Reflexões  para o Futuro

Autor

Nova Acrópole

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O início de cada ano leva-nos, indubitavelmente, a lançar um olhar sobre as nossas vidas e sobre tudo aquilo que nos rodeia. Esse olhar é, por um lado, uma retrospectiva e, por outro, uma projecção para o futuro que se avizinha.

O melhor que podemos é imaginar este futuro, pintá-lo com as cores dos nossos sonhos e esperanças, confiar que, com o correr do tempo, as coisas possam melhorar em todos os sentidos. Mas por muito que projectemos estes desejos para o futuro, este está marcado por tudo aquilo que já vivemos, as experiências adquiridas, escassos e luminosos momentos de felicidade e muitos de medo e angustia.

Mas como é que podemos sonhar com um ano melhor, mais positivo, se diariamente temos de suportar dezenas de notícias que nos enchem de tristeza e desespero ou, pior ainda, de indiferença para não sofrer.

As notícias caem sobre nós como avalanches habilmente disfarçadas por pessoas inteligentes ou interessadas em dissimular a verdade. E em alguns casos já não são precisas máscaras porque a realidade apresenta-se em toda a sua crueza. Em todas as partes do mundo há alguma ferida humana: problemas que sublevam as vontades; sociedades inteiras que caem no medo da miséria ou da opulência; e seres individuais que se sentem impotentes para deter esta marcha dos acontecimentos e, ainda mais, para encontrarem a sua resolução.

O signo do nosso tempo parece ser o da dificuldade. O que é que se pode fazer quando tudo se entorpece, se lentifica e as coisas são cada vez mais difíceis? E, infelizmente, também isto acontece quer ao nível da pessoa quer dos pequenos ou grandes grupos humanos.

 

“Está na hora de recebermos as dificuldades como algo inerente à existência. Está na hora de nos tornarmos seguros, dignos e felizes, ainda que seja no meio dos problemas, porque é a melhor maneira de sair deles”

 

Acostumaram-nos a ver o futuro em permanente evolução, sem problemas ou, pelo menos, com poucos problemas porque as soluções estavam encontradas. Talvez essa visão do nosso próprio devir nos tenha esterilizado, isto é, nos tenha retirado energia e criatividade, uma vez que pensávamos que tudo vinha feito de fora. É possível que com tanta facilidade também se dissolvesse a força moral que caracteriza – ou que deveria caracterizar – o ser humano… O certo é que as brilhantes previsões não se cumpriram e, em geral, sentimo-nos perplexos face às dificuldades e à pouca capacidade de as compreender e resolver com os meios que nos deixaram.

Todavia, o homem continua a ser o dono da sua vontade, dos seus pensamentos, dos seus sentimentos e dos seus actos. Para tal é preciso abrir os olhos, enfrentar o que temos diante de nós e voltar a utilizar as nossas capacidades naturais. Não acredito que se trate de recuperar um falso optimismo, mas, sobretudo, de adquirir a força interior para fazermos face às dificuldades; para voltarmos a raciocinar com sensatez; para voltarmos a sentir com pureza; para actuarmos com honestidade; para exercitarmos a vontade diariamente, fortalecendo estes factores esquecidos e, no entanto, imprescindíveis para vivermos, para sabermos quem somos e o que temos vivido, e para continuarmos a projectar as nossas vidas para o amanhã.

Está na hora de recebermos as dificuldades como algo inerente à existência. Está na hora de nos tornarmos seguros, dignos e felizes, ainda que seja no meio dos problemas, porque é a melhor maneira de sair deles. Saber, ou ver com clareza, ajudar-nos-á a não esperar dádivas agradáveis e, assim, permitir-nos-à obter autênticos dons, convertendo-nos em magos prodigiosos do destino de todos e de cada um…

 

Délia Steinberg Guzmán

Directora Internacional de Nova Acrópole

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