O Mestre Tibetano e o Mantra Vai-te-Embora

Autor

Nova Acrópole

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Uma vez um discípulo, depois de uma longa caminhada penetrando nas sagradas montanhas dos Himalaias, chegou à gruta em que um Mestre Tibetano – seguindo a estrela de Milarepa, e tantos ascetas artistas – estava a meditar.

Como o momento era inoportuno, e o carácter do Mestre era muito franco e directo, disse-lhe gritando, sem mais melindres:

M – VAI-TE-EMBORA, ao mesmo tempo que fazia um gesto imperativo para que se afastasse.

O Discípulo, não sabemos se por estar muito cansado, se por se encontrar num estado de consciência alterado, porque teve uma intuição genial, por simples ignorância, ou porque havia ouvido falar do poder dos mantras – as palavras de poder – e dos mudras – os gestos rituais –, acreditou que o Mestre lhe estava facultando ambos, ferramentas fundamentais para trabalhar na via mágica. Acontece que se retirou, pensando que devia trabalhar com essa afirmação e gesto como armas mágicas para avançar no caminho.

Assim, durante anos, repetiu e repetiu à exaustão o gesto e as palavras, que acreditava dotados de poder mágico, com toda a sua vontade activa, a sua consciência plenamente desperta e, meditando e voltando a meditar, com a sua inteligência em todos os tesouros que podia extrair destes sons que surgiam do silencio e a ele voltavam, carregados de tão misterioso poder.

D – VAITE EMBORA, VAITE EMBORA, VAITE EMBORA, VAITE EMBORA VAITE EMBORA.

Não sabemos, como, talvez pelo poder da sua vontade, seu afã, perseverança, seu nobre e generoso empenho, pela sua capacidade de concentrar a mente numas palavras que actuavam como uma fortaleza contra as tramóias do mundo e das suas paixões, o certo é que passados anos converteu-se num consumado Mestre da Via e voltou para agradecer a quem lhe havia proporcionado o dom mágico. Quando, cheio de dignidade, e com passos que irradiando poder, pareciam extrair das altas montanhas, um canto, uma resposta silenciosa e sagrada; aproximou-se de quem considerava ter sido e foi, de facto, o seu verdadeiro mestre, e disse-lhe.

D – Muito obrigado, oh Mestre, por me teres aberto a via de tão maravilhosos ensinamentos e vivências, o caminho que nos irmana com todos os seres vivos, com as estrelas e com a mais humilde formiga que percorre esforçadamente o seu caminho. Obrigado pelo teu gesto mágico e pelas tuas palavras de poder.

O Mestre, no início, não sabia a que se referia, pois, certamente nem o conhecia; mas logo olhando com o seu olho intuitivo sempre aberto (Esse olho espiritual e interior a que os Indianos chamam o Olho de Dangma), compreendeu a verdade do assunto e disse-lhe:

M – O fogo nem sempre se transmite de madeira a madeira, lenta e preguisosamente, por vezes uma corrente de ar pode levar uma só chispa ao que ardendo de vontade de inflamar-se, com ela se faz chama, como se fosse a chave mágica e rápida da luz, o calor e o poder. Há quem conviva e receba os ensinamentos do seu Mestre durante dezenas de anos sem nada aproveitar, como uma madeira húmida que se nega a arder. Outros, como tu, que me honras com a tua visita, pelo contrário, um simples encontro, um gesto fortuito, umas palavras sem significado e sem consciência sequer, mas nelas arde a magia de quem penetrou no Caminho e convertem-se em Pórtico e chave para penetrar no Templo da Sabedoria, que é o coração e alma de tudo o que vive e respira.

Sou eu o que aprendeu com a tua lição e que se sente em divida. Obrigado!

 

Conto Tibetano

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