Descrição

«Todos sabemos, quando reflectimos sem medo, que efémero é tudo aquilo que chamamos de nosso e que acreditamos que nos pertence. A minha casa, o meu carro, a minha mulher, o meu marido, os meus filhos, o meu trabalho, etc, etc, são afirmações que, ao serem pensadas e pronunciadas, criam eixos de referência, o modo de nos enquadrarmos no mundo. Mas, no entanto, não ignoramos que os ventos da vida podem arrastar toda a posse, deixando-nos nus, cara a cara com o que somos e não com o que temos. Os filósofos de qualquer época ensinaram que as únicas verdadeiras possessões são as da alma (…).
Se o tempo é como um rio cujas águas levam e arrastam o que tantas vezes desejaríamos conservar a qualquer preço, também é certo que se detém impotente perante estes valores eternos que pertencem à alma pura, perante estes tesouros que vivem, dormem e esperam no recinto mais interno do coração (…). Estes tesouros são as vivências do amor, beleza e bondade, são as experiências que o grande alquimista que é o tempo destilou no elixir da sabedoria, é a dor convertida em consciência. Estes tesouros, que só pertencem à alma, são os valores eternos, aqueles que levantam os anseios do homem por cima das correntes tumultuosas do tempo e do mundo.»


José Carlos Fernández
In «Prefácio»