Mística e Simbolismo de um Raio de Luz

Um raio de luz: «É um símbolo da quinta-essência do amor, dando vida e calor a tudo quanto beija; da justiça, determinando a sua medida e proporção;

da bondade, trazendo-nos para a existência desde as sombras do esquecimento e condenando-se a quase morrer para entrar na substância dos seres vivos, sendo o “pão” que lhes serve de alimento;

da sabedoria, ao permitir que não percorramos o mundo às cegas, deixando de sermos prisioneiros dos fantasmas movediços das opiniões;

da inteligência, percebendo objectivamente a forma e a natureza, o verdadeiro significado daquilo que se aproxima da nossa alma e do caminho para chegar à realização dos nossos sonhos;

da vontade, pois não há nada mais perseverante, mais vivo, mais incessante e perpétuo do que um raio de luz;

é a imagem viva daquilo que nunca morre, simplesmente segue um rumo ou outro. Verás um raio de luz livre, chegando desde as estrelas no infinito, ou prisioneiro na matéria que graças a ele vive;

e outra vez livre ao arder esta no fogo… mas nunca o verás nem morrer nem renunciar a sua natureza.

Sim, Hipátia, o fogo, o sacrifício, a busca da liberdade é a nossa verdadeira natureza e a luz, o nosso último e eterno ideal. Podes saber sempre se vais por um caminho recto ou errado conforme estejas mais próximo ou mais afastado deste Ideal, se dás mais ou menos luz a quem te rodeia.

A vida é sempre luz, e a luz é sempre vida, nas suas mil formas e nomes. Verás sempre a lançar-se para o abismo querendo, por generosidade, desposar-se com as sombras e estas a transmutarem-se na sua presença.

A luz, por amor, quer levar a sua vida e alegria às sombras da matéria, mas ao chegar a elas encontra-se sempre consigo mesma, como se a matéria fosse um espelho e junto à sua própria imagem, um duplo luminoso; certamente voa de regresso ao Sol de Vontade que a lançou para o cenário do mundo.

“… o fogo, o sacrifício, a busca da liberdade é a nossa verdadeira natureza e a luz, o nosso último e eterno ideal. Podes saber sempre se vais por um caminho recto ou errado conforme estejas mais próximo ou mais afastado deste Ideal, se dás mais ou menos luz a quem te rodeia”

Se conseguíssemos expressar numa ciência como é que um raio de luz vê a vida, – tinha-lhe dito este mesmo Sacerdote de Serápis – talvez chegássemos a saber que no seio deste raio, tempos e distâncias desaparecem e fica a natureza pura, sem atributos nem categorias que aprisionem a sua essência.

Talvez descobríssemos que um raio de luz é um raio de Eternidade. Há sábios da Índia que, interpretando os seus livros sagrados, denominados Vedas, e não sei como, afirmam ter determinado a sua velocidade.

E dizem que é tal que pode dar a volta à nossa Mãe, a Terra, no tempo que dura um pestanejar.

Também afirmam que demora milhares de séculos a chegar desde estrelas que eles dizem que não são tais, mas nuvens, em que cada estrela seria o equivalente a uma gota de água.

Talvez isto seja certo, mas também deve ser o facto de que no seio da luz não há tempo, medidas nem distâncias, embora a luz seja a causa de tempos, medidas e distâncias.»


José Carlos Fernández

Director Nacional da Nova Acrópole de Portugal

Excerto de “Viagem Iniciática de Hipátia”

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