A Nova Acrópole de Lisboa realizou mais um recital de homenagem a uma das maiores poetisas de Portugal, Florbela Espanca a 7 de dezembro 2019, data do seu nascimento e morte, na Biblioteca do Palácio Galveias.

Primeiro houve uma intervenção do Professor José Carlos Fernández, Diretor da Nova Acrópole em Portugal, sobre alguns aspetos da vida e da alma da poetisa.

Seguiram-se as intervenções do Grupo convidado de Poesia Argos, da Nova Acrópole de Huelva, que recitaram poemas de autores muito apreciados por Florbela Espanca, tais como Rubén Dario e Juana de Ibarbourou.

Depois tivemos as intervenções do Grupo de Poesia de Florbela Espanca, da Nova Acrópole de Lisboa, onde pudemos ouvir recitar alguns dos poemas mais conhecidos de Florbela como o Ser Poeta, para além dos poemas inéditos dados pela discípula de Florbela a Professora Aurélia Borges: Drama Eterno, Onde, Riso Amargo e Condenados.

Deixamos aqui um desses bonitos e intensos poemas.

RISO AMARGO

Num desafio temerário e forte,
Eu quero rir da vida, altivamente,
Da vida que é combate, luta ingente,
Nesta comédia dum viver sem norte.

Quero rir da desgraça e da má-sorte
Que nos fere e persegue tenazmente
Rir do que é baixo e vil, amargamente,
Do que é soluço e dor… E até da morte!

De tudo rir! Que mais posso fazer?…
Se a podridão de charco jamais volta
À limpidez das fontes a correr…

Quero rir!… E o meu riso é um esgar,
Um grito de impotência e de revolta!
Rir! Quero rir!! …
E apenas sei chorar!