Enquanto estou sentado em frente ao meu computador alimentado pela corrente alternada, iluminado pela luz florescente, aquecido pela água empurrada por um motor de indução, enquanto escuto música na rádio e me preparo para enviar mensagens por todo o mundo através do módem, uso o legado de Tesla.

Robert Lomas(Do livro O homem que inventou o séc. XX)

Nasceu à meia-noite e dez de 11 de Julho de 1856 em Smiljan, num povoado junto à cidade de Gospic, hoje República da Croácia. Naquele tempo a população de Smiljan pertencia à chamada Vojna Krajina na Monarquia Austro-húngara.

Tesla apreciava e respeitava muito os seus pais, sobretudo o seu pai Milutin que era cura ortodoxo com uma ampla educação. Tinha uma memória excepcional e cedo recitava de memória grandes textos em vários idiomas. Dizia em jeito de brincadeira que poderia reconstruir os antigos clássicos se as suas obras se perdessem. Ensinava ao seu filho várias destrezas úteis para toda a vida, por exemplo, adivinhar os pensamentos de outros, repetir frases grandes ou fazer cálculos mentalmente. Fazia exercícios diários para reforçar a memória, o raciocínio e também para desenvolver a imaginação. Por outro lado, Tesla atribuía o seu dom de inventar à sua mãe Georgina.

Desde a sua tenra infância, Tesla era amante da leitura. A biblioteca do seu pai abundava em títulos em vários idiomas; sempre que podia dedicava-se à leitura apaixonada. A sua paixão pela leitura e pelo conhecimento era tão forte que o seu pai, preocupado pela sua saúde, proibia-o escondendo-lhe as velas.

Recordava sobretudo a influência do romance Abafi do escritor húngaro Mikloš Jožika que aos seus oito anos o motivou a fazer exercícios: “As possibilidades da força de vontade e do domínio de si mesmo atraiam-me muitíssimo, assim que comecei a praticá-los. Quando alguém me dava um doce ou uma maça, que gostava muito, dava-o a outra criança e passava o sofrimento de Tântalo, sentindo satisfação no final.”

Desde a sua tenra infância, Tesla estava muito aficionado na investigação e nas invenções. No riacho debaixo da sua casa natal construiu uma roda de moinho como brinquedo. De um ramo oco de sabugueiro fez um míssil de ar. Também estava interessado no mecanismo do relógio do seu avô, mas depois de o ter desmontado, não sabia como o montar de novo. Numa ocasião, durante uma inauguração solene, a nova mangueira dos bombeiros deixou de funcionar. O silêncio desagradável foi interrompido pelo pequeno Tesla que pisou a água e desatou o tubo. Um jorro de água molhou a todos os presentes e Tesla converteu-se no herói da ocasião.

“As nossas primeiras tentativas são totalmente instintivas, estão cheias de imaginação, vivas e carecem de disciplina. Com os anos, o raciocínio vai-se confirmando e tornamo-nos mais e mais sistemáticos e deliberados. Mas, esses estímulos iniciais, ainda que pouco eficazes, são muito importantes e podem dar forma aos nossos verdadeiros destinos.”

Foi à escola primária em Smiljan e Gospić, e terminou a secundária na cidade de Karlovac. Ali aprendeu os primeiros conhecimentos de electricidade graças ao seu inventivo professor de física que construía aparelhos experimentais, entusiasmando o jovem Tesla com esses “fenómenos misteriosos”. Em nenhuma das escolas se destacou por êxitos excepcionais, mas ocupava todo o seu tempo em invenções técnicas. Começou a conceber a ideia de construir um aparelho que funcionasse sem cessar, ocupava-se com ideias sobre aeronaves mecânicas e continuou a trabalhar nas turbinas de água.

Queria estudar para uma carreira técnica, mas o seu pai para o evitar exigiu-lhe o cumprimento do serviço militar. Ficou doente de cólera e quase morreu, mas graças a essa doença o seu pai permitiu-lhe que seguisse com a carreira desejada.

Estudou desde 1875 na escola técnica de Graz. Foi o melhor estudante do primeiro curso, mas o trabalho ardente influiu na sua saúde. Inscreveu-se no segundo curso sob condições porque não lhe prolongaram a bolsa. Enquanto estava no segundo curso, a Escola técnica recebeu uma máquina dínamo de Gramm: “Enquanto o Professor J. Pöschel apresentava a máquina giratória com motor, as escovas brilhavam; disse que o motor podia funcionar sem escovas, mas o professor contestou-me que não era possível e dedicou toda a aula a esse problema, destacando no final: É possível que o Senhor Tesla tenha feito coisas importantes, mas seguramente não melhorará isto”. Tesla assumiu esta afirmação como um desafio que determinaria totalmente o resto da sua vida. A sua estadia em Graz foi dedicada completamente à solução deste problema.

“Quando começava a fazer algo, não o fazia com as mesmas intenções com que as pessoas o faziam habitualmente. Para mim era um voto santo, uma questão de vida ou morte. Sabia que iria ficar destroçado se me equivocasse. Agora sinto que ganhei a batalha. No fundo da consciência havia uma solução que não podia expressar.”

Em 1878 teve que sair de Graz porque lhe retiraram a bolsa. Depois disso o seu pai morreu, afligido pelo destino do seu filho. Dois anos depois, graças à enorme abnegação da sua mãe, Tesla começou a carreira de filosofia da natureza em Praga; ali anotou o seguinte: “…prosperei bastante nas minhas investigações. Separei o comutador (ou seja, as escovas) do aparelho e considerei o fenómeno desde este novo ponto de vista, mas ainda sem resultados.”

O motor de indução – O móbil do séc. XX
Um ano depois, querendo retirar o peso sobre a sua mãe e tendo também muita vontade de investigar, deixou os estudos e começou a trabalhar em Budapest, na oficina telegráfica central. A onda da telefonia chegou à Europa e o chefe da instalação da Central de Budapeste era um amigo de família. Ainda que participasse em algumas questões muito concretas da telefonia, no fundo da sua consciência estava apenas a pergunta do motor sem colectores em que começou a trabalhar em Graz.

Devido à sua enorme sensibilidade física, mas também psíquica e devido ao excesso de trabalho, costumava dar grandes passeios durante os quais pensava em Fausto de Goethe. Ocupava-o essa eterna luta entre o bem e o mal, o espirito e o corpo, a vida e o niilismo cujos protagonistas eram por um lado Fausto como um cientista da nova época e por outo lado Mefistófeles como sócio e rival de Fausto no seu caminho de investigador. Teve essa imagem filosófico-mítica durante toda a vida, especialmente a escolha filosófica de Fausto que subordinou as alegrias terrestres que lhe ofereceu Mefistófeles aos esforços pelo bem da humanidade.

Em Fevereiro de 1882, durante um dos seus passeios, inspirado pelo Sol que se punha começou a recitar uma parte do seu querido Fausto a um amigo seu:

O Sol distancia-se e cede, mas o dia sobrevive, pois ele caminha até outro lugar onde animará novas vidas. Como desejaria que umas asas me elevassem do solo e pudesse aproximar-me dele mais e mais! Então, no fulgor perene do acaso, veria a meus pés o mundo tranquilo: acesos os altos, serenos os vales e os ribeiros de prata fluindo na corrente dourada. Este voo, próprio dos deuses, não seria impedido pelo monte selvagem cheio de barrancos, e então, o mar, com as suas tíbias encenadas, abrir-se-ia aos meus olhos assombrados. Mas, finalmente parece que o Deus Sol se afunda, deixando apenas desperta a ânsia. Apresso-me para beber da sua luz eterna. Ante mim, o dia, e atrás de mim, a noite; sobre mim, o céu e por baixo, a ondulação o fluxo das ondas…É um sonho irmão, mas escapa-se. Ah, não é tão fácil que às asas da alma se juntem as do corpo.

“Quando disse estas palavras inspiradoras, uma ideia iluminou-me como um relâmpago e num instante soube a verdade. Com um pauzinho desenhei na areia os diagramas que em seis anos expunha no Instituto Americano dos Engenheiros eletrónicos. O meu amigo compreendeu-os em seguida. As imagens que vi eram perfeitamente agudas, claras e duras como metal ou pedra. Não posso começar a descrever os meus sentimentos. Se mesmo Pigmalião tivesse visto a sua estátua ressuscitando, não ficaria mais comovido. Mil segredos da natureza com os quais tropeçava por casualidade teria dado por este que retirei da Natureza apesar de todos os milagres e todos os perigos com os quais confrontava.”

Tratava-se do descobrimento crucial do campo magnético giratório, a resposta ao problema sem solução do professor de Graz.

Desejando realizar a sua ideia o quanto antes, Tesla no mesmo ano vai até Paris e começa a trabalhar para a companhia europeia de Edison que introduzia a corrente continua. Enviaram-no a Estrasburgo como “descobridor de avarias” para que resolvesse algumas dificuldades na construção do sistema eletromagnético com a corrente contínua. Ali, e apesar de ter obrigações fastidiosas diárias, durante as noites construiu o primeiro protótipo do electromotor de indução movido pelo campo electromagnético giratório.

“Finalmente via com prazer a rotação causada pelas correntes alternadas de diferentes fases, sem as escovas e o colector, como tinha concebido há um ano. Estava muito contente, mas isso não se pode comparar com o delírio de alegria que acompanhava a minha primeira descoberta.”

Ao voltar a Paris, apresentou o seu motor e sistema polifásico com a corrente alternada, mas não conseguiu despertar o interesse dos financiadores. Um amigo recomendou-lhe que fosse para a América e Tesla assim o fez.

Quando chegou ao país prometido tinha 28 anos, estava modestamente vestido, sem bagagem, só com alguns cêntimos, já que o roubaram durante a viagem. Começa de seguida a trabalhar na gigantesca companhia de Edison, fundada para produção de aparelhos de corrente directa. Conheceu pessoalmente Edison. Atraiu a sua atenção quando reparou as instalações eléctricas do seu barco a vapor durante uma só noite, quando todos os seus engenheiros tinham desistido. Em muito pouco tempo reparou 24 tipos diferentes de aparelhos de corrente contínua. Quando não recebeu a remuneração prometida, foi-se embora despedido pelo comentário sarcástico de Edison: ”Você obviamente não tem sentido de humor americano, Senhor Tesla.”

Em Março de 1885 fundou a sua companhia, “Tesla Electric Light and Manufacturing Company”, acreditando com optimismo que isso era a oportunidade para finalmente apresentar o seu sistema da corrente alternada. No entanto, os accionistas estavam interessados no desenvolvimento e produção de lâmpadas eléctricas para corrente contínua. Depois da realização com êxito do pedido, patenteou as suas invenções como as primeiras sete patentes na América. Na busca de mais liberdade para a realização das suas ideias, abandonou a companhia que em pouco tempo faliu devido à crise económica na América. Tesla ficou na rua, esforçando-se por ganhar a vida cavando canais.

Começa a trabalhar em várias circunstâncias, como ajustador eléctrico numa grande empresa, “Western Union”, onde muito prontamente o director A.K. Brown, que o reconheceu como um especialista em perspetiva, propõe-lhe fundar uma empresa electrónica especializada. Em Abril de 1887 na quinta avenida, próximo dos laboratórios de Edison, foi fundada a “Tesla Electric Company”. Nesse laboratório começa um dos períodos de invenções mais frutíferas da sua vida.

Já em Outubro do mesmo ano as suas invenções mais importantes: Motor de indução (geralmente conhecido hoje em dia como assíncrono) com os números 391968 e 391969, Transmissão eléctrica de energia (382280), Sistema de divisão de energia eléctrica (381970). Em menos de um ano de trabalho intensivo patenteou mais 40 patentes do sistema de motor polifásico, gerador e a transmissão e divisão da energia eléctrica.

Graças à sua obra, foi convidado a dar a sua primeira conferência a 16 de Maio de 1888 no Instituto Americano dos Engenheiros de Electrotécnia (AIEE, hoje em dia mundialmente conhecido por Instituto da Electricidade e Engenheiros Electrónicos), durante a qual tinha que apresentar o seu sistema. A conferência denominada “Novo Sistema de Motores e Transformadores das Correntes Alternadas” foi depois proclamada histórica e descrita como simples e clara, mas magnífica…

O objecto que tenho a honra de vos mostrar é um sistema novo da divisão e transmissão de energia através de correntes alternadas. Isso dá-nos vantagens excepcionais, especialmente na aplicação do motor que, creio, conseguirá de repente a adaptação perfeita dessas correntes à energia e mostrará que muitos resultados, até agora inalcançáveis, podem agora ser alcançados com o seu uso; os resultados são muito desejáveis no funcionamento prático desses sistemas, e não podem conseguir-se com as correntes directas.

George Westinghouse, o dono da empresa “Westinghouse Electric”, a única que naquela época não foi tragada pelo império crescente de Edison, ofereceu um milhão de dólares em dinheiro para as patentes de Tesla da corrente alternada e 1 dolar de regalias por cada cavalo-vapor produzido durante 15 anos (no sistema SI 1CV = 745,7 watt).

Depois de assinar o contrato, Tesla passou um ano em Pittsburgh na fábrica de Westinhouse como assessor na construção das primeiras séries de motores e outros aparelhos. Mas, as dificuldades ainda estavam para vir. Edison não tinha escrúpulos no seu objectivo de destruir Tesla e as correntes alternadas, exclusivamente pelos motivos mais baixos, ou seja, só estava interessado em proteger o seu império financeiro baseado nas correntes directas. Foi tão longe que no seu “circo ambulante” matava cordeiros e cães com a corrente alternada, empreendendo desse modo uma campanha contra a corrente alternada.

No final, apesar de tudo, Edison não teve êxito; a história registaria que perdeu “a guerra das correntes”. O acontecimento crucial que deu a vantagem a Tesla foi o concurso para a electrificação da exposição mundial em Chicago por ocasião dos 400 anos da descoberta da América por Cristóvão Colombo. Westington e Tesla ofereceram metade do preço de um milhão de dólares, soma que a empresa General Electric pediu (que tinha açambarcado a empresa de Edison). Westington e Tesla ganharam o concurso e dessa maneira confirmou-se a rentabilidade e a eficácia do novo sistema de electrificação.

Na exposição mundial em Chicago, Tesla mostrou como um aparelho muito engenhoso, a essência do campo magnético giratório que contem duas agulhas e um prato de madeira giratório no qual está um ovo de cobre. O campo magnético giratório aparece como o resultado de duas (ou mais) correntes magnéticas pulsáteis que estão movidos no espaço e no tempo (ou seja, fase). Estão fechados pelas agulhas através das quais passa a corrente alternada movida em fase.

No entanto, o campo novo não pulsa (não muda o seu tamanho com o tempo), é de quantidade constante, mas a sua velocidade de rotação é proporcional à frequencia das correntes.

Se nesse campo giratório colocamos um condutor, como por exemplo neste aparelho um ovo de cobre, nele se induzirá a corrente que cria o seu próprio campo magnético e tenta aproximar-se ao campo giratório. Graças a isso, o ovo de cobre começa a girar rápidamente até chegar à velocidade ,“assíncrona“ do campo magnético giratório (ou seja, com uma pequena demora sem a qual não haveria indução da corrente no ovo).

O mesmo se passa no motor de indução: as agulhas no estator criam um campo magnético giratório e induz-se a corrente no rotor. O rotor gira e transmite a força mecânica. Graças à indução das correntes, não é necessário fornecer a corrente ao rotor de fora. Por isso as escovas e o colector já não são necessárias e desse modo resolveu-se o problema do chispar. O aparelho converteu-se num recurso educativo utilizado em toda a parte e é conhecido pelo nome de“ Ovo de Tesla“.

Este acontecimento foi crucial e importante para tomada de decisão da construção da central Hidroeléctrica nas Cataratas da Niágara. A companhia de Westinghouse foi contratada para a construção da central Hidroeléctrica e assim começou a electrificação com a corrente alternada. No entanto, os bancos começaram a deixar de emprestar dinheiro a Westinghouse pela enorme soma que a sua empresa devia a Tesla, devido às regalias.

Ainda se tratava de uma fortuna que hoje em dia superaria a de Bill Gates, Tesla não pensou demasiado: Senhor Westinghouse, você era meu amigo, acreditava em mim e tinha coragem suficiente para começar… quando os demais careciam de coragem, o Sr. apoiava-me, ainda quando os seus engenheiros não tinham uma visão das grandes coisas que estavam diante do nós e o Sr. e eu vimos; ajudou-me assim como se ajuda um amigo… Salvará a sua empresa para poder continuar a desenvolver as minhas invenções. Aqui está o seu contrato e o meu também: aos dois os rasgarei em pedacinhos e não terá de preocupar com os meus direitos de autor. É suficiente?

Ao rasgar o contrato, Tesla não só renunciou o seu direito a milhões de dólares de regalias ganhas, mas também a todos os direitos futuros. No ambiente financeiro e industrial de qualquer época, é sem dúvida um acto de generosidade impensável. No entanto, essa “estupidez” permitiu a milhões de pessoas os padrões da civilização do séc. XX, assim como os conhecemos hoje em dia…

A essência desse sistema é a simplicidade preciosa do motor de indução, que não só não têm escovas, como também quase não têm partes gastáveis que possam provocar avarias e entupimentos no funcionamento. De todos os motores actuais, 90% são assíncronos (de três fases ou de uma fase com um condicionador adicional), desde os pequenos electrodomésticos até aos aparelhos industriais de grande força e até algumas dezenas de MW que podem girar a uma velocidade muito grande. Além disso, o sistema alternado de três fases de Tesla possibilita uma transmissão barata de energia eléctrica em grandes distâncias. Graças ao transformador, em vez da produção de energia transforma-se a alta voltagem, que permite pequenas perdas na transmissão e quando estão perto do consumidor volta a baixa voltagem. Além disso, para a transmissão bastam três fios, o que também simplifica a realização técnica de todo o sistema. A maior vantagem do sistema alternado é a possibilidade de conectar vários geradores e consumidores num grande sistema (por exemplo, hoje em dia toda a Europa está conectada num sistema). Assim é possível fornecer praticamente sem parar todos os consumidores, graças à resistência do grande sistema às mudanças na produção ou consumo, o que não é possível no caso dos sistemas pequenos, já que a energia eléctrica não se pode armazenar.

A primeira unidade de geração eléctrica da central hidroeléctrica nas Cataratas de Niágara foi inaugurada a 15 de Abril de 1895. A central foi terminada em 1896. Ao mesmo tempo foi construída e começou a funcionar a primeira linha de condução eléctrica de três fases até Buffalo, de 35 Km. Na inauguração da central, um professor de electrotécnia da universidade de Yale e o presidente da AIEE terminou a sua exposição com as seguintes palavras: “O desenvolvimento da energia eléctrica, desde a descoberta de Faraday em 1831, até à primeira instalação do sistema de várias fases de Tesla em 1896, é, sem dúvida, o acontecimento mais importante da história da técnica. E Tesla é a pessoa que contribuiu para a ciência da electricidade mais que qualquer outro ser humano.”

Os prémios Nobel não conseguidos ou como Tesla descansava

Depois da cooperação com Westinghouse em Pittsburg, Tesla volta ao seu laboratório em Nova York em 1889. Não prestava muita atenção à actual “guerra das correntes”, mas dirigiu toda a sua energia numa nova direcção.

Começou com as considerações relacionadas com o influxo de voltagem de potencial e frequência muito altos, com a intenção principal de conseguir a transmissão sem fios das ondas electromagnéticas cujo caracter e fenómenos eram ainda desconhecidos para os cientistas.

Depois das experiencias realmente fatigosas, durante o ano 1891 registou várias patentes da área da produção das correntes e voltagem de alta frequência; ele acreditava no mais importante O aparelho para produção da corrente eléctrica de alta frequência e voltagem (hoje em dia conhecido com o “transformador de Tesla”).

Revela-nos o entusiasmo que sentia nesse período numa das suas anotações: ”Quando me dei conta da necessidade de descanso depois da difícil tarefa em que havia trabalhado durante anos e na qual continuava a gastar a minha energia, ocorreu-me investigar o funcionamento de activação dos corpos florescentes.

Parecia que ninguém o havia investigado, então comecei a fazê-lo sem o ter averiguado… Nessa experiencia utilizei um aparelho melhorado para a produção de fortes vibrações eléctricas. Experimentei com uma grande variedade de tubos de Crookes, bolas colas com um eléctrodo e tubos de vazio sem eléctrodos externos. Muito rapidamente surgiu um facto surpreendente…”.

Sobre esse tema deu a sua segunda conferência memorável na associação Americana de engenheiros de electrotecnia com o título “Experiencias com as correntes de frequência muito alta e a sua aplicação na iluminação artificial”. O que para Tesla foi um facto surpreendente, nos demais provocou pelo menos um assombro.

Durante a apresentação do chispar entre os eléctrodos à distância de 12cm um do outro, baixa voltagem de 100.000V (que até então se pensava ser absolutamente impossível), começou a brilhar uma lâmpada nas suas mãos sem estar conectada a nada. Essa foi a primeira realização, hoje em dia muito utilizada nas lâmpadas florescentes.

Na sua conferência, Tesla visionariamente colocou o ênfase em novos métodos de produção e transmissão de energia eléctrica, especialmente na produção de luz. Também tocou na pergunta fundamental da natureza da electricidade no contexto do éter, 15 anos antes da “Teoria especial da relatividade” de Einstein, mas com um enfoque claramente fenoménico. Há que atribuir a Tesla, sem dúvida, os méritos históricos pela descoberta e prova experimental – quatro anos depois das ondas electromagnéticas (H. Herz, 1887) que tinham sido previstas pelas equações de Maxwell 23 anos antes – que as frequências e potenciais altos, são importantes para a criação de luz e calor (ondas electromagnéticas), sem processos químicos adicionais.

No mesmo ano na revista The Electrical Engineer publicou os resultados da experiência da espiga no tubo de vazio sob o influxo de um campo eléctrico forte; o que representa o princípio básico do funcionamento do tubo catódico. “A aparição vista é a consequência do movimento de pequenas partículas carregadas que a uma velocidade muito alta chocam com as moléculas de gás diluído.”

A ideia dos raios catódicos provocou uma reacção tempestuosa no físico inglês J. J. Thomson que negou os seus resultados. No entanto, por ocasião do 150 aniversário do nascimento de Tesla, voltou a ser publicada a sua correspondência que durou vários meses. Esta revelou um episódio quase esquecido da descoberta do electrão, já que seis anos depois da descoberta de Tesla, o mesmo J.J. Thomson numa experiencia no campo magnético aprovou indubitavelmente a existência de tais partículas e colocou-lhe o nome de electrão! Sem mencionar a descoberta de Tesla, recebeu o premio Nobel da física como reconhecimento da descoberta do electrão.

Nos princípios dos anos noventa, Tesla também construiu o oscilador mecânico-eléctrico, que para ele tinha um funcionamento fisiológico muito eficaz. Dessa patente (514168) depois foi desenvolvido um tratamento electro terapêutico, em medicina chamado teslinização. Com esse oscilador produzia umas vibrações tão fortes que os edifícios ao seu redor abanavam. Compreendeu que tinha inventado o aparelho que podia provocar terremotos e então destruiu-o definitivamente. Estas experiências foram percursoras de uma nova disciplina científica, “telegeodinamica”, e pela primeira vez conclui-se que a Terra poderia ter a sua própria frequência de uns 6,7 Hz.

No ano 1892, depois de numerosos convites, Tesla vai viajar pela Europa. Dá conferências, mas também apresenta experiencias muito fastidiosas que nunca repetia, tentando sempre mostrar algo de novo durante as experiencias. Passa pelo seu local de nascimento e encontra a sua mãe a morrer. Quando volta da Europa, retira-se e dedica-se completamente às suas investigações.

Em 1893 construiu um aparelho que continha rubis. Dirigia até ele a energia elétrica e produziu, como ele mesmo o descreve, “um raio de luz fino como um lápis”. É evidente que se tratava do aparelho que era o percursor do nosso raio laser, cuja descoberta Townes, Prohorov e Basos em 1964 receberam o prémio Nobel da física. Segundo algumas fontes, Tesla conseguiu enviar esse feixe de luz até à Lua.

Desafortunadamente, não patenteou esse aparelho, e só publicou os resultados em algumas revistas populares e não nas cientificas nas quais se consideravam mais as autoridades que as experiencias publicadas.

Em meados do ano 1894 foi publicada numa grande revista onde indicou que rapidamente seria possível enviar notícias através da Terra, sem usar fios, e também a energia eléctrica, quase sem perda alguma.

Segundo várias fontes, em finais de 1894 conseguiu, além do seu oscilador de alta frequência, melhorar os tubos de vazio nos quais bombardeava moléculas de gases diluídos; assim criou o primeiro acelerador de partículas linear para as investigações subatómicas. Durante essas investigações produziu, nas suas palavras “uma luz visível, uma luz negra e um tipo especial de radiação” que produzia sombra nos recipientes de metal.

Num momento de plena glória, na noite de 13 de Março de 1895, numas circunstâncias muito estranhas, o seu laboratório de vários pisos ardeu completamente. O dano que Tesla sofreu foi imenso, o fogo não só tragou os seus planos, as experiencias não terminadas e toda a documentação, mas também o equipamento de laboratório em que ele tinha investido tudo o que tinha, e que desafortunadamente, não estava segurado.

Graças à sua vontade inquebrantável, literalmente das cinzas, começou do zero. Com a ajuda de A. D. Adams, o financeiro das construções nas Cataratas de Niágara, construiu um laboratório novo no qual no mesmo ano produziu uma estação de emissão e recepção que funcionava muito bem a curtas distancias.

Mas, entretanto passou mais uma serie de contrariedades. A 8 de Novembro de 1895, o físico W.C. Röntgen publicou a descoberta de raios X que tinham o mesmo efeito que as suas “radiações especiais”. Apesar de muitas dificuldades, Tesla publicou na Electrical Review apenas três meses depois de Röntgen as suas investigações da radiografia feitas a grandes distancias e através das substâncias bastantes grossas.

Publicou as suas primeiras fotos “de roentgen” com uma claridade excepcional e o mesmo Röntgen felicitou-o publicamente. Numa série de artigos adicionais publicou os seus resultados: era impossível duplicar os raios X com lentes, a única possibilidade era refleti-los em objectos de metal, e também publicou o seu dano depois de uma exposição a uma longa radiação, etc.

Apesar disso, os círculos eurocêntricos atribuíram o mérito exclusivamente a Röntgen e isso foi coroado na entrega do primeiro prémio Nobel da física em 1901.

Visto que em 1897 J.J. Thomson chegou à glória de um modo semelhante, Tesla deixou de publicar nas revistas científicas e criar polémica com os chamados círculos académicos. Voltou às conferências populares e científicas, às revistas e exposição na média.

No mesmo ano começou a utilizar o termo radiations e a falar da natureza da chamada “luz negra”. Essa radiação converteu-se num dos enigmas mais referidos nas investigações dos tubos de vazio de Tesla. Tendo em conta que esses raios não estavam ainda cientificamente verificados, chamava-os “a radiação de Tesla”.

Quando conseguiu acelerar os electrões primeiro até 2,4 MeV e depois até 10 MeV – e dessa maneira antecipar os modernos aceleradores de partículas lineares propôs a patente para o uso dessas radiações pelo nome de Method of utilizing radiant energy. Hoje em dia essa radiação descreve-se brevemente como:

as partículas de tamanho “infinitesimal” (chamadas as partículas de Tesla); elas têm uma pequena carga positiva que é um fragmento da carga elemental, penetram na substancia quase sem interacção, podem mover-se à velocidade mais alta da velocidade da luz (por isso não estava de acordo com Einstein que dizia que essa era a velocidade mais alta possível), podem também induzir a radioactividade quando chocam contra um núcleo atómico porque o destabilizam. Chocam contra a Terra vindos de todas as direcções do universo, e todas as estrelas, o Sol inclusivamente as emite; também disse que era possível prová-las experimentando num tubo de vazio.

A existência da radiação cósmica foi provada por Hess com um método bastante primitivo, quase duas décadas depois: lançava uns globos com equipamento de medição à altura de 10km, pelo que recebeu o prémio Nobel, claro, sem menção de Tesla. A invenção do acelerador linear atribui-se a Lawrence que o publicou exactamente trinta anos depois de Tesla. O reconhecimento pela radioactividade induzida receberam Joliote e Curie em 1934.

Ainda que não tenha recebido nenhum prémio Nobel nem nenhum reconhecimento importante, os frutos do seu “descanso imprescindível” eram cruciais para o desenvolvimento da investigação das partículas atómicas e subatómicas.

Enquanto trabalhava na transmissão sem fios, desenvolveu os primeiros rádios emissores e receptores utilizáveis e com eles fez várias experiencias. Em 1897 realizou a primeira transmissão sem fios de energia eléctrica à distância de 26 km, acendendo 2000 lâmpadas.

Patenteia as primeiras patentes chamadas Sistema de Transmissão da energia eléctrica em que descreve o modo da transmissão sem fios. Essas mesmas patentes foram depois o assunto principal do conflito com G. Marconi sobre a primazia da radiotransmissão.

Em Julho de 1898 patenteia a maneira e o aparelho para a direcção do mecanismo dos navios e veículos móveis, que apresentou com um barco navegando à distância, sem fios. O barco ainda podia mergulhar como um submarino. Assim abriu completamente o caminho a novos ramos de eletrotecnia, à automática e a comandos à distância, totalmente insubstituíveis em todos os ramos da indústria actual. Também a maioria dos aparelhos domésticos é meio automatizada e pode-se comandar à distância.

A TRANSMISÃO SEM FIOS – COLORADO SPRINGS

Para a investigação da transmissão sem fios, Tesla usava voltagens mais e mais altas, o que era demasiado perigoso para o centro de Nova Iorque. Com a ajuda financeira do hoteleiro Jacob Astor em princípios de 1899 construiu um novo laboratório em Colorado Springs, nas altas montanhas e longe dos olhos do público. O laboratório consistia num edifício quadrado de 30×30 metros com uma torre de 25 metros de altura. Tinha um mastro de 65 metros em que na parte superior estava colado uma bola de cobre de um metro de raio. Construiu transformadores de alta frequência de várias formas e tamanhos. Também foi construindo um gigantesco círculo primário do transformador que movia o seu amplificador-emissor (em inglês, the magnifying transmitter), que depois Tesla proclamou como a sua invenção mais importante.

Depois de ter construído um oscilador novo e gigantesco, já na fase inicial alcançava os incríveis 12 milhões de volts e tornou-se o primeiro homem (até agora também o único) que conseguiu criar relâmpagos maiores de 40 metros, que se podiam ouvir á distância de vinte quilómetros.

É possível que esse amplificador-emissor fosse o invento mais espetacular da titânica mente de Tesla. Essa invenção foi a encruzilhada no desenvolvimento da tecnologia de radiofrequências modernas. Ao contrário da crença comum, a sua torre não foi construída para emitir ondas de Hertz ao éter. O sistema de Tesla emitia milhares de cavalos-vapor à volta da Terra; assim mostrou experimentalmente como é possível transmitir a força sem fios de um ponto central à distância. Na realidade, o amplificador-emissor de Tesla é um transformador especialmente ajustado para utilizar a Terra como emissora.

“O amplificador-emissor foi o produto do meu trabalho de vários anos e o seu objectivo mais importante era resolver os problemas que são incomparavelmente mais importantes para a humanidade do que o desenvolvimento da indústria.”

Apenas um mês depois do começo da investigação da descarga a diferentes frequências, Tesla notou uns arcos densos e perseverantes de relâmpagos que voltavam a aparecer em intervalos de tempo quase regulares. Estava totalmente convencido que tinha descoberto as ondas estacionárias. “Por muito estranho que pareça, apesar do seu enorme tamanho, o nosso planeta comporta-se como um condutor de dimensões limitadas”.

A quantidade do seu trabalho no Colorado Springs era enorme. Examinava os osciladores de grande força, a transmissão sem fios de energia, a recepção e emissão de informações; realizou a transmissão sem fios de notícias a grandes distâncias, não só com sinal telegráfico, mas também com a transmissão de voz humana.

Nos pequenos tempos de “descanso” fez muitas investigações sobre os efeitos concorrentes do campo eléctrico de altas frequências. Media incansavelmente os campos gerados pelas descargas eléctricas naturais, desenvolveu numerosos métodos de medição na áreas da radiofrequência e o modulador para os receptores de rádio.

Com o seu desenvolvimento de aparelhos e as investigações efectuadas fundamentou todas as comunicações por rádio e de telemóveis actuais. Na história da ciência está escrito que o amplificador-emissor de Tesla era o primeiro aparelho do mundo cuja força era suficiente para provocar a de ressonância de umas frequências extremamente baixas (1 a 3000 Hz) na ionosfera como condutor de ondas.

Motivado por uma má experiencia com o trabalho desaparecido no incendio que destruiu o seu laboratório, durante a sua estada em Colorado Springs desde 1 de Junho de 1899 até 7 de Janeiro de 1900 escreveu um diário detalhado das suas investigações. O diário foi publicado no ano 1976, tem 400 páginas, numerosas fotos e desenhos e é o testemunho da relevância de muitos segredos da natureza, mas também da impossibilidade de submetê-la.

O SISTEMA DE COMUNICAÇÃO MUNDIAL – LONG ISLAND

Graças aos seus êxitos nas suas experiencias em Colorado Springs,Tesla faz um acordo com o milionário J.P. Morgan sobre a construção de uma estação de rádio para telegrafia mundial em Long Island, perto de Nova Iorque. A construção da torre de 47 metros começou no ano de 1901. A torre devia ter um eléctrodo de cobre de 30,1 m de raio, juntamente com os edifícios auxiliares. No entanto, sob os auspícios desse projecto, Tesla desenvolvia o seu sonho principal: o sistema para a transmissão sem fios de energia eléctrica.

Em pleno trabalho, Tesla teve talvez a tentação mais forte da sua vida: a 12 de Dezembro de 1901, ao utilizar algumas antigas patentes de Tesla, Marconi consegue enviar o sinal de rádio através do Atlântico com um aparelho muito mais barato e simples.

Ainda que nesse momento Tesla já tivesse patentes de emissão e recepção do sinal de rádio, a Marconi chegou à fama mundial e por essa invenção recebeu o prémio nobel. Só depois da sua morte, o Instituto Americano de patentes anula as patentes da Marconi e volta a atribuí-las a Tesla.

Desafortunadamente, nas escolas aprende-se ainda que Marconi construiu o primeiro emissor e receptor de rádio.

Morgan não tinha compreensão para as tentativas de Tesla de fazer muito mais e por isso em 1903 deixou de o financiar.

“O meu projecto foi detido pelas leis da natureza. O mundo não estava preparado para ele. Estava demasiado à frente do seu tempo. Mas as mesmas leis no final predominaram e converteram-no num êxito triunfal.”

TESLA – FILÓSOFO E HUMANISTA

Tesla não era apenas um cientista; o seu poder de concentração, a sua excepcional capacidade de visualização e memória e a sua quase ascética maneira de viver fizeram que fosse uma sensação ainda enquanto vivia. As áreas dos seus interesses em grande medida superavam os marcos da electrotecnia; falava oito idiomas mundiais, era amante da poesia, literatura, filosofia, astronomia, medicina, botânica – Tesla era um homem que estava muito à frente do seu tempo. Pelas suas tendências de vida e o seu desejo de erradicar as causas de guerras, fome, pobreza e ignorância e a de preservar os recursos naturais, Tesla era sobretudo um humanista.

O espirito original e livre de Tesla não se podiam fechar dentro dos marcos comuns da vida. Ele mesmo disse algo sobre este tema: “Reconheceram que era um dos trabalhadores mais diligentes, e talvez continue a ser, se o pensar equivale a trabalhar, já que penso quase sempre quando estou desperto. No entanto, se cremos que o trabalho é um certo funcionamento num certo prazo de tempo, então sou um dos homens mais preguiçosos. Cada esforço compulsivo exige um sacrifício de energia vital. Nunca paguei esse preço. Pelo contrário, alimentava-me dos meus pensamentos.”. Dormia regularmente 3 ou 4 horas, de vez em quando um pouco mais. Quando estava ocupado com algum problema, às vezes não dormia durante dias e descansava apenas para comer algo. Pela manhã chegava tarde ao trabalho e ao chegar fechava logo as cortinas. Não necessitava nem esboços nem planos, “tinha tudo na cabeça” como um grande arquivo. O seu trabalhador e ajustador, tinha de ter na memória todo o trabalho. Tesla dava-lhe as explicações que fossem necessárias para a tarefa concreta. Fazia um esboço em pequena escala e explicava-lhe até que este entendesse perfeitamente o que tinha que fazer; depois rasgava o esboço. Essa era a razão pela qual tinha dificuldade em encontrar trabalhadores, embora lhes desse uma remuneração adequada.

Estava sempre retirado, não dava motivo para que se escrevesse sobre ele nos jornais. Como excepção, recebia no seu aniversário os jornalistas que se recordavam dele. Gostava sobretudo de falar das suas descobertas actuais e futuras e raras vezes do passado.
Nos seus artigos e conferências expunha as suas atitudes e pensamentos que em grande medida explicavam a sua personalidade e êxitos conquistados. São interessantes os seus pensamentos sobre a ciência e os cientistas:

“Os cientistas de hoje vagueiam de uma equação para outra e nenhuma tem a ver com a realidade.”
“O homem da ciência não se dirige para um resultado momentâneo, não espera que as suas avançadas ideias sejam recebidas imediatamente, o seu trabalho é como o trabalho de uma pessoa que trabalha para o futuro. A sua obrigação é fazer as bases para os que vêm e mostrar-lhes o caminho”.

“O objectivo do cientista não deveria ser encontrar meios de destruição ou de defesa, mas sim a criação da Paz através da educação das massas e da realização de novas possibilidades para a existência.”

A importância que dava ao tipo de descobertas a que os cientistas têm que aspirar e os critérios que têm de respeitar no momento de revelar os seus êxitos ao público (aos governos e financiadores) vê-se nos seus pensamentos sobre a energia atómica.

“Se liberarmos a energia do átomo ou descobríssemos algum modo de obter uma força barata e ilimitada em qualquer parte da Terra, esse êxito, em vez de ser uma bênção poderia ser catastrófico para a humanidade e provocar conflitos e anarquia que no final introduziriam o odiado regime da força. O maior bem passará pelo avanço técnico que tende a unir e harmonizar, e o meu emissor sem fios é, sobretudo, assim.”

Aqui há que destacar a visão de Tesla do uso do seu emissor sem fios era para emitir a energia por todo o mundo e que a humanidade a usasse como um bem comum, já que se trata tão-somente da transformação da energia existente em eléctrica.

Além de ser um cientista, Tesla tinha uma natureza filosófica. Não perdia a oportunidade de expressar as suas atitudes filosóficas durante as apresentações das suas obras científicas e descobertas.

“Quando falamos do homem, pensamos na humanidade na sua totalidade, e antes de mudar os métodos de investigar o movimento do homem, temos que aceitá-lo como um facto físico. Mas, pode alguém hoje em dia chegar a todos os milhões de indivíduos e todos os tipos inumeráveis de caracteres que formam um todo, uma unidade? Ainda que estejamos livres de pensar e actuar, estamos vinculados com vínculos inseparáveis, como as estrelas no céu. Nós não vemos esses vínculos, mas sentimo-los. Corto um dedo e isso doí-me; esse dedo é uma parte de mim. Vemos o inimigo vencido, mas isso também me dói. O meu inimigo e eu somos um… Isso não mostra que cada um de nós é apenas uma parte da totalidade?

Durante séculos, essa ideia era proclamada na perfeita doutrina da religião, talvez não só como um meio para assegurar a paz e harmonia entre as pessoas, mas como uma verdade profundamente arreigada. Os budistas expressam-no de uma maneira, os cristãos de outra, mas todos dizem o mesmo: todos somos um. As provas metafisicas, no entanto, não são as únicas provas que podemos expor para confirmar esta ideia. A ciência também admite a relação de indivíduos isolados, ainda que não da mesma maneira da que admite os Sois, os Planetas, a Lua, as constelações são um corpo e não há duvida que isso se confirmará com experiencias futuras, quando os nossos meios e métodos de exame dos estados físicos e outros estados e aparições se aperfeiçoem. E mais: esse único ser humano continua a viver. O individuo é efémero, as raças e nações vêm e vão, mas o ser humano fica. Esta é a enorme diferença entre um individuo e o todo.”

Também é interessante que Tesla durante a sua vida tenha passado a maior parte do seu tempo com artistas. Isso poderia parecer estranho para um cientista se não se tratasse do homem que reconhecia o verdadeiro prepósito da arte e o seu papel na vida do individuo e da comunidade.

“O artista é o homem que despertou esse espirito altruísta, que ainda nos tempos antigos brilhava nos ensinamentos dos reformadores e filósofos nobres, esse espirito que faz que as pessoas em todas as áreas trabalhem não tanto para o seu proveito material e prémios, mas sim pelo êxito, satisfação na realização do bem que podem dar à humanidade. Através do seu influxo (de artista), as pessoas vão em frente, motivadas pelo amor profundo pelo seu trabalho e fazem milagres em todos os campos cujo objectivo e prazer principais são alcançar e providenciar conhecimentos. Trata-se das pessoas que veem muito mais em cima das coisas terrestres e cuja bandeira é a Glória.”

Visto que Tesla vivia no período entre duas guerras mundiais, não podia não comentar essa aparição que é, a sua maneira específica, própria apenas dos seres humanos. Neste caso ele também expõe as suas sóbrias atitudes que estavam em minoria tanto no seu tempo como hoje.

“…O que agora mais necessitamos são os contactos mais directos e uma melhor compreensão entre os indivíduos e as sociedades em todo o mundo, e também retirar essa lealdade fanática aos ideais exaltados de egoísmo e orgulho nacional; ela é sempre capaz de lançar o mundo na barbárie e conflitos.

Nenhuma organização nem acto do parlamento poderão jamais impedir essa desgraça. São apenas novas maneiras que expõem os débeis à vontade dos fortes.

A paz pode-se criar exclusivamente como uma consequência natural da educação ampla e da fusão das raças, e nós estamos tão longe desse estado de beatitude.”

As suas palavras visionárias sobre o futuro que agora vivemos atestam como sentia o pulso da civilização; palavras que na sua época soavam a sonhos de um entusiasta.

“É mais provável que os jornais diários sejam distribuídos pelas casas através da distribuição sem fios. Nas nossas cidades crescerão as torres para estacionar carros, e as estradas vão-se expandir e multiplicar por pura necessidade, ou afinal serão totalmente desnecessárias quando a civilização substituir as rodas por asas. Vai-se utilizar pequenos aparelhos que cabem nos bolsos, incrivelmente simples comparados com os nossos telefones. Vamos atestar e escutar os acontecimentos como a tomada de posse presidencial, as partidas desportivas, o horror de um terramoto ou de alguma batalha, como se estivéssemos presentes.”

Apesar dos grandes esforços a que se expunha e os perigos durante a investigação da radiação, Tesla viveu até uma profunda velhice. Tendo em conta a sua vitalidade, é provável que vivesse ainda mais se aos 81 anos não tivesse sido ferido num acidente de trânsito. Recusou o tratamento médico, ainda que algumas fontes dizem que tinha três costelas partidas. Faleceu em Nova Iorque a 17 de Janeiro de 1943, aos 86 anos.

Attila Barta
Croácia, 2007


Bibliografia:

N. Tesla, Artigos, Zavod za udžbenike i nastavna sredstva, Beograd, 2006.g.
N. Tesla – Fue luz!, Grupo de autores (editor Zoran Filipović), ZORO Zagreb – Sarajevo, 2006.
Mis inventos, N. Tesla, Školska knjiga, Zagreb, 1984.g.
Nikola Tesla – Investigador, inventador y genio, Muljevic-Petkovic-Par, Školska knjiga, Zagreb, 2006.g.