Queremos hoje dar relevo nas nossas observações à nunca bem valorizada NOVIDADE. A Novidade é uma ânsia quase incontrolável que força o homem às mudanças mais inauditas, de modo que as coisas que se exibem hoje não têm nada a ver com as que ontem se mostravam.

Será que verdadeiramente existem tantas coisas novas para preencher o longo caminho da evolução humana? Não vamos cair na tentação de trazer à luz os inúmeros ditados que lembram aquele que refere “não há nada novo sob o sol”. Com rigor, recordamos as palavras de uma grande filosofa do século passado, Helena Blavatsky, que afirmava que a idoneidade da sabedoria é apresentar “vinho velho em odres novos”.

E assusta verificar como há gente que prefere para o seu paladar vinhos de safras mais antigas e armazenamento longo, e em vez disso dão de beber às suas almas sumo sem qualidade e sem gosto, das ideias “na moda”; fruto do dia nem sempre maduro, e o que é pior, com poucas hipóteses de amadurecer, já que muitas vezes não são mais do que plantas artificiais…

 

(…)A Novidade é uma ânsia quase incontrolável que força o homem às mudanças mais inauditas, de modo que as coisas que se exibem hoje não têm nada a ver com as que ontem se mostravam.(…)

 

Na verdade, acreditamos que a novidade, no sentido superficial, é a contraparte mais absoluta da eternidade. Os homens que se sabem eternos e infinitos, que se sentem enraizados nas profundezas do cosmos, não temem as sãs repetições, na medida que os aproximam inexoravelmente ao Princípio Divino. Como diria Aristóteles, “a virtude é o fruto de uma longa série de hábitos virtuosos”.

Mas aqueles, por outro lado, que se consideram tão transitórios como as sombras da noite, que não esperam nada da vida, procuram a mudança curiosa e móvel, o incentivo que os ajudará a suportar o tão vazio interior.

Quando um livro, uma boa música, uma obra de arte, uma representação teatral, estão cheios de símbolos e ideias sugestivas para a alma, não faz diferença ler várias vezes o mesmo, ou ouvi-lo, vê-lo, apreciá-lo repetidamente, pois cada oportunidade é boa para captar novos conteúdos. Mas quando a arte é elemento de distracção, as coisas vêem-se unicamente uma vez… E tal como a arte, as ideias servem para um dia, bem como a moda, o mesmo acontecendo com os amores, com as verdades…

Triste do homem que corre desesperado atrás de uma novidade que o torna elogiável perante os outros! Porque as verdades podem renovar-se ao longo de milhares de anos, mas não podem inovar-se ou deixariam de ser verdades. Nem por inovação, aceitaríamos que o sol já não aquecesse, ou que a lua assumisse a forma de um triângulo. Assim, se tivéssemos firmes as ideias orientadoras das nossas vidas, não nos provocaria espanto, constrangimento e sadia reacção ao ver como mudam as coisas, só porque à que as mudar para não ser “anacrónico”.

A filosofia ensina que o tempo é uma ilusão; o “anacronismo” é outra ilusão criada pela falta de evolução espiritual. A maior novidade é poder viver a mesma verdade nas diferentes fases da existência. O velho e o novo não existem na dimensão atemporal da verdade. Apenas existe o que é real e o que é falso, e apenas se concebe movimento enquanto ele nos aproxima da perfeição. Mais movimento, mais mudança: mais sintomas que temos muito que caminhar e pouco para nos vangloriarmos. Mais firmeza, mais segurança nos caminhos que escolhemos, mais possibilidade de penetrar o mistério sempre eterno e sempre renovadamente novo que vive no coração de cada homem.

 

Delia Steinberg Guzmán

Directora Internacional da Nova Acrópole