MIGUEL TORGA – A esfinge de pedra que penetrou na Alma Grega e Romana
Foi assim que José Carlos Fernández, Diretor Nacional da Nova Acrópole de Portugal, iniciou e encerrou esta atividade relacionada com Miguel Torga e os Mitos Gregos.
No passado dia 27 de Julho de 2021 tivemos a segunda atividade inserida no II CICLO DE «CONFERÊNCIAS DE VERÃO» no Parque dos Poetas sobre o mote «MITOS, POETAS E FILÓSOFOS».
Tendo sido muito bem acolhida pelo público, em geral, e pelos Oeirenses, em particular, esta atividade teve o seu início junto ao espaço Miguel Torga, onde foram recitados alguns poemas deste importante escritor.
Enquadrados visualmente junto à sua estátua, o grupo de Artes Orpheu recitou maravilhosamente os vários poemas do autor, podendo nomear-se, Retrato, Perenidade, Ao Sol, A Vénus, Cântico Fraterno, A Baco, À Beleza, Ao Fogo, À Primavera, Dies Irae, Eterno Feminino, Último Reduto, A Diana, À Terra, À Água.
Após o Recital, chegou o momento da conferência do Professor José Carlos Fernández. O público deslocou-se para o Templo da Poesia, onde os presentes foram brindados com uma explicação filosófica sobre os poemas declamados.
Enquanto eram projetadas lindas imagens de quadros de famosos pintores. Botticelli, Rubens, entre outros, o Prof. José Carlos Fernández, abordou as várias poesias anteriormente recitadas, atribuindo significados e diversos entendimentos do seu estudo da Obra de Miguel Torga.
Relacionou a alma da revolta com a dignidade do ser humano, um dos elementos principais da filosofia grega; explicou como para o poeta e para os antigos filósofos, o ser humano é um Deus; falou do cântico fraterno, da ligação entre os seres humanos, e dos seus elos, dos seus vínculos e de como Hermes é o Deus dos vínculos e da necessidade da ligação humano.
O passado é o passado – já morreu
Grande é o futuro, por nascer.
Nenhum fruto maduro prometeu
O que a semente pode prometer
Proferiu a sensibilidade do poeta, como pura mitologia grega e romana, como panteísta e como alma da natureza.
Tocas numa pedra e ela treme!
sente-se o palpitar, murmura-se uma prece e a boca grita!
a rabiça do arado é como um leme
sobre a terra que ondula e ressuscita
(abrir a terra para o ar, para a luz e assim a chuva penetrar).
🌷Eu quero semear poesia na terra…Diz Miguel Torga
Falou-se da luz da Primavera, abrirmos como as flores, também a alma humana desperta e floresce. No inverno a alma mergulha em si própria e vai querer abrir-se com a luz da primavera.
O ser humano é cocriador de Deus, uma ideia muito vincada no mundo Grego e-Romano.
O homem é livre e tem a centelha de Deus na sua vida.
Por fim diz José Carlos Fernández, que Miguel Torga é a pedra que se converte em fonte.⛲