INTRODUÇÃO

A Ecologia é a ciência do meio ambiente. É aquele ramo da Biologia que estuda a interacção dos organismos com o seu meio. Hoje em dia, devido aos progressos científicos por um lado, e à corrente ideológica que acompanha esta disciplina por outro lado, o termo «Ecologia» emprega-se num contexto mais amplo, e dele emerge uma série de implicações que transcendem o aspecto puramente biológico dos seres vivos, e que têm a ver com a Filosofia, a Sociologia, a Medicina, a Psicologia, o Urbanismo, etc., constituindo o «Ecologismo», que mais do que uma «disciplina» é uma nova concepção integrativa dos homens e dos seres vivos em que prima o aspecto de inter-relação entre uns, os outros e o mundo.

O aprofundamento no estudo dos Ecossistemas (agrupamentos de plantas, animais e outros materiais como oceanos, selvas, marismas ou desertos, que interaccionam intimamente uns com os outros, e que são interdependentes, de tal modo que a alteração num deles altera a sua totalidade e repercute-se no seguinte) facilitou a perspectiva de uma concepção integral de qualquer organismo vivo, e com isso, um novo modo de aproximação à Natureza fundamentalmente respeitador, que mostra uma preocupação responsável, e do qual se depreende, por fim, uma forma de vida de acordo com os ritmos naturais.

FILOSOFIA DA ECOLOGIA

Até agora existiu um modo de estudo, de conceito e de prática profissional fragmentada, desintegrada; uma forma de encarar e de entender o mundo dissociada, desvitalizada, caracterizada pela separação de aspectos, pelo egocentrismo, manipulação, omnipotência e negação dos limites, que embora seja a consequência histórica da organização do pensamento científico de séculos anteriores, sobretudo num passado recente, a sua evolução e origem situam-se muito mais atrás. Próprios deste modo de pensar são certos «mitos» e certas atitudes de diversas disciplinas científicas. Um deles, por exemplo, é a crença nos recursos naturais ilimitados, ou os conceitos isolados, como que em «compartimentos estanques», característicos do atendimento médico actual.

Este modo de aproximação, de percepção do mundo, da realidade, coincide com uma forma tipicamente infantil de percepção e de relacionamento, que é normal no seu momento, mas que depois evolui, com a maturidade, para a integração interna e externa facilitando a consciência do prejuízo efectuado e o aparecimento de mecanismos de reparação. A visão integral própria da Ecologia bem pode assinalar um avanço na integração da consciência do homem relativamente a si mesmo e à Natureza.

“A intervenção do homem na ordem natural deu origem a negligências cuja escala varia, desde a degradação local até à completa destruição dos habitats”

O pensamento de integração e de inter-relação de todo o vivente que timidamente surge como uma novidade nos nossos dias, é na sua essência antiquíssimo; segundo podemos comprovar no conteúdo das crenças religiosas, mitos e tradições filosóficas da maior parte da Humanidade, o Universo apresenta-se-nos como um grande «Macro-bios» em cujo seio tudo influi em tudo, tudo está em inter-acção dinâmica, tudo se move, muda: um Macro-bios relacionado com os «micro-bios» que se organizam, hierarquizam e integram buscando unidades cada vez mais amplas. Desde a cosmologia hindu até às tradições taoistas, ao pensamento pré-socrático, etc., subjaz sempre esta ideia, que só será esquecida mais tarde, no transcurso da história da Filosofia Ocidental.

SOCIOLOGIA DA ECOLOGIA

Podemos realizar duas abordagens acerca da incidência sociológica da Ecologia na actualidade. Uma reconheceria a existência de uma corrente de idealização da Natureza, em que o «natural» é equiparado ao primitivo, à «vida no campo», à observação da natureza, à sua exaltação em contraste com a crescente complexidade da sociedade. Há alguns exemplos ao longo da nossa história de que não são alheios o mito do «bom selvagem», certas características do pensamento romântico, ou mais recentemente as reacções contra-culturais que geraram o movimento «hippie»; o movimento ecologista actual recolheu algo disto. Em parte, uma reacção que pretende apresentar uma alternativa e uma crítica a todo um modo de funcionamento complexo, artificial, alienante da sociedade, que antes era canalizado de forma mais acusadamente política; também uma preocupação activa pela deterioração dos ecossistemas em consequência da organização dessa mesma sociedade; mais o terror relacionado com a corrida armamentista ou a ameaça nuclear; e ainda a moda, da qual essa mesma sociedade tomou boa nota para impulsionar juntamente com o «cuidado do corpo», todo o «eco» e tentar incorporar mercantilistamente ao sistema qualquer dissidência tirando bom partido dela. Na actualidade a Ecologia vende-se tão bem que as próprias multinacionais responsáveis por graves contaminações da natureza publicitam o seu «zelo» ecológico oferecendo produtos que não contaminam tanto, ou envolvendo-os cinicamente num halo verde que amiúde não passa da simples cor com que são lançados no mercado.

A outra abordagem é a que tem a ver com a já citada aproximação ao mundo contemplando a interacção dos seus componentes, e com o alarme real ante o estado da biosfera, dado que, nos últimos quarenta anos, o homem produziu mais detritos do que em todos os milénios juntos de civilização.

Se nos dedicarmos ao estudo das sociedades tradicionais e dos povos incorrectamente chamados primitivos, veremos que acreditavam intimamente na sua participação na Vida (a que agora chamamos Ecosfera), na relação das partes entre si dentro do sistema natural, e na influência geral da alteração numa das partes; isto é, a vivência profunda dos princípios ecológicos.

“A biosfera é aquela zona da Terra onde nasce, cresce, reproduz-se e morre a enorme diversidade de seres que povoam o planeta”

Naquelas culturas que vivem da caça há um grande cuidado em não exterminar os exemplares que se podem reproduzir, porque sabem que se desaparecerem as bases da sua subsistência, eles também desaparecem. É típico citar povos como os índios americanos e o seu respeito lúcido pela Natureza. E constatamos, por outro lado, que o sentido último de certos ritos, cerimónias e festas é o de vivenciar e de «religar» o homem à Terra e aos seus produtos, às estações e seus ritmos, ao céu e seus movimentos; em resumo, busca-se uma harmonização do ser humano de acordo com as leis naturais.

A BIOSFERA E OS ECOSSISTEMAS. GAIA

A biosfera é aquela zona da Terra onde nasce, cresce, reproduz-se e morre a enorme diversidade de seres que povoam o planeta.

É também o conjunto de seres vivos e os meios onde se desenvolvem.

A biosfera é persistente, porém renovável, organizada, porém dinâmica; utiliza a energia do sol, da camada rochosa que a sustém, do ar que a rodeia e da água que corre através dela, para constituir matéria viva. A decomposição que procede a morte não é mais do que uma parte do seu vibrante ciclo auto-regenerador.

A biosfera está cheia de movimento e cor. Não há nada quieto; sobre a sua superfície movem-se as nuvens, circulam as grandes correntes de vento e de água e giram os oceanos. Estas correntes influem no clima com milhares de quilómetros de distância entre si.

Há também movimentos mais lentos: ondulação de verde que se estende horizontalmente na Primavera, coberturas polares que aumentam e diminuem, massas enormes de terra chamadas continentes que se deslocam, transportando os seus habitantes numa rítmica viagem em torno do Sol e através da Galáxia.

Um dos responsáveis pelos movimentos da matéria não viva é o Sol, que é a força externa que faz funcionar a biosfera. O seu calor torna possível a maioria das reacções bioquímicas, e a sua luz permite a fotossíntese.

Hoje pensa-se que a biosfera no seu conjunto regula as condições indispensáveis para que a vida se manifeste e permaneça. Atendendo a que o grande ecossistema terrestre parece estar tão ajustado, não deixa de ser surpreendente a conservação e estabilidade do mesmo através dos milénios; tanto assim que hipóteses muito avançadas para a mentalidade actual consideram a biosfera como uma «entidade» de tamanho planetário que se auto-regula a fim de conservar a sua estabilidade. Esta hipótese foi apresentada ao mundo científico em 1969 na cidade de New Jersey por ocasião de umas jornadas sobre «a origem da Vida», sob o título de GAIA, proposto pelo seu «padrinho», o escritor William Golding, em honra da Deusa da Terra, Gea. O pai da hipótese, J.E. Lovelock, aceitou o nome, visto que era uma palavra curta que denominava de um modo poético o que nesses meios científicos foi descrito como «sistema de homeostase e cibernética universal».

A hipótese «GAIA» considera que, ao longo da história da Terra, a sua climatologia e a sua química parecem ter sido em todo o momento surpreendentemente óptimas para a evolução da vida, já que uma pequena variação alteraria todo o sistema com desastrosas repercussões nos seres vivos. A presença de gases como o metano, o óxido nitroso e o nitrogénio inclusive, na nossa oxidante atmosfera actual, representa uma violação tão estrepitosa das regras da química, que nos faz pensar que a atmosfera não é um novo produto biológico, mas antes uma construção biológica. E que tudo isto se deva à casualidade é tão improvável «como sair ileso de um intenso movimento de trânsito conduzindo com os olhos vendados». (1)

Gaia define-se como «uma entidade complexa que compreende o solo, os oceanos, a atmosfera e o conjunto dos seres vivos terrestres. Tudo isso constitui um sistema cibernético auto-ajustado por retro-alimentação, que se ocupa em manter no planeta um meio ambiente físico e quimicamente óptimo para a vida». (2)

Outro nome que se dá à biosfera é «a Arca», já que ela transporta o conjunto dos organismos no seu percurso circular em torno do Sol, navegando como a arca de Noé, nas águas celestes.

A biosfera é uma entidade capaz de adaptar o meio ambiente às suas necessidades, sempre e quando não se desequilibra o sistema por causas alheias a ele, o que nos deveria pôr de sobreaviso relativamente aos abusos de todo o tipo com que se castiga o planeta.

Se a biosfera está composta por muitos ecossistemas em interacção, estes não são fechados, mas dependem de outros ecossistemas a fim de manterem o equilíbrio. As selvas, por exemplo, geram uma parte das suas próprias chuvas, mas também são regadas pelas tormentas que absorvem ar e humidade dos ecossistemas marinhos.

Num ecossistema há uma contínua interacção entre a matéria não viva e os seres vivos. Estes, segundo o ponto de vista de como actuam sobre o seu meio e sobre a matéria, classificam-se em produtores, formando o substrato onde crescerão as plantas, e em consumidores, absorvendo a energia destas, e acumulando as sobras dos seus tecidos, que por sua vez passarão a outros organismos através das chamadas cadeias tróficas ou alimentares.

Falar das cadeias alimentares é uma forma bastante prática de descrever as rotas que seguem as plantas desde que saem da terra até voltarem a ela. É um modo um tanto «materialista», porém útil, de nos aproximar da interacção dos organismos com o seu meio ambiente, pois desvelou o grave desequilíbrio que o homem está a provocar nos ecossistemas e na própria biosfera. Podemos apreciar um exemplo de cadeia alimentar se considerarmos que uma espécie vegetal é ingerida por vários herbívoros que por sua vez servem de alimento a diversos carnívoros de diferentes espécies. A este conjunto chama-se «rede alimentam. É fácil perceber que um determinado pesticida aplicado indiscriminadamente pode intoxicar um número não determinado de espécies multiplicando o efeito, e inclusive atingir o homem, que se situa no final da cadeia e intervém alimentando-se dos «elos intermédios».

A fragilidade de um ecossistema depende da sua capacidade de resposta às interferências a que estão sujeitos os seus sistemas de controlo e de equilíbrio. Como é que actua um ecossistema face às perturbações? Será que oferece uma forte resistência às alterações como faz um bosque quando a geada tardia mata os rebentos jovens e é obrigado a recorrer à energia armazenada nas árvores? Ou mostra-se elástico, como o deserto, que permanece árido e sem vida nas secas, para germinar e florescer com as chuvas, porque as suas sementes e raízes permaneceram em letargia esperando pelo momento de nascer? Aqui vemos um exemplo da capacidade de adaptação e de defesa dos ecossistemas relativamente ao seu meio: os ecossistemas são surpreendentemente flexíveis e dinâmicos sempre que funcionam por si. O problema está quando factores externos alteram esse funcionamento. A perda de espécies pode ser com­ pensada introduzindo outras que ocupem os mesmos «nichos» (3) ecológicos vazios. Porém as substitutas quase nunca são tão boas como as originais; e o ecossistema vai-se degradando com consequências imprevistas para os manipuladores do mesmo.

Há que ter em conta que o único ser que manipula de um modo drástico um ecossistema é o homem. Este homem manipulador era muito raro noutros tempos, e ocupava «habitats» benignos, de forma que o impacto sobre a biosfera não era maior que o de qualquer outro mamífero omnívoro decerto tamanho. Mesmo depois, as agressões ao ecossistema permitiam a sua recuperação. A este respeito é muito importante assinalar que um ecossistema pode regenerar-se sempre que a alteração não supere um determinado limite, ou não afecte os seus elementos «Chave»… Porém «inventaram-se» as civilizações, estas cresceram, complicaram-se, e tudo invadiram de um modo cego.

A PRESENÇA HUMANA NA BIOSFERA

De início, a caça e a agricultura constituíram as primeiras incidências humanas no equilíbrio terrestre. Não temos notícia histórica de outras alterações, se bem que os mitos relatem a resposta catastrófica da Natureza devido à acção do homem (4). Porém tem sentido pensar que, se simbolicamente está reflectida a magnitude do castigo correspondente à transgressão, parece que a história da ameaça humana à Terra é uma questão de insistência… sem aprendizagem da experiência. De qualquer modo, existe agora o problema do incremento do número e da multiplicidade dos pontos de deterioração: somos muitos seres humanos a actuar sobre diversos sis­temas, demasiado rapidamente agora, demasiado intensamente, todos a um tempo…

Desde que o homem assentou num determinado lugar geográfico, desde que criou cidades, cultivou, cresceu como grupo social, conquistou, expandiu-se, arrancou materiais da terra e comercializou-os, teve necessidade de mais produtos e iniciou uma indústria que se foi complexizando; começaram as alterações massivas, as «domesticações» do meio. Para os historiadores da vida física, não é demasiado difícil inferir através dos «restos vivos» de um determinado ecossistema como era este antes da modificação humana; e as poucas áreas em que a presença humana foi milenária conservam ainda uma mínima parte da paisagem original. As colonizações, as migrações, as sucessivas culturas alteraram consideravelmente a harmonia primitiva da Terra. Já Platão se queixava na sua época da perda do bosque mediterrânico primigénio.

A MANIPULAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS

A intervenção do homem na ordem natural deu origem a negligências cuja escala varia, desde a degradação local até à completa destruição dos habitats.

Há dois modos principais de interferência humana num meio determinado: utilizando os ecossistemas para os seus próprios fins, manipulando total ou parcialmente os habitats, mediante a criação de gado, a agricultura, o abate das árvores, a irrigação dos desertos, etc., cujas consequências são a erosão (perda da terra útil) e a desertificação (perda da riqueza animal e vegetal e esterilização da terra); introduzindo elementos no ecossistema, por exemplo, a contaminação. Esta pode ser não natural, como os plásticos ou o DDT, ou natural, do tipo do fósforo, ou terra alheia ao ecossistema, ou introduzindo elementos físicos como os despejos industriais.

Alguns contaminantes são letalmente atuais (há pesticidas que atuais certos atuais, mas não outros). Há os que são atuais fertilizantes (algas dos lagos que prosperam com os materiais orgânicos dos despejos). Outras substâncias são ingeridas pelos organismos em quantidades não tóxicas, mas como não são degradáveis, acumulam-se nos tecidos, e os animais que estão mais altos nas cadeias tróficas vão acumulando-as até que estas acabam fatalmente por intervir no seu crescimento ou reprodução. É o caso de certas aves de rapina em perigo de extinção devido, entre outros motivos, ao grau de intoxicação alcançado. Sem contar com a contaminação atmosférica, determinados pesticidas são ingeridos por certos atuais que servem de alimento a um grande número de aves, que por sua vez são comidas por outras aves ou mamíferos, até que se chega por fim à ave de rapina que multiplica em si a quantidade de veneno ingerida.

Há que assinalar que certos contaminantes orgânicos como as águas residuais, o lodo ou o petróleo acabam por se atuais; e se se elimina a fonte original da contaminação e os danos não forem muito graves, o sistema pode regenerar-se. Mas em geral, os contaminantes naturais inorgânicos, tais como os metais pesados, elementos atuais, resíduos nucleares, ou os compostos orgânicos sintéticos como o DDT, são muito persistentes, mantêm-se na atmosfera muito tempo após terem entrado nela, e muito distantes do local por onde entraram.

O resultado deste tipo de interferência humana introduzindo elementos no ecossistema é a morte dos seres, e outros efeitos atuais que poderiam sintetizar-se como «enfermidade do próprio ecossistema».

Por outro lado, os progressos da civilização nunca foram pensados tendo em conta os resultados das funções de eliminação; e mais, não só não se presta atenção à reciclagem dos novos detritos no seio do ecossistema local, nem ao modo de administrar as «entradas» e «saídas» de materiais, como também se assiste a um alheamento ou inconsciência por parte das instituições económicas ou políticas, em geral, no que se refere em saber qual a resposta de um ecossistema à supressão dos seus componentes vivos silvestres, e quais as possibilidades de encontrar substitutos. Não se teve demasiado em conta que o desaparecimento das espécies permite o aparecimento de outras que podem prejudicar o ambiente.

A exploração excessiva de um meio conduz à esterilidade permanente e à erosão, e pode provocar a extinção de toda uma população ou de toda uma espécie, animal ou vegetal, ao serem eliminados mais indivíduos do que os que podem ser repostos por meios naturais. Muitos indivíduos de desenvolvimento lento, como as baleias, ficaram reduzidos a números tão baixos que se torna duvidosa a sua recuperação. Nos últimos 400 anos morreram pela mão do homem quase 400 espécies e subespécies de aves e mamíferos.

Actualmente estima-se que em cada minuto se destroem vinte hectares de floresta e que em cada ano desaparecem mil espécies, a maioria delas selváticas e tropicais. A prosseguir com este ritmo, em 1990 desaparecerá uma espécie por hora. E nos finais do século, terá desaparecido um milhão dos cinquenta milhões de espécies vivas atuais.

O potencial de extinção calculado neste momento afecta 500 000 espécies; e isto, optando pelos dados menos alarmistas.

A terra provém do sol, do gelo, do vento e da chuva, dos seres vivos que morrem e se decompõem. Formar 1 cm de solo pode levar 500 anos. A urgência do alimento faz com que não possamos desperdiçar nem sequer uma migalha de terra e, no entanto, em cada ano perdem-se por erosão treze milhões de hectares de terra arável. A Europa perde em cada ano mil milhões de toneladas de boa terra, e esta é uma das regiões menos afectadas do globo. As zonas de cereais estão-se reduzindo à razão de 300 000 hectares por ano.

Para se chegar a este ponto também contribuiu o desflorestamento que reduziu a quantidade de tecidos vegetais que absorviam C02 para a fotossíntese. Se não se põe cobro a isto, o que parece ser difícil, no ano 2000 a concentração terá subido a 600 partes por milhão. A consequência do incremento do C02 (conhecido por «efeito de estufa») é a alteração do clima, entrando em jogo a alteração dos ecossistemas, a economia dos países e, portanto os alicerces dos mesmos.

Em 1987 éramos 5 000 milhões de seres humanos comendo e devastando; quantos milhões somos nós na actualidade tendo em conta que a natalidade cresce em progressão geométrica? Esta­ mos a alterar fio por fio a rede dos ecossistemas. Qual irá ser a resposta de GAIA? Ou, porventura, será que não estamos a pressenti-la? Basta olhar à nossa volta, parar e reflectir por uns instantes.

Quiçá o grande contributo da Ecologia tenha sido o de proporcionar aos homens uma visão integral do mundo, e portanto de si mesmos como parte dele, ao mesmo tempo que se descobrem as cadeias que unem os diferentes níveis da Criação.

Paloma de Miguel Balcázar

Nova Acrópole Espanh

Notas:

(1) e (2): “Gaia. Uma visão de vida sobre a Terra”.

(3): Podemos definir “nicho” aludindo a um “lugar” ecológico, um elo no equilíbrio do sistema.

(4): Mitos do dilúvio, da alteração do eixo da Terra, etc.