Notas sobre o livro de OMRAAM MIKHAÉL AIVANHOV

Existe uma escada que constituí os vários níveis da evolução da humanidade, quando mais materiais são as tendências do homem, mais propensas à separatividade, a matéria segue a Lei da expansão horizontal e quando mais densidade mais peso, limitação, dependência e dispersão. O Espírito segue a Lei da unificação, Ele é vertical, volátil, translúcido, inalterável, libertador e indestrutível. Por exemplo, o Ideal do Amor é mais poderoso que o amor físico, o primeiro pode reunir milhares de pessoas à volta de um Ideal enquanto o outro só pode aproximar dois seres humanos num encontro esporádico e limitado no tempo. A consciência é o ponto que liga os dois mundos: Matéria e Espirito, e onde se encontra o ponto de iluminação está o contacto do Eu com o Mundo. Nós somos aquilo com o qual nos identificamos, e o nosso horizonte visual é o nosso limite. A pirâmide humana é constituída por várias etapas evolutivas, esta vai desde o homem selvagem até ao homem civilizado, para além desta, mais em cima está o Génio e o Sábio, e este último é a ponte entre os Seres que são de natureza espiritual e os homens. O Sábio é um Mestre que se fez luz dentro de si próprio e por isso ele pode iluminar o nosso caminho. Um Mestre espiritual é um Ser que alcançou o domínio dos seus pensamentos, sentimentos e ações.

O Mestre é como um pai e uma mãe num plano espiritual, nutre a criança discípulo até esta alcançar a maturidade. O Mestre é como um guia do alto da montanha, ele deve ser aquele que caminha em frente, ele não pode estar sempre à espera cada vez que paramos para descansar, falar, comer, ser consolado ou levar os nossos pesos, o Mestre é amigo da nossa alma mas não necessariamente da nossa personalidade. A vida espiritual é uma escalada dentro de nós, esta exige disciplina, vontade, pureza e altruísmo a toda a prova. Para que o Mestre possa assumir o papel de guia ele não se pode identificar com a personalidade do discípulo e ainda menos o levar ao colo.

O Mestre não crítica, mas ensina, ele tem por missão proteger-nos de nos próprios, porque ele conhece os inimigos ocultos da personalidade e quando ele vê que o discípulo quer sucumbir às suas tendências comodistas, ele não se deixa iludir ou manipular pelas fraquezas que assaltam o discípulo e que o quer fazer estagnar ou retroceder. O Mestre não pode ser cúmplice das nossas imperfeições porque então estaria a enganar-nos.

O Mestre é, como dizia Sócrates, “um parteiro das almas”, ajuda a fazer nascer a luz contida na alma dos discípulos, ele fricciona a personalidade para despertar o fogo da vontade do discípulo. O Mestre é um vinculo com o céu, é o seu exemplo é um caminho de luz para aquele que ainda está na sombra. O discípulo obedece ao Mestre porque obedecer significa ouvir e assimilar os ensinamentos. O compromisso do discípulo nasce da sua vontade, liberdade e consciência. O Mestre não seduz o discípulo, mas o esclarece e o ajuda a libertar-se das suas dúvidas, ilusões e limitações. O Mestre não faz milagres, únicamente abre a consciência do homem que está decidido a ver e a compreender. Muitas pessoas só procuram Mestres para instruir-se, valorizar-se. Estes vão dizer: «eu estudei com este Mestre e com aquele» para fazer brilhar a sua sombra e ter mais protagonismo. O verdadeiro discípulo pelo contrário segue os ensinamentos do mestre e com humildade, esforça-se por melhorar e seguir o seu exemplo. Muitos acreditamos que basta ter lido alguns livros e ter frequentado alguns cursos para se tornar Mestre ou Guia espiritual, isto é falso pois um Mestre teve que trabalhar durante muitos anos e provavelmente durante muitas vidas para adquirir conhecimento, auto domínio, e abnegação de qualquer interesse pessoal. Também não dá relevo aos seus conhecimentos, nem poderes psíquicos, pois muitos Mestres consideram isso uma falsa porta que só seduz o amor-próprio e constituí um do obstáculo da sala de aprendizagem. Pelo contrário, os Mestres insistem na necessidade de o discípulo desenvolver virtudes interiores tais como a fortaleza, humildade, generosidade, paciência, estas virtudes são indispensáveis para o bom uso dos poderes internos.

Inúmeras vezes os Mestres são incompreendidos pois nem sempre a verdade é bem acolhida, os Mestres não se preocupam em dar-nos bem-estar material ou poderes extraordinários, nem mesmo orientação na nossa vida pessoal pois isto não é da sua competência, a sua missão não é a de levar os nossos fardos, mas sim de elevar a nossa consciência. O Mestre é como o sol do nosso sistema solar, ele representa o centro que não se move mas que dá calor e luz. O discípulo é como uma planeta que gira à volta do sol, alimenta-se da sua luz que o desperta. Ele deve ter cuidado de não confundir a luz reflectida da lua pela luz directa do sol, pois a lua é mutável e influenciável e é atraído pela terra. Os falsos Mestres são como a luz lunar, reflectem os nossos desejos como um espelho e somos movidos pelas nossas emoções. Seduzidos pela luz magnética, ficamos hipnotizados e prisoneiros das sombras do nosso inconsciente. A luz do sol é como a luz que emana do Mestre, ele tem o poder de dissipar as humidades que se alojam na alma do discípulo. A alma deve se tornar seca e brilhante como um espelho de prata e refletir a luz dourada que emana do Mestre.
O Mestre é a estrela das nossas mais altas aspirações e esta estrela crescerá em brilho e poder à medida que a contemplamos e orientamos cada movimento da nossa vida na sua direcção.

Françoise Terseur
Abril 2012