Maximo Sandin: Uma Alternativa à Fábula Darwinista

Autor

Nova Acrópole

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O Darwinismo oscila como “doutrina indiscutível” aos olhos deste doutor em Bio-antropologia, que nega o conceito de selecção natural como motor da evolução da vida.

Temos a honra de entrevistar Máximo Sandin, doutor em Ciências Biológicas e em Bio-antropologia. Ele foi professor de Evolução Humana e Ecologia do Departamento de Biologia da Universidade Autónoma de Madrid. Refere que prefere retirar-se do ensino universitário antes da chegada do Processo de Bolonha “.

 

Qual é a importância do darwinismo?

Clarifiquemos que Darwin não é, como parece que nos querem fazer crer, ” o autor da descoberta da evolução.” No século XVIII, especialmente em França e na Alemanha, existiam já cientistas evolucionistas que explicavam e sobretudo estudavam a evolução através do método científico.

Por exemplo, Lamarck, que foi o primeiro cientista que escreveu um livro sobre a evolução, era um especialista, entre outras coisas, em anatomia comparada e em paleontologia; Geoffroy Sanit Hillaire estudava a evolução através de experiencias com embriões de pintos; Frederic Gerard e o alemão Heinrich-Georg Bronn eram famosos paleontólogos, e as contribuições de todos eles apresentam-se no bom caminho, à luz das recentes descobertas. No entanto, parecem ter desaparecido da história da biologia “oficial” por causa da mitificação de Darwin.

Quanto ao darwinismo, é preciso distinguir entre a “contribuição” de Darwin e aquilo que foi criado em torno dele. O seu livro A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Manutenção de Raças Favorecidas na Luta pela Existência, é baseado na observação de animais domésticos e plantas e, como ele mesmo explica “na leitura de textos especialmente relacionados com produtos domesticados, através de estudos publicados, discussões com especialistas, agricultores, jardineiros e extensa literatura”. Daí, a sua extrapolação da selecção oriunda de produtores pecuários e agricultores, o que é uma distorção dos fenómenos naturais, para uma suposta seleção “natural”.

No que se refere à concepção da Natureza, que justifica a selecção através da concorrência (a luta pela existência), foi fornecida pela leitura do Ensaio sobre o Princípio da População, do Reverendo Robert Thomas Malthus. De facto, em A Origem das Espécies … Darwin escreve que a sua “teoria” é “a doutrina de Malthus aplicada com multiplicada força aos reinos animal e vegetal.” Ou seja, a concepção darwinista da vida teve a sua origem em ideias (ou conceitos) sociais e a sua “explicação” da evolução, nas práticas artificiais de produtores pecuários e agricultores. Em suma, totalmente de costas viradas à natureza.

Segundo o professor Sandin, há uma relação clara, dificilmente contestável, entre darwinismo e a teoria do livre mercado de Adam Smith; refere que Malthus era um economista discípulo de Adam Smith, e a ligação com a economia “de livre mercado” é evidente, Nos termos utilizados para qualificar os fenómenos biológicos (relação custo-benefício, exploração dos recursos, concorrência, vantagens, sucesso e fracasso e outros tantos). Afirma também, que quando os darwinistas defendem as suas ideias sobre a Natureza e sobre as relações entre os seres vivos, fazem-no influenciados pelo pensamento calvinista da época, em que o individualismo e a predestinação têm um papel importante.

 

A teoria da evolução de Darwin, o que significa na realidade?

Desculpar-me-á, mas a designação de “teoria da evolução de Darwin” é imprecisa (entre outras coisas, porque nunca foi uma teoria científica formulada de forma clara). Ele falava sobre a origem das espécies, mas a expressão “evolução” não aparece até à sexta edição do seu livro, que é a que está hoje em circulação. Porque Darwin, acossado por críticas de cientistas evolucionistas, publicou sucessivas edições “assessorado” por Huxley, Hooker e Lyell, que tinham um grande poder científico e político e uma ideologia favorável à selecção “natural”. Devemos estar cientes de que o livro A Origem das Espécies não é exatamente de “Darwin”, mas, ainda assim, padece de uma inconsistência notoria quer científica quer conceptual.

Por exemplo, mistura as noções de uso e desuso e a influência das condições de vida com a seleção natural, o que é uma contradição, porque se todos os animais se podem transformar pelo “uso e desuso” e pelas “condições de vida ” não há nada para” seleccionar “.

A sua “teoria”, que considerou “final”, é a que elaborou quando percebeu que do que pretendia falar era sobre a evolução: “a pangênese “, segundo a qual, cada órgão do corpo emitia umas “gêmulas “, pelas quais transmitiam aos seus descendentes as características adquiridas pelos pais ao longo da sua vida. Mas os seus “protectores” repreenderam-no, porque o que eles gostavam era da selecção, porque isso levava a que a vida fosse uma competição constante, e que a Natureza premeia naturalmente os “mais aptos”, principalmente o homem.

Esses homens poderosos (alguns que compunham o X-Club, que é interessante investigar) foram aqueles que impuseram o seu darwinismo, ao contrário das opiniões de cientistas evolucionistas da época.

 

Se Adam Smith defende um mercado livre selvagem, aonde é que nos conduz o “gene egoísta”?

Eu cheguei a qualificar o livro de Richard Dawkins, O Gene Egoísta, que o seu autor defendia como “a versão actualizada do darwinismo”, como “a segunda grande catástrofe da história da biologia” (suponho que se pode presumir qual considero a primeira). Para Adam Smith, é o egoísmo do cervejeiro, do padeiro …que faz funcionar a sociedade. Para Dawkins, é do egoísmo do gene que a Natureza emerge.

Os argumentos não têm uma base científica real (os genes actuam como os ” prósperos gangsters de Chicago “, os genes dos filhos “competem para ser mais espertos que os dos pais”, etc.). Ou seja, levam-nos a uma distorção dos fenómenos da vida. Ultimamente, ele tem-se dedicado inteiramente ao debate criacionismo-darwinismo (evolucionismo, na sua astuta designação) e a “demonstrar cientificamente” a inexistência de Deus, o que é tão absurdo para um cientista como a tentativa de um criacionista tentar refutar a ciência com argumentos religiosos.

Tem-se falado de DNA lixo. Será que a natureza faz coisas inúteis?

O conceito de “DNA lixo” é derivado da concepção patológica de que os genes são egoístas e competem com outros genes para se expandirem nos genomas, ou que deixam vestígios de genes “inúteis” (sucata) nos cromossomos. Assim, quando foi anunciada “a sequência do genoma humano”, o que se obteve foram as sequências dos genes codificadores de proteínas (1,5% da totalidade do genoma), porque se considerava que o resto era “sucata”, sem interesse. Daí a surpresa de que teríamos apenas cerca de 23 mil genes, enquanto alguns vermes como o C.elegans, têm cerca de 19 mil, ou que compartilhamos 90% do genoma com o rato ou o porco. A questão é que, só muito mais tarde, se começou a estudar o “DNA lixo” e se provou que é uma parte essencial dos genomas, e que os chamados “genes” (entre aspas) não têm identidade ou significado real, porque são sequências fragmentárias dispersas pelo genoma, como “sílabas sem sentido” e que é a fração formada por vírus endógenos e os seus derivados, elementos móveis e sequências repetidas, que regulam, conectam e dão sentido a essas sílabas em função das necessidades do organismo, das condições ambientais e do organismo em que se encontram.

O senhor disse em certa ocasião que a biologia está numa situação esquizofrénica. Porquê?

Na verdade, eu disse-o numa entrevista, mas eu gostaria de o esclarecer, porque creio que pode ser ofensivo para algumas pessoas, às quais peço desculpas; mas refiro-me à seguinte situação: há cientistas que estão a trabalhar seriamente no que é conhecido como “Investigação Básica “, que está a tornar-se cada vez mais difícil de financiar porque não tem aplicação prática imediata. Eles são aqueles que estão a descobrir, por exemplo, que os supostos “genes” não possuem identidade real e que a informação genética é o produto de uma rede extraordinariamente complexa, em que estão envolvidos o ADN, o ARN e milhares de proteínas que interagem em função do organismo onde estejam e das condições ambientais; o que desfaz não só a base conceptual das manipulações genéticas, mas também a base darwinista que as sustenta, e, entretanto, o darwinismo ainda é ensinado nas universidades como a “doutrina” indiscutível e existem “cientistas” que são os únicos aplaudidos pelos meios de comunicação e financiados pela indústria farmacêutica e de “biotecnologica”, que, contra as evidências, continuam à procura dos genes (da fracção codificante das proteínas) associados estatisticamente (!) com doenças, que se supõe ser para “os ordenar” gratuitamente. Suponho que você sabe que há mais de 200 dos nossos supostos “genes” patenteados…

Hector Gil e Emeralda Merino.

Site oficial de Máximo Sandin: www.somosbacteriasyvirus.com


NT : Gêmulas são a parte do embrião da semente que dará origem às folhas de uma nova planta.

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