invisível quarta dimensão. A ideia de Riemann, consistia em introduzir uma série de números em cada ponto do espaço, que descreveriam o quanto este estava torcido ou curvado. Descobriu, que em quatro dimensões espaciais, necessita-se de uma série de dez números, para descobrir em cada ponto as suas propriedades, por muito retorcido ou distorcido que esteja. Hoje, esta série de números denomina-se, o tensor métrico de Riemann.

Einstein compreendeu por si, que a «força» é uma consequência da geometria, mas, também, foi capaz de encontrar o princípio físico por detrás desta geometria: que a curvatura do espaço-tempo é devida à presença da matéria-energia.

Que o tempo seja a quarta dimensão, significa, que está ligado ao movimento no espaço. Segundo a relatividade, o tempo pode passar a diferentes velocidades, dependendo da rapidez com que alguém se mova. Quando uma velocidade se aproxima à da luz, o tempo passa mais lentamente. Experiências cuidadas, feitas com relógios atómicos postos em órbita à volta da Terra, confirmaram, que um relógio na Terra e outro num foguete no espaço exterior andam a velocidades diferentes.

Em 1919, Einstein recebeu uma carta de Theodr Kaluza, que desenvolvia em cinco dimensões, as equações de campo para a gravidade (o tensor métrico de Riemann pode formular-se num número qualquer de dimensões). Logo, demonstrava que estas equações continham a teoria tetra dimensional de Einstein, com um elemento adicional. O que comoveu Einstein, foi que este elemento era, precisamente, a teoria da luz, de Maxwell. Um cientista desconhecido, estava a propor combinar, de uma virada, as duas maiores teorias de campos conhecidas – a de Maxwell e a de Einstein – misturando-as na quinta dimensão.

A energia do átomo

Aos universitários de 1900, ensinava-se-lhes que a matéria era constituída por átomos. Mas ninguém sabia de que eram feitos. Rutherford, comprovou, que aquelas bolas estavam quase ocas, com uma minúscula marca no centro, à que chamou núcleo. Os átomos estão vazios em 99%. Depois saberíamos que o protão é 1836 vezes mais pesado que o electrão, ou seja, um diminuto grão de uma grama, girando na última bancada de um campo de futebol em volta de uma melancia de quase dois quilos, colocada no centro do campo.

«(…)O ponto que se desenha sobre um «i», tem mais protões que estrelas existentes na nossa galáxia e, porém, a quinta parte de um protão é suficiente para gerar 200 MeV de energia.(…)»

O que acontecia, dentro do núcleo, foi descoberto por uma cientista solitária perdida em Estocolmo. Uns meses antes, Lise Meitner era uma das investigadoras mais brilhantes da Alemanha (Einstein chamava-a «nossa madame Curie»), mas a sua condição de mulher e de judia, fê-la abandonar o seu país, e ver como outros se atribuíam o mérito das suas descobertas. Numa experiência desenhada por ela, os protões e os neutrões fortemente unidos do urânio, separaram-se, desprendendo potentes feixes de energia.

O ponto que se desenha sobre um «i», tem mais protões que estrelas existentes na nossa galáxia e, porém, a quinta parte de um protão é suficiente para gerar 200 MeV de energia. Um íman do tamanho de um edifício – suficiente para levantar um camião – poderia, fornecendo-lhe mais electricidade, do que a que utiliza normalmente uma cidade inteira, comunicar a uma partícula, 100 MeV de energia. E agora, resultava, que aquele ente minúsculo, era capaz de produzir oito vezes mais.

O burro de Sancho e o gato de Schrödinger

A relatividade, aplica-se às altas velocidades, e caracteriza-se por uma constante universal, a velocidade da luz “c”. A Física quântica, aplica-se às dimensões pequenas, e caracteriza-se pela constante universal de Planck “h”. Chama-se longitude de Planck, a uma fracção de centímetro, que se escreve com um ponto, 32 zeros e um 1. Se insuflássemos um átomo até ao tamanho de todo o universo, a longitude de Planck, teria crescido só até ao tamanho de uma árvore.

Niels Bohr, trabalhou sobre o modelo do átomo de Rutherford, que se vê, como um núcleo compacto rodeado por um enxame de electrões mais ligeiros. Demonstrou, que os electrões passam de um estado de energia a outro, em saltos quânticos descontínuos, de “h” em “h” (constante de Planck).

Havia um elemento inconcebível nesta descrição. Ao mudar de uma órbita para outra, o electrão não passava pelos estados intermédios, pela simples razão de que são posições não permitidas pela divisão quântizada da energia. Se um electrão, no seu caminho noutra órbita, pudesse passar pelos pontos intermédios, seria sinal de que pode existir ali. Um coelho, que brinca, passa, ainda que seja pelo ar, por todos os pontos intermédios, entre salto e salto. A energia não.

Quando De Broglie descobriu a natureza ondulante dos electrões, aconteceu algo de extrema gravidade; a matéria nunca mais foi essa aristotélica substância, com um lugar que não pode ser ocupado por outra substância, simultaneamente. De Broglie, considerou a partícula caracterizada por um conjunto de ondas; o mesmo que um som, que não se produz por uma onda pura mas pelo tom e suas harmónicas. Pôs em hipótese, que talvez existisse o que ele deu em chamar «onda piloto», uma espécie de anjo da guarda que guia ao electrão.

A equação de onda de Schrödinger, descreve as probabilidades que governam o movimento das partículas subatómicas, e prevê as suas propriedades, com absoluta exatidão. A observação, produz o colapso da função da onda e a localização da partícula.

Schrödinger, comparava a situação dos electrões, à do burro do fiel escudeiro de Dom Quixote, num de seus capítulos: primeiro tem-no, logo que lho roubam, recupera-o, e torna a perdê-lo. Sancho, passa de tê-lo a não tê-lo, alternadamente.

Para ilustrar a superposição de estados que responde a esta equação, o físico idealizou um jogo mental. È difícil encontrar a um gato que tenha causado mais quebra-cabeças aos cientistas do que o gato de Schrödinger; se fizermos excepção, claro está, ao concebido pelo matemático Lewis Carrol, no seu «Alice no país das maravilhas», que se esquecia do seu sorriso, entretanto, o seu corpo já se tido ido.

Colocou um gato imaginário numa caixa fechada. O gato está de frente para uma pistola ligada a uma contador Geiger que, por sua vez, está ligado a um fragmento de urânio. O átomo de urânio é instável e sofrerá uma desintegração radioativa. Quando se desintegrar, será detectado pelo contador Geiger, que então disparara a pistola, cuja bala matará o gato.

Qual é o estado do gato antes de se abrir a caixa? Segundo a teoria quântica, só podemos afirmar que o gato está descrito por uma função de onda, que é a soma de um gato morto e um gato vivo. Os físicos dizem, que uma observação, colapsa a onda de probabilidade e dá lugar a uma só probabilidade.

Heisenberg, rematou o trabalho mental, introduzindo no coração da matéria, a incerteza. Não podemos conhecer, de maneira simultânea e precisa, a posição e a quantidade de movimento de uma partícula subatómica. Não é um problema de iluminação (já que, um fotão converte-se num carro destruidor a tão pequena escala); é que não estão determinadas, não existem antes da observação.

Em 1927, Bohr concluiu o dilema entre onda e partícula, com o seu princípio de complementaridade; tanto a matéria como a energia têm manifestações corpusculares e ondulatórias. Onda e partícula são estados complementares. O electrão é ambas as coisas, enquanto uma experiência não distinguir alguma delas. Na realidade, é a solução de Bohr a que nos custa entender.

Um vazio vivo

Em 1933, Dirac e Heisenberg compartilharam o Prémio Nobel, ambos tão jovens que puderam dirigir-se às suas mães. Dirac revelou a existência do positrão (ou electrão positivo), confirmada experimentalmente, posteriormente. Com ele, a antimatéria saltou para a discussão.

A antimatéria é uma imagem gémea e reflectida da matéria. Ambas respondem às forças naturais de maneira idêntica, e podem-se aniquilar mutuamente, produzindo uma grande quantidade de energia resplandecente. Este é um processo muito frequente nos laboratórios.

O aspecto mais assombroso da teria quântica, é a sua descrição do vazio como qualquer coisa menos vazia. Previu, para medidas na longitude de Planck, uma estranha descrição de um vazio vivo, no que, pares de partículas e antipartículas, aparecem do nada para a existência, e de novo regressam ao nada. Este mar de vida pulsante, como é virtual, não é medível.

Heisenberg, deduziu a presença de uma simetria oculta, no desenho da Natureza. Desde a descoberta do neutrão por Chadwick, os físicos descobriram que a população sub-nuclear, não só tem gémeos, como trigémeos e inclusive, octogémios. O repentino nascimento de tantas partículas angustiou, quem estava encarregado, de registar os seus nomes.

Na variedade do zoo quântico, encontramos desde o enigmático neutrino (para o qual a matéria é tão translúcida que, procedente do Sol, cruza o nosso planeta sem mostrar sequer distúrbios na sua trajetória) até o sociável fotão, que se põe a alterar com o primeiro que passe, com carga (eléctrica).

O estranho mundo das dimensões

Os cientistas sentiram-se intrigados pela aparente diferença entre as forças básicas; a gravidade, o electromagnetismo e as forças nucleares forte e débil. A teoria das múltiplas dimensões, permite uni-las, e explicar a aparentemente aleatória coleção de partículas subatómicas. Glashow, Salam e Weinberg mostraram, que a uma energia e a temperatura suficientemente altas, os campos de forças, electromagnética e débil, dissolvem-se uma na outra. Quando a temperatura começa a cair, esse original campo unificado, cristaliza-se nas diversas forças que nos parecem tão notoriamente divergentes, como a gravitação e a luz.

Michael Green e John Schwarz demonstraram a consistência de uma versão mais avançada da teoria de Kaluza-Klein, chamada teoria de super cordas, que postula que toda a matéria consiste em minúsculas cordas vibrantes. É a maneira de vibrar – e não a mesma corda – o que produz um electrão, um fotão, um quark up ou qualquer outra partícula. Além disso, uma corda vibra só em múltiplos inteiros da energia de Planck.

O problema fundamental desta teoria, é que ninguém sabe como seleccionar à solução correcta, de entre os milhões de soluções que se descobriram, e é impossível, estudar a estrutura da matéria a esta escala, em experiências realizadas em laboratórios terrestres; fazê-lo exigiria um acelerador de partículas maior que a própria Terra.

Para as cordas, alguns resultados indicam que há uma simetria em jogo, e aqui entra em cena o trabalho de Ramanujan, com o qual, o enunciado correcto da teoria seria: as leis da Natureza simplificam-se quando se expressam de forma coerente em dimensões mais elevadas. Isto, obriga-nos a utilizar as funções modulares de Ramanujan, que fixam em dez, as dimensões do espaço-tempo.

Srinivasa Ramanujan, foi um matemático hindu muito enigmático. Era extremamente pobre. Não recebeu nenhuma formação e, sem nenhum contacto com o mundo ocidental, redescobriu por si mesmo o mais valioso da matemática do seu tempo, deixando-nos mais de 4000 fórmulas e teoremas de incrível força, cuja explicação e interpretação, ainda hoje não se concluíram. Tinha tal intuição das coisas, que estas simplesmente fluíam de seu cérebro. Dizia que as fórmulas lhe eram ditadas nos sonhos, pelos deuses.

O matemático britânico Hardy, recordava, que uma vez foi visitá-lo quando ele estava doente e o táxi que o levou tinha o número 1729. Comentou que o número lhe parecia bastante feio, e que esperava que não fosse um mau presságio. «Não – replicou Ramanujan -, é um número muito interessante; é o número mais pequeno, que se pode expressarl como uma soma de dois cubos, em duas formas diferentes». Sim. É a soma de 1 ao cubo (+) 12 ao cubo, e também a soma de 9 ao cubo (+) 10 ao cubo. Ramanujan, era capaz de recitar teoremas complexos de aritmética, cuja demonstração requeria um computador moderno.

Morreu em 1920, aos 33 anos, chegando até nós só no seu último ano de vida; entretanto, morria o equivalente a uma vida inteira de trabalho, de um grandíssimo matemático. Uma função, que aparece continuamente na teoria das funções modulares, denomina-se função de Ramanujan, em sua honra.

Dimensões e super-poderes

Imaginemo-nos capazes atravessar as paredes, de desaparecer e reaparecer à vontade ou de alcançar o interior de um objetivo sem abri-lo. Quem pode possuir tais poderes? A resposta é: um ser de um mundo de mais dimensões.

Num mundo plano de duas dimensões, não existe «em cima» e «em baixo». Ali somos omnipotentes. Os seus habitantes viveriam em algo similar a uma folha de papel. Para prender um criminoso, simplesmente desenharíamos um círculo à sua volta, já que ele não pode «saltar». A linha do círculo é para ele uma barreira intransponível. Se nós, de cima, tomarmos a sua mão e lha «levantamos», o carcereiro pensará que o prisioneiro se desagregou no ar. Se o soltarmos fora do círculo, o guarda velo-à aparecer do nada. Ele consideraria mágicos os nossos poderes; nós, todavia, saberíamos que não se trata de magia, mas de uma perspectiva com outra dimensão.

Analogamente, se nos tirassem de nosso universo tridimensional e nos arrastassem para uma quarta dimensão, seria inútil o nosso sentido comum. Um homem poderia tornar-se invisível, por exemplo, se pudesse saltar para uma dimensão superior.

Em 1982, Aspect demonstrou com fotões, que as partículas estão correlacionadas quânticamente, quer dizer, reagem como se «soubessem» o que fez a outra partícula, seja qual for a distância que as separa. Toda a função de onda, comparticipa qualidades não locais, que é o mesmo que dizer, que comparticipa umas qualidades mágicas.

A teoria do hiperespaço coloca também a questão de se poder viajar pelo espaço-tempo. Imaginemos uma raça de minúsculos vermes planos, que vivem na superfície de uma grande maça. Para estes vermes, é obvio que seu mundo – que eles chamam Maçalândia -, é plano e bidimensional, como eles mesmos. No entanto, um verme chamado Colombo, está obcecado pela ideia de que a Maçalândia é finita, e está curvada em algo que ele chama a terceira dimensão. Inclusive, inventa duas novas palavras, em cima e em baixo, para descrever o movimento nesta invisível terceira dimensão.

Um dia, Colombo empreende uma viagem e desaparece no horizonte. Com o tempo regressa ao seu ponto de partida, provando que a Maçalândia está curvada na invisível terceira dimensão. Inclusive descobre que há outra forma de viajar entre pontos distantes: furando a maçã e criando um atalho para as terras longínquas. A estes túneis, que reduzem o tempo e os incómodos de uma longa viagem, chama-os buracos de verme. Estes demonstram que o caminho mais curto entre dois pontos não é necessariamente uma linha recta, como a ele lhe ensinaram, mas um buraco de verme. Este é o nome, que utiliza hoje a Física, para uns hipotéticos caminhos que ligariam diferentes universos.

«(…)pode considerar-se um sistema biológico como uma totalidade não dividida, que pode ser descrita por uma função de onda única. O ser humano é uma unidade de consciência.(…)»

Os nossos cérebros evoluíram para solucionar emergências em três dimensões. Para percebe-las, necessita-se o descodificador correspondente. As cores, necessitam do observador humano, mas o espectro luminoso correspondente, não.

Mesmo que haja vibrações visíveis – como a luz – e invisíveis – como os infravermelhos -, não nos deve estranhar que haja vibrações que, pela sua frequência, velocidade, tipo de movimento ou forma, sejam indetectáveis, com os nossos meios materiais, porque não sofrem o indispensável colapso de onda ao chocar com os nossos receptores ou detectores.

«(…)A consciência, está ligada ao aspecto onda ou aspecto energético, enquanto que o corpo, tem origem no aspecto material ou corpuscular.(…)»

As novas dimensões, não há procurá-las em coordenadas parecidas às tridimensionais, mas em características vibracionais e de campo.

Ciência e consciência

A nova Física, aceita que a partícula e a onda são duas caras de uma moeda, e o que se comporta como uma partícula é, na realidade, um campo vibratório, que num dado momento, colapsa a função ondulatória.

As experiências demonstraram que, ao nível das partículas elementares, toda a matéria é energia. No mundo quântico dá-se a ligação entre a energia e a matéria, e é onde a complementaridade, entre a matéria e a consciência, se torna mais tangível. O nosso corpo, está constituído por átomos e por partículas subatómicas, e as leis que os regem, influenciam o seu funcionamento, tanto ao nível físico, como nos diferentes planos de consciência. A Física quântica abarca a dimensão energética do ser humano.

A consciência, está ligada ao aspecto onda ou aspecto energético, enquanto que o corpo, tem origem no aspecto material ou corpuscular.

A ordem molecular do corpo físico, é um reticulado de campos de energia entrelaçados e, por isso, está em vibração contínua, tal como acolhe um antigo princípio hermético, segundo o qual, nada está imóvel. As diversas manifestações da matéria, a força, a mente e o espírito, são o resultado de diferentes estados vibratórios.

As frequências mais baixas correspondem ao nível físico, enquanto que as frequências mais altas dão-se ao nível emocional, mental ou espiritual. Entre ambos os pólos, há toda uma gama de intensidades vibratórias. À medida que vamos ascendendo na escala da evolução, esta banda de frequências vai-se ampliando.

Sabe-se, que matérias de frequências diferentes, podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, sem se destruírem mutuamente. O ser humano, é um ser multidimensional pela sua própria natureza.

«(…)As diversas manifestações da matéria, a força, a mente e o espírito, são o resultado de diferentes estados vibratórios.(…)»

O «quanto», a unidade mais pequena de energia, faz a ponte, de um nível de funcionamento, para um estado vibratório superior. Podemos conceber uma transição quântica, como mais do que um simples salto de eletrões, como uma mudança de energia entre um modo vibratório e outro.

Segundo a visão quântica, os sistemas podem penetrar um no outro, e formar parte de uma de uma nova identidade. Para lá de certo umbral ou certa frequência crítica, todas as moléculas vibram em uníssono, perdem a sua identidade individual, e comportam-se como uma totalidade, compartilhando a mesma função de onda. Assim, por exemplo, passamos da partícula subatómica ao átomo ou do átomo à molécula. Cada partícula perde a sua própria identidade, mas o conjunto, conserva a «consciência de grupo». Em 1995, criou-se o primeiro resumo de Bose-Einstein, onde se consegue esta perda de identidade individual da matéria submetendo os átomos a baixíssimas temperaturas, com o que ficam apanhados num só estado quântico.

Deste ponto de vista, pode considerar-se um sistema biológico como uma totalidade não dividida, que pode ser descrita por uma função de onda única. O ser humano é uma unidade de consciência.

Na sua faceta de onda, podemos comparar a consciência com uma luz laser. Uma lanterna normal produz luz de muitas longitudes de onda diferentes, emitidas em muitas direções. Um laser, gera ondas luminosas com uma única longitude de onda, em fase umas com as outras, e todas na mesma direção. Isto faz com que a luz laser seja de uma cor muito pura e extremamente intensa.

Simplificando os casos possíveis, a interferência construtiva, produz-se nos pontos em que duas ondas da mesma frequência estão em fase, quer dizer, quando as cristas e os vales de ambas as ondas coincidem. Nesse caso, as duas ondas reforçam-se mutuamente e formam uma onda cuja amplitude é igual à soma das amplitudes individuais das ondas originais. Uma faz de luz, é coerente quando as suas ondas se propagam de forma compassada ou em fase. A interferência destrutiva, produz-se quando as duas ondas da mesma frequência estão completamente desfasadas, uma em relação à outra, quer dizer, quando a crista de uma onda coincide com o vale de outra. Neste caso, as duas ondas anulam-se mutuamente.

«(…)O poder do pensamento é fabuloso, e influência directamente a energia subtil, que é maleável à intenção humana. O caminho da vida, vamo-lo construindo nós mesmos, a cada instante. É a pessoa, ela própria, que colapsa a onda das probabilidades, e a fixa, como partícula da experiência, cada vez que escolhemos, a todo o momento; e assim se vai manifestando a nossa realidade.(…)»

A base física da consciência poder-se-ia definir como um estado quântico altamente coerente. Por efeito do pensamento coerente e harmónico, há uma amplificação da energia. Quanto mais harmónicos e coerentes forem, mais alienação haverá a nível subatómico, dando lugar a uma força maior de atração irradiada para o exterior.

O poder do pensamento é fabuloso, e influência directamente a energia subtil, que é maleável à intenção humana. O caminho da vida, vamo-lo construindo nós mesmos, a cada instante. É a pessoa, ela própria, que colapsa a onda das probabilidades, e a fixa, como partícula da experiência, cada vez que escolhemos, a todo o momento; e assim se vai manifestando a nossa realidade. A experiência de Aspect, demonstrou que os fotões estavam correlacionados quânticamente. Parece que a correlação quântica desempenha um papel importante nos modos de pensamento consciente.

Refere Ramón Marqués, que podemos imaginar, que o universo é o produto de uma grande expansão vibratória, e não de uma «explosão de matéria». O que se expande, é o espaço vibratório e este arrasta à matéria, com um ritmo e uma precisão imperturbáveis. Não ao contrário. A energia livre, é transportada por este espaço vibratório à velocidade da luz, porque nenhum objecto, pode ir mais depressa que o camião que o transporta.

O efeito de travagem, que comporta o colapso de onda e que é um fenómeno de interferência de ondas, explicaria a inércia, a massa, a gravidade e as forças de interação das partículas.

Segundo Bohm, a ordem do universo encontra-se num nível subjacente à matéria, mais além dos quantos e mais além do espaço e do tempo; a este nível mais profundo chamou-lhe ordem implicada.

A ordem implicada seria perfeita, e conteria a informação da totalidade, análoga a um holograma, em que cada uma das partes, contem a totalidade. Há simultaneidade e sincronicidade; portanto, nem o espaço nem o tempo, são já factores dominantes, para determinar as relações entre diferentes elementos. Esta ordem, quando é rompida, seria o externo, tudo o que está manifestado.
Muitos dos fenómenos paranormais, não respeitam as restrições que o espaço impõe, como a clarividência, a telepatia ou a telecinesia. São fenómenos nos quais intervêm uma intenção mental, que parece comportar-se em certas ocasiões, como os acontecimentos quânticos, que ultrapassam as limitações impostas pelo tecido espaço temporal.

E, deste modo, o nosso passeio pelas conjecturas e soluções da Física conduz-nos a uma pergunta inevitável. Depende de mim o mundo que me rodeia e a minha própria vida? A professora Delia Steinberg, responde-nos:

«Não se pode permanecer estático, deixando que a vida passe por cima de nós, para depois pôr-lhe a culpa das nossas contradições. (…) Por isso, temos de começar por aprender a viver (…) as verdadeiras experiências, as importantes, as que indicam um rumo a seguir».

Esmeralda Merino


Bibliografia:

Hiperespaço – Michio Kaku.Ed. Crítica, coleção Drakontos, 1994.

A dimensão quântica. Da Física Quântica à Consciência -Teresa Versyp. Edição da autora, 2005

A Ciência perante o século XXI – Dennis Flanagan. Temas de Hoje. Madrid, 1989

E=MC2. A biografia da equação mais famosa do mundo – David Bodanis .Planeta Barcelona, 2004

O burro de Sancho e o gato – Schrodinger

Um passeio a trote por cem anos de Física quântica e a sua inesperada relação com a consciência – Luis González de Alba.Paidós. Barcelona, 2000

Tenebrosa simetría – A. Zee. Ellago Edições. Castellón, 2005

Descobertas estrelares da Física Quântica – Ramón Marqués. Ed. Indigo. Barcelona, 2003

E tu, que sabes? – Filme escrito por William Arntz, Betsy Chasse e Matthew Hoffman.Universal Pictures, 2006

Artigos:

A paisagem da teoria de cordas – Raphael Bousso e Joseph Polchinski

Revista Investigação e Ciência, temas 43, ler. Trimestre 2006

A informação no universo holográfico – Jacob D. Bekenstein

Revista Investigação e Ciência, temas 43, ler. Trimestre 2006

Os mistérios da massa – Gordon Kane

Revista Investigação e Ciência, temas 43, ler. Trimestre 2006

Átomos do espaço e do tempo – Lee Smolin

Revista Investigação e Ciência, temas 43, ler. Trimestre 2006

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